19/10/2026
Linha Circular do Metropolitano de Lisboa – Uma obra com fortes impactos em Telheiras
A Associação de Moradores de Telheiras Norte manifesta a sua preocupação com a obra da Linha Circular do Metropolitano de Lisboa, adiante designado por Metro, que se prevê estar concluída em março de 2027.
No projeto que está presentemente a ser executado pelo Metro, a Linha Circular irá cortar a ligação direta que hoje existe entre Telheiras e o centro da cidade (Cais do Sodré), com a necessidade de realizar um transbordo obrigatório no Campo Grande. De igual modo, todas as estações a norte do Campo Grande (Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar e Quinta das Conchas) irão ficar na mesma situação, integradas numa linha encurtada, sem ligação direta ao eixo central atualmente servido pela Linha Amarela.
A AMTN entende que o atual projeto da Linha Circular prejudica quem mora, trabalha ou estuda em Telheiras, bem como toda a freguesia do Lumiar e a restante coroa norte da cidade. Esta situação cria fortes constrangimentos a todos os utilizadores do Metro, uma vez que a necessidade de um transbordo adicional submete os utentes a mais tempos de espera e a uma maior circulação no interior da rede do Metro, tornando as deslocações mais complexas e menos cómodas. A título de exemplo, um morador de Telheiras que se queira deslocar até qualquer estação das linhas Azul ou Vermelha, terá de efetuar dois transbordos, algo inédito na história do Metro.
A adoção de uma Linha Mista, que alterne entre uma circulação em “Laço” e Circular, permite preservar as ligações diretas ao centro da cidade, e evitar o transbordo obrigatório no Campo Grande, nas horas de ponta. A implementação, nesta fase, de uma linha totalmente em “Laço” acarreta custos adicionais, riscos contratuais e atrasos, o que entendemos não contribuir para a resolução deste problema.
Segundo informações divulgadas pelo Metro de Lisboa e pelo Ministério das Infraestruturas, esta solução tem viabilidade técnica, e envolveria, de acordo com estimativas divulgadas, um investimento adicional de cerca de 10 milhões de euros, para realizar as necessárias obras de adaptação, aproveitando as infraestruturas já construídas para a Linha Circular. Entendemos que esta é a solução que, dadas as circunstâncias, melhor se adequa ao estado atual da construção da Linha Circular, minimizando os impactos causados em Telheiras por este projeto, e salvaguardando o acesso direto dos moradores ao centro da cidade, sem necessidade de mais transbordos e tempos de espera.
Assim, instamos o Governo e o Metropolitano de Lisboa a adotarem a solução da Linha Mista, de modo a garantir que a população de Telheiras e de toda a coroa norte da cidade continua a ter uma ligação direta ao centro de Lisboa, sem transbordos e constrangimentos adicionais, mas preservando a maioria das infraestruturas e investimentos da Linha Circular, de modo a não atrasar mais o projeto e lesar o erário público. Apelamos também à Câmara Municipal de Lisboa e à Junta de Freguesia do Lumiar que tomem uma posição clara em defesa da Linha Mista, e que transmitam essa orientação à tutela.