Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia

Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) representa os oficiais do CFOP.

"Tudo para a [segurança?] das fronteiras"Esta semana vimos o entusiasmo da ANA e do Governo por aparentemente ter resolv...
15/06/2026

"Tudo para a [segurança?] das fronteiras"

Esta semana vimos o entusiasmo da ANA e do Governo por aparentemente ter resolvido o problema das filas nos aeroportos, não só porque obteve carta branca da Comissão Europeia para suspender o controlo biométrico sempre que for necessário (uma espécie de laissez passez a la carte), mas sobretudo pelo reforço de 360 polícias para os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores, representando mais de 65% do contingente recém formado na Escola Prática de Polícia (553 polícias que terminaram o 21.º Curso de Formação de Agentes).

O Governo decidiu então resignar aos ruidosos e estrépitos clamores dos vários atores económicos aeroportuários, ANA, ANAC, companhias aéreas, associações de turismo, entre outros, que não se coibiram de apontar injustamente o dedo à PSP e ao raio do sistema de controlo, tudo porque as filas estavam a criar muito má imagem lá fora. Esqueceram-se foi de dizer, curiosamente, que: (1) o turismo não para curiosamente de aumentar, com mais de 34 milhões de passageiros a entrar em portas lusas (um novo recorde, mais um), ultrapassando de longe outras referências turísticas; (2) que o número de aviões, passageiros e rotas não para de aumentar por decisão da ANA e companhias que continuam a achar que os aeroportos são elásticos e que, com mais ou menos esforço ou fila, lá se há de arranjar maneira de os acomodar, nem que se tenham de abrir as fronteiras e sacrif**ar o controlo almejado pela Europa; e (3) que os lucros da ANA continuem a atingir valores históricos de receitas, com mais de 1400 milhões em 2025, sem que isso tenha necessariamente resultado em melhoria das condições finitas e limitadas da estrutura aeroportuária.

O Governo lá cede em toda a linha, e a ANA aplaude porque, mais uma vez, não tem que investir nem compensar o maior esforço financeiro [e estratégico] que o Governo tem que fazer, pois decide colocar nos aeroportos, de uma assentada, mais de metade dos polícias recém formados, desgovernando todo o restante território nacional, já que os reforços nos Comando de Polícia da PSP serão próximos do nulo, com pouco mais de 180 a serem exclusivamente colocados no Comando Metropolitano de Lisboa, já de si num estado profundamente crítico de recursos. Só há uns meses se viu um pequeno esforço no sentido de melhorar as condições na fronteira, com um aumento do número de boxes de controlo e sistemas eletrónicos de controlo, para poder acomodar um exército de polícias a quem se pedirá, mais uma vez, para fazer milagres. Não se percebe que raio de gestão é esta, pois o que iremos ver, correndo o risco de errar no vaticínio, serão filas menores durante os períodos de maior pressão do dia (06 às 12H e das 15 às 19H), dado o reforço de polícias e as suspensões “pontuais” no controlo biométrico, mas ainda assim filas porque mesmo com São Miguel Arcanjo a zelar pelos Polícias, este não será capaz de realizar milagres, mas nem por isso uma gestão flexível e parcimoniosa de recursos policiais, que nos outros períodos do dia estarão, muitos deles, pouco empenhados, já que pouco necessitados. O que se devia ter feito, e já o dissemos, e até terá sido adiantado pelo Governo como uma solução viável, era poder pagar horas extraordinárias aos Polícias para que os seus Comandantes pudessem ter maior flexibilidade gestionária dos seus recursos, estendendo os horários em razão dos períodos críticos de pressão.

Mas não, parece que é mais fácil poupar a ANA e os seus milhões de lucro, e penalizar a segurança pública do país, mantendo a PSP frágil e incapacitada nas ruas. Não se venha depois dizer-se que o crime grave aumenta, que é preciso dar uma resposta cabal no controlo da sinistralidade, ou que a gestão das investigações de crimes que envolvam vítimas vulneráveis f**a aquém do pretendido. Para outros, não se coloca a falta dinheiro, seja para manter níveis mínimos de segurança nas cadeias, seja para realizar diligências extraordinárias nas investigações, ou até para resolver a pendência de processos administrativos de imigrantes. A estes pagam-se horas extraordinárias sem qualquer freio, e bem, não está em causa a justif**ação, mas parece que a prioridade nas fronteiras é mesmo uma prioridade que se f**a pelo sacrifício, sem que se chegue à retribuição devida e suplementar.

Quando voltar a haver filas, veremos qual será a solução mágica que irão brandir. Talvez cheguemos ao ponto de realocar o Comando de Lisboa no aeroporto como centro nevrálgico das operações, e se aparecerem vítimas a pedir auxílio da PSP, já sabem, é deslocar-se ao aeroporto, talvez aí, com sorte, venham a receber uma resposta mais rápida da Polícia. Não se percebe, e não se venha dizer que a Segurança é prioridade.



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Sindicato dos Oficiais da PSP considera perturbador caso inédito de violência na esquadra do RatoInédito na PSP e "angus...
07/05/2026

Sindicato dos Oficiais da PSP considera perturbador caso inédito de violência na esquadra do Rato

Inédito na PSP e "angustiante", diz o SNOP. Com 24 elementos já envolvidos em alegadas torturas e violações, o sindicato aponta a fragilidade das lideranças como falha central.

sindicato dos oficiais de polícia considerou, esta quarta-feira, angustiante e perturbador o caso de violência policial na esquadra do Rato, em Lisboa, afirmando que é inédito na PSP e reflete a falta de chefias intermédias para um maior controlo.

“É completamente inédito”, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP) sobre a detenção na terça-feira de mais 15 polícias, o que eleva para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo na esquadra do Rato, numa investigação denunciada pela PSP.

Bruno Pereira sustentou que, numa instituição com quase 160 anos, com cerca de 20 mil elementos e dezenas de milhões de interações todos os anos, “a avassaladora maioria dos polícias está na PSP verdadeiramente para servir e para defender aquilo que jurou, que é defender a Constituição e defender os direitos das pessoas”, à exceção de uma ou outra situação isolada.

No entanto, o presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e cargos de direção da PSP reconheceu que “um acontecimento desta natureza, com este relevo, com esta expressão, vai fazer uma nódoa muito grande naquilo que é a confiança das pessoas na instituição”.

“Não podemos fazer de conta ou mandar para trás das costas como se fosse um caso mínimo, porque não é, tendo em conta o número de polícias que estão envolvidos. Todos eles são graves o suficiente para me deixar altamente angustiado e perturbado. Não posso negar que isto tem consequências danosas para o prestígio e a confiabilidade das pessoas nesta instituição”, lamentou.

Explicando como foi possível este caso ter ocorrido alegadamente durante meses sem que tivesse sido detetado com maior rapidez, Bruno Pereira avançou que atualmente “o quadro de recursos humanos em termos de lideranças intermédias e superiores está altamente fragilizado e isso impede que haja um controlo, um escrutínio, uma sindicância efetiva e total”.

“Temos comandantes de esquadra a acumular várias esquadras, temos falta de chefes, e portanto naturalmente isso terá necessariamente que se repercutir. Infelizmente repercutiu-se de forma mais avassaladora na esquadra do Rato, e aparentemente no Bairro Alto”, disse, frisando que a falta de chefias intermédias acontece em várias esquadras do distrito de Lisboa.

Para o presidente do SNOP, “torna-se mais difícil assumir plena responsabilidade” quando se comanda duas ou três esquadras, como é o caso, mas já existiram outras situações “gritantes de subcomissários a acumular seis esquadras”.

Outro dos fundamentos avançados pelo oficial da PSP poderá estar nos critérios e exames de acesso à profissão de polícia, embora considere que “aparentemente não tenham sido aligeirados”, e pela falta nas esquadras de “estruturas de supervisão robustas” e da existência de polícias mais velhos que recebiam os novos agentes e acompanhava-os, enquadra-os, corrigi-os e integrava-os.

“Hoje temos muito poucos polícias com sete, oito, dez anos de polícia a fazer esse enquadramento, são cada vez menos e os poucos estão claramente a querer fugir da linha da frente, exatamente por tudo aquilo que é uma realidade intensa, exigente e que desgasta imenso”, disse.

Como possíveis soluções para diminuir os riscos da violência policial, apontou a existência de ‘bodycams’, câmaras de videovigilância nas zonas comuns das esquadras e a criação de centros de processamento de detidos em que o polícia que faz a detenção não encaminha o detido para a esquadra.

Na terça-feira, decorreu a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato.

Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão a aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.

Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.



https://observador.pt/2026/05/06/sindicato-dos-oficiais-da-psp-considera-perturbador-caso-inedito-de-violencia-na-esquadra-do-rato/

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