MIAR Movimento de Intervenção em Animais de Rua. Ass. de proteção animal, com sede em Oeiras.

06/10/2026

A MÃO PODE SAIR DO ENQUADRAMENTO, MAS NÃO ESTÁ AUTORIZADA A PARAR

A Margarida está muito quieta neste vídeo, o que pode induzir em erro. É faladora, brincalhona e gosta de participar em tudo, mas percebeu que interromper uma sessão de festas destas seria uma péssima decisão. Por isso fecha os olhos, estica-se na secretária e deixa a pessoa continuar a fazer aquilo para que, evidentemente, foi contratada.

Está connosco há vários meses e já teve tempo de mostrar que gosta de companhia, conversa e brincadeira, mas também sabe f**ar assim, completamente derretida, quando lhe dão atenção. Não percebemos como uma gata tão fácil de gostar ainda não encontrou a sua família para sempre.

Se se encantou pela Margarida e gostaria de a adotar, escreva-nos. Se não pode adotá-la, envie este vídeo a alguém que possa apaixonar-se por ela.

Adoção responsável em Oeiras e concelhos limítrofes.
Candidaturas por email: [email protected]

Está esterilizada, microchipada e vacinada.

04/10/2026

TAUROMAQUIA: QUANDO A PALAVRA “PATRIMÓNIO” SERVE DE LAVANDARIA MORAL

O setor tauromáquico apresentou um pedido para inscrever a “Corrida de Touros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O Estado ainda não concedeu esse reconhecimento, mas também não fechou a porta: deixou o pedido ultrapassar a apreciação inicial e avançar até à consulta pública. Estamos, portanto, a ser chamados a discutir se uma prática que depende do sofrimento deliberadamente infligido a animais deve ser reconhecida e salvaguardada como património cultural.

A resposta só pode ser não. A tauromaquia nunca foi consensual e tem sido repetidamente contestada. Quem a pratica, promove e protege não tem o direito de a apresentar como tradição comum, ignorando deliberadamente todos os que a rejeitaram, combateram e tentaram limitar. Isso não é uma herança coletiva; é a apropriação da palavra “cultura” por um setor organizado. Colocar música, fatos bordados, cerimónia e uma arena à volta da violência não altera aquilo que acontece no centro. Um animal é perseguido, provocado, ferido e levado à exaustão para proporcionar espetáculo. O touro não participa numa tradição. O touro paga por ela.

O setor tauromáquico procura há anos este reconhecimento porque precisa do selo de “património” para revestir de respeitabilidade aquilo que já não consegue justif**ar eticamente. Quem não consegue defender uma prática pelas suas consequências tenta protegê-la com os rótulos de “arte”, “cultura” e “tradição”. Depois, usa essa classif**ação como escudo institucional, como argumento para exigir apoio, exceções e continuidade. Não querem apenas registar a tauromaquia; querem garantir-lhe futuro.

Convém também deixar uma coisa clara: o Estado não recebeu um pedido e ficou automaticamente obrigado a conduzi-lo até à inscrição. A lei prevê o arquivamento sem consulta pública quando não estão reunidos determinados pressupostos. O pedido tauromáquico passou essa fase porque o organismo público responsável pelo processo entendeu que deveria prosseguir. Isso ainda não é uma aprovação, mas também não é um ato neutro ou inevitável: é a abertura institucional de uma porta que podia ter permanecido fechada.

Terminada a consulta pública, o Estado pode rejeitar o pedido. Se o fizer, reconhecerá que a tentativa de apresentar a tauromaquia como herança coletiva não a torna merecedora de proteção pública. Se o aprovar, já não poderá esconder-se atrás de formulários, pareceres ou procedimentos administrativos. Será uma escolha política e institucional: a escolha de atribuir proteção cultural a uma atividade baseada na exploração e no sofrimento de animais, transformados em matéria-prima de um espetáculo cruel.

É também revelador observar onde o Estado escolhe colocar a sua atenção. Para uma política nacional séria de esterilização, para programas CED abrangentes, para centros de recolha com meios e condições, para fiscalização ef**az da criação, da venda, do abandono e dos maus-tratos, há sempre falta de recursos, competências dispersas, respostas adiadas e responsabilidades empurradas de entidade em entidade. Para estudar a melhor forma de proteger institucionalmente a tauromaquia, porém, já existem procedimento, tempo e zelo patrimonial.

Enquanto o Estado pondera elevar a violência a património, associações e voluntários continuam a suportar as consequências da sua inação. São os cidadãos que recolhem animais, alimentam colónias, asseguram tratamentos, pagam esterilizações, procuram acolhimentos e respondem, com donativos e trabalho gratuito, a problemas que exigiam políticas públicas estruturadas. Para proteger os animais, o Estado depende da caridade e do sacrifício de particulares. Para proteger os interesses da tauromaquia, mobiliza o aparelho institucional.

Não existe aqui qualquer neutralidade cultural. Existem interesses económicos e políticos instalados que procuram garantir a sobrevivência de uma atividade através do reconhecimento público. O sofrimento f**a escondido atrás de palavras solenes, enquanto se tenta usar a classif**ação pretendida como certif**ado de respeitabilidade e escudo contra a contestação. Mas nenhuma decisão administrativa altera a natureza daquilo que acontece na arena: a crueldade não se transforma em cultura por ser inscrita num inventário.

Uma sociedade civilizada também se constrói com aquilo que decide recusar quando reconhece a crueldade. A cultura não é um armazém onde os interesses de um setor podem depositar uma prática violenta e exigir que o Estado a conserve. A repetição não transforma violência em cultura, e a organização de quem lucra ou se identif**a com ela não a transforma numa herança de todos.

A consulta pública decorre até 13 de novembro. Indignar-se nas redes sociais não basta: é essencial que a oposição fique registada no próprio processo.

📩 [email protected]

No assunto, pode escrever: Oposição à inscrição da “Corrida de Touros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Identifique-se, manifeste claramente a sua oposição e explique, pelas suas próprias palavras, por que motivo uma prática assente na violência deliberada contra animais não deve ser reconhecida nem salvaguardada pelo Estado. A participação não precisa de ser longa. Precisa de ser inequívoca.

A crueldade não é património. Não deve ser reconhecida nem salvaguardada pelo Estado. Deve ser recusada.

TODOS VEEM. TODOS PEDEM. NUNCA NINGUÉM TEM ESPAÇO.As mensagens sucedem-se. Enviam-nos fotografias, vídeos e localizações...
03/10/2026

TODOS VEEM. TODOS PEDEM. NUNCA NINGUÉM TEM ESPAÇO.

As mensagens sucedem-se. Enviam-nos fotografias, vídeos e localizações de animais que precisam de ajuda. Falam-nos do frio que aí vem, da chuva, dos carros e de tudo o que lhes poderá acontecer. A preocupação é muita, mas desaparece quando fazemos a pergunta que determina se o resgate pode avançar: “Onde f**ará o animal depois de ser capturado?” A resposta é quase sempre a mesma: “Infelizmente, não posso f**ar com ele.”

Um animal não desaparece quando entra numa armadilha. A MIAR não tem abrigo nem instalações e depende de famílias de acolhimento. Os lugares existentes estão ocupados por animais à espera de adoção e por animais em acolhimento definitivo. As associações que têm abrigo também ultrapassaram há muito a sua capacidade. Infelizmente, os voluntários ainda não descobriram como dilatar o espaço das próprias casas: quando estão cheias, não surge mais área só porque apareceu outro pedido.

Mesmo assim, perguntam-nos se não podemos “pelo menos capturá-lo”. Capturá-lo para onde? Para casa de quem? Fazer entrar um animal numa armadilha sem ter uma solução preparada para o momento seguinte não é resgatar. É retirar o problema da frente de uma pessoa e colocá-lo, já dentro de uma jaula, nas mãos de outra.

Antes da captura, é preciso observar o animal, alimentá-lo a horas regulares, criar uma rotina e registar quando aparece. Se quem está no local não sabe indicar um horário e não se disponibiliza para recolher essa informação, espera que os voluntários façam plantão durante horas ou noites? Uma localização, uma fotografia e a indicação rigorosíssima de que o animal “anda por ali” não constituem um plano de resgate.

Depois vêm as deslocações, a colocação e vigilância do material, as horas de espera, o transporte, as idas ao veterinário, os exames, os tratamentos e as consultas de acompanhamento. Tudo isto é feito no nosso tempo livre, entre empregos, famílias, animais próprios, colónias e outros casos já em curso. O tempo também não se dilata e os voluntários não passam a ter dias de 48 horas sempre que recebem uma nova mensagem.

Ainda nos dizem que quem acompanha uma situação já está cansado. E nós? Há anos que tratamos animais na rua e assumimos dezenas de situações que mais ninguém assume. Quando não conseguimos responder por falta de espaço, tempo ou recursos, f**amos com a angústia de saber que existe um animal a precisar de ajuda e que não conseguimos chegar até ele. O cansaço de quem sinaliza não lhe dá o direito de se demitir e passar-nos toda a responsabilidade.

FIZEMOS RECENTEMENTE UM APELO PARA ACOLHER UMA GATA DE COLÓNIA DURANTE APENAS ALGUNS DIAS, O TEMPO NECESSÁRIO PARA CUMPRIR UM TRATAMENTO. O PEDIDO PASSOU PRATICAMENTE DESPERCEBIDO.

Temos também animais para adoção há meses. Sem adoções não há saídas e, sem saídas, não existem novas vagas. Quando aparece algum acolhimento, são quase sempre as mesmas pessoas a abrir novamente as portas de casas que já estão cheias. Todos querem que se retirem mais animais da rua, mas poucos ajudam a criar espaço para os receber. O “eu não posso, porque já tenho um cão, um gato, um periquito ou um hamster” não pode transformar-se automaticamente no “vocês têm de poder”.

O problema de fundo é a falta de controlo reprodutivo. Enquanto não existirem esterilização massiva e continuada, programas CED ef**azes e responsabilização de quem permite ninhadas sucessivas ou abandona animais, continuarão a nascer muitos mais do que aqueles para os quais existem casas. Nenhum abrigo e nenhuma rede de acolhimento conseguirão acompanhar este ritmo. Continuamos a esvaziar o barco enquanto outros abrem buracos no casco e depois perguntam por que razão ainda há água.

Não vamos sobrelotar casas, amontoar animais ou reduzir a qualidade dos cuidados para responder a mais um pedido. Cada entrada signif**a mais alimentação, mais areia, mais limpeza, mais medicação, mais despesas e menos tempo para quem já depende de nós. Os animais que estão à nossa responsabilidade não vão viver pior porque alguém decidiu que o seu problema passou a ser nosso.

Pedir ajuda implica fazer parte da solução. Quem sinaliza pode criar uma rotina, registar horários, acompanhar o local, transportar, divulgar ou acolher temporariamente. O que não pode é apontar para um animal, entregar o problema aos voluntários e deixar-lhes também a culpa quando a resposta não é aquela que queria ouvir.

Chegámos ao nosso limite e vamos respeitá-lo. Boa vontade não cria espaço, não multiplica pessoas, não prolonga o dia e não substitui a responsabilidade de quem pede ajuda.

🆘 PRECISAMOS DE FAT NA ZONA DE OEIRAS/PAÇO DE ARCOS PARA A BRANQUINHAA Branquinha precisa de ser capturada e levada ao v...
01/10/2026

🆘 PRECISAMOS DE FAT NA ZONA DE OEIRAS/PAÇO DE ARCOS PARA A BRANQUINHA

A Branquinha precisa de ser capturada e levada ao veterinário, mas não temos onde a colocar durante o tratamento. Precisamos de uma casa sem gatos ou com um quarto onde possa f**ar isolada, em segurança, enquanto é medicada e acompanhada. Sem esse espaço, não podemos avançar.

Há alguns dias começou a tossir e a apresentar sinais de desconforto respiratório. Pensou-se inicialmente que seria passageiro, mas não passou e agravou-se. Foi tentada a administração de medicação na alimentação, mas, sendo uma gata assustada e esquiva e havendo outros gatos a comer ao mesmo tempo, não é possível garantir que a recebe corretamente.

Capturá-la, levá-la ao veterinário e assegurar o tratamento implica logística, tempo e disponibilidade. Apesar das limitações de tempo, de espaço e de tudo o que já é necessário assegurar diariamente, tudo isso se fará. O que não conseguimos fazer é inventar um espaço que não temos. E, antes do habitual “é só levá-la para casa”, as casas de quem cuida destes animais também têm limites, animais e acolhimentos. Não aparece mais um quarto cada vez que surge outro animal a precisar de ajuda.

Precisamos de uma FAT em Oeiras/Paço de Arcos para podermos avançar com a Branquinha. É um acolhimento temporário, apenas durante o período necessário para tratamento e recuperação.

📩 Pode ajudar? Escreva para [email protected], indicando a zona onde vive e um contacto telefónico.

26/09/2026

⛔️ NÃO INCOMODAR 🤫

O ALECRIM está ocupado a fazer uma coisa que, durante muitos anos, provavelmente não pôde: dormir profundamente, em cima de uma cama, sem frio, sem fome e sem precisar de estar permanentemente alerta.

Quando apareceu, sentia-se tão mal que foi deambulando até chegar a uma colónia, onde percebemos que precisava de ajuda.

Chegou-nos magro, doente, cheio de parasitas e profundamente debilitado.

Hoje está assim. Tranquilo, protegido e com a serenidade de quem finalmente percebeu que pode baixar a guarda.

A situação do ALECRIM ainda não é definitiva, mas está seguro e continuará a estar.

Agora, silêncio. O senhor está a descansar. 🤫❤️

A CELESTE DISPENSA A FAMA. UMA FAMÍLIA DAVA-LHE JEITO. 😏Celeste, seria mais fácil que parasse, olhasse para a câmara e m...
19/09/2026

A CELESTE DISPENSA A FAMA. UMA FAMÍLIA DAVA-LHE JEITO. 😏

Celeste, seria mais fácil que parasse, olhasse para a câmara e mostrasse toda a sua beleza numa só fotografia. Mas não lhe apetece. Há tempos, quando foi à vacina, pensámos: é agora ou nunca, com duas de nós a fotografar ia ser fácil. Estávamos tão enganadas. Nós as duas a tentar, a veterinária a segurar e a Celeste a fintar. Não quer, não quer, pronto. Quem a quiser adotar será pela sua essência.

A Celeste protesta veementemente contra estes trends, modas e outras coisas que, pelos vistos, uma pessoa tem de fazer para existir nas redes sociais. Recusa filtros, poses especiais de corrida, boquinhas para a câmara e aquela expressão estudada de quem supostamente nem reparou que estava a ser fotografado. E, ah, não precisa de escova para tornar cabelos lisos e lambidos ainda mais lisos e lambidos, nem de fazer trejeitos patetas enquanto os exibe. O seu pelo é naturalmente liso, brilhante, resplandece com o sol… ah, e lambido, claro que é, várias vezes ao dia! 😂

A Celeste informou-nos sobre tudo isto porque não quer uma família superficial que se pergunte se ela f**a bem com o sofá ou se vai render umas fotografias giras nas redes sociais. Para decoração já há almofadas e, para colecionar likes, há certamente algo mais adequado. A Celeste quer uma família que saiba ver a sua essência, que adore a sua doçura, o seu rebolar ao sol, as suas tropelias de jovenzinha e a sua presença. Porque, por detrás desta absoluta falta de vocação para influencer, está uma gata doce, divertida, cheia de vida e estupidamente bonita, mesmo que se recuse a fornecer provas fotográf**as decentes.

Portanto, se ainda há por aí alguém capaz de escolher um gato sem consultar primeiro a decoração da sala e o potencial de engagement, a Celeste está disponível para adoção. E agradecia que se despachassem, porque sessões fotográf**as já percebeu que não são a sua praia. 😂

📍 Zona: Oeiras e arredores
📩 Contacto: [email protected]

COLEIRAS EM GATOSEsta é a Cleozinha e a coleira deixou-lhe esta marca no pescoço.Na MIAR somos contra o uso de coleiras ...
17/09/2026

COLEIRAS EM GATOS

Esta é a Cleozinha e a coleira deixou-lhe esta marca no pescoço.

Na MIAR somos contra o uso de coleiras em gatos. Não vemos nenhuma vantagem para o gato que compense o desconforto e os riscos associados ao seu uso.

A fricção constante pode irritar a pele, provocar comichão, partir o pelo e causar alopecia. No caso da Cleo, o resultado está à vista.

Há também o risco de acidentes. O gato pode f**ar com uma pata presa entre a coleira e o pescoço, prender a mandíbula quando tenta tirá-la ou f**ar preso numa rede, num móvel ou noutra estrutura. As coleiras com fecho de segurança diminuem o risco, não o eliminam.

Há ainda uma questão de conforto e comportamento. Nem todos os gatos reagem da mesma maneira: alguns parecem tolerar bem a coleira, enquanto outros se coçam, tentam mordê-la ou fazem repetidamente movimentos para a tirar. O facto de acabarem por se habituar não signif**a que gostem de a usar e muito menos que precisem dela.

Quanto aos guizos, ainda lhes encontramos menos sentido. Não vamos repetir que provocam surdez porque não há evidência sólida que permita afirmá-lo. Mas pôr uma campainha junto à cabeça de um animal, a tocar cada vez que anda, corre, salta, come ou se lava, dificilmente será uma contribuição para o seu conforto.

Para identif**ação existe o microchip, que deve estar registado e com os dados actualizados. E se a justif**ação para a coleira é permitir perceber que aquele gato que anda na rua “tem dono”, então temos um problema anterior: na MIAR defendemos que gatos com tutor não devem andar na rua. Uma coleira não os protege de atropelamentos, ataques de outros animais, envenenamentos ou desaparecimentos.

Resta a estética. Há quem ache bonito um gato de coleira, há quem goste das medalhinhas e há quem goste dos guizos.

Mas isso é uma preferência humana, não uma necessidade do gato.

A Cleozinha já está sem coleira. Agora vamos ver quanto tempo demora o pelo a crescer novamente.

🛵BOLT | RAPIDEZ🛵Há frases que explicam TUDO. “Quem chegar primeiro leva” é uma delas. Neste caso, levava um gato.Uma pes...
16/09/2026

🛵BOLT | RAPIDEZ🛵

Há frases que explicam TUDO. “Quem chegar primeiro leva” é uma delas. Neste caso, levava um gato.

Uma pessoa telefonou para o Centro de Apoio Animal de Oeiras. Queria adotar um gato branco de olhos azuis. Foi informada de que não havia reservas e que quem chegasse primeiro levava. Saiu de Almada, de mota, mas quando chegou alguém tinha sido mais rápido e o gato já tinha ido. Havia, no entanto, uma gata preta. A pessoa explicou que não queria uma gata preta porque já tinha uma e foi-lhe respondido que “não tem problema ter duas”. A observação ficou-lhe na cabeça, pegou na gata, afeiçoou-se de imediato e decidiu levá-la.

E é aqui que a história atinge uma perfeição difícil de fabricar: a gata regressou de mota, dentro de uma transportadora, colocada dentro de uma mala da Bolt.

Bolt. Claro que foi Bolt. Como nome de uma empresa de mobilidade, dificilmente poderia haver melhor síntese para este processo: rapidez, movimento, deslocação imediata. Quem chegar primeiro leva. Quem não chegar a tempo leva outro. E tudo acaba na Bolt.

Seria bastante engraçado se estivéssemos a falar de outra coisa. Mas estamos a falar da entrega de um animal por um centro de recolha oficial. E o mais extraordinário nem sequer é isto ter acontecido. É o Município de Oeiras ter recebido o testemunho, lido, escolhido publicá-lo e acrescentado que a história pode “inspirar outros a fazer o mesmo”.

Não percebemos exatamente qual das partes deverá servir de inspiração. A corrida de Almada até Oeiras, a substituição do gato pretendido por outro disponível no momento, ou o regresso de mota com uma transportadora dentro de uma mala destinada ao transporte de comida.

Esperamos sinceramente que Charlotte tenha encontrado uma excelente família. O carinho da sua adotante é evidente e não é ela que está aqui em causa. O que está em causa é uma entidade pública apresentar como exemplo um relato que, para quem leva a adoção responsável a sério, deveria suscitar muita vergonha alheia, não aplausos.

Talvez isto também ajude a compreender certos números impressionantes de adoções. Podemos simplesmente não estar a contar a mesma coisa. Há quem conte quantos animais atravessaram a porta de saída. Nós preocupamo-nos também com a forma como saíram e com aquilo que foi feito antes de a atravessarem.

A rapidez é uma excelente qualidade numa Bolt. Num processo de adoção, talvez valha a pena experimentar outra coisa: critério.

ENTÃO, HUMANOS?A Margarida continua para adoção. E começa a levar a demora um bocadinho a peito.Porque quando és gira, j...
15/09/2026

ENTÃO, HUMANOS?

A Margarida continua para adoção. E começa a levar a demora um bocadinho a peito.

Porque quando és gira, jovem, um amor e continuas à espera de uma família, chega uma altura em que já nem disfarças.

Caixa escolhida, patas cruzadas e aquele ar de quem está a tentar perceber o que é que os humanos ainda não perceberam.

Nós sabemos que as boas adoções não se fazem à pressa. Queremos para a Margarida uma família responsável, que saiba que adotar é um compromisso para a vida.

Ela também quer. Mas pronto. Esta é a cara de quem acha que já podiam ter aparecido. 😑

A Margarida está esterilizada, vacinada e microchipada.

Zona: Oeiras e arredores
Contacto para adoção: [email protected]

Endereço

Oeiras
2780-200

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