Juntos pelo Sudoeste

Juntos pelo Sudoeste Juntos pelo Sudoeste é um movimento informal de cidadãos de Odemira e Aljezur pela defesa do Sudoeste

A Juntos pelo Sudoeste (JPS) esteve presente nos três dias do III Encontro por Justiça Social e Ambiental no Litoral Ale...
08/10/2026

A Juntos pelo Sudoeste (JPS) esteve presente nos três dias do III Encontro por Justiça Social e Ambiental no Litoral Alentejano, organizado pela TAMLA - Tirem as Mãos do Litoral Alentejano, entre Melides e Sines.

Ao longo dos três dias, o encontro reuniu mais de uma centena de pessoas, entre cidadãos, associações e movimentos de diferentes pontos do país, para conversar e trocar experiências sobre aquilo que está a acontecer no Litoral Alentejano. [1]

Logo no primeiro dia, em Melides, a JPS participou também na conversa “Agricultura intensiva, da água ao trabalho”, um tema particularmente próximo de muitas das questões que temos vindo a acompanhar no Sudoeste.

Falou-se de agricultura intensiva e pressão sobre a água, mas também de trabalho, habitação, turismo, acesso ao litoral, energia, indústria, mineração e das muitas transformações que se vão acumulando neste território. [1]

São problemas diferentes e acontecem em lugares diferentes, mas muitas vezes acabam por se cruzar. É também por isso que encontros como este fazem sentido: juntam pessoas que acompanham partes diferentes do território, permitem trocar informação e ajudam-nos a perceber melhor o quadro completo.

O encontro terminou no dia 5 de Outubro, em Sines, com uma manifestação pelas ruas da cidade, também acompanhada pela SIC Notícias. [1][2]

Foram três dias para ouvir, conversar, aprender e encontrar outras pessoas que partilham muitas das mesmas preocupações.

E também para reforçar algo que temos dito muitas vezes: não podemos continuar a olhar para cada projecto isoladamente quando, no território, os impactos se vão somando.



Referências

[1] Rádio Sines - III Encontro da TAMLA reúne mais de uma centena de pessoas em defesa do Litoral Alentejano, 06/10/2026 - https://radiosines.sapo.pt/noticias/iii-encontro-da-tamla-reune-mais-de-uma-centena-de-pessoas-em-defesa-do-litoral-alentejano

[2] SIC Notícias - Plataforma "Tirem as Mãos do Litoral Alentejano" reúne dezenas de manifestantes em Sines, 05/10/2026 - https://sicnoticias.pt/pais/ambiente/2026-10-05-video-plataforma-tirem-as-maos-do-litoral-alentejano-reune-dezenas-de-manifestantes-em-sines-9b32b80b

O III Encontro por justiça social e ambiental, organizado pela plataforma “Tirem as mãos do Litoral Alentejano” (TAMLA), reuniu mais de uma centena de participantes entre Sines e Melides, terminando com uma manifestação popular pelas ruas de Sines.

Restaurar o PNSACV: mas como?O Governo anunciou novos projetos-piloto de restauro da natureza no âmbito do Plano Naciona...
22/09/2026

Restaurar o PNSACV: mas como?

O Governo anunciou novos projetos-piloto de restauro da natureza no âmbito do Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), incluindo um projeto para o Sudoeste Alentejano [1].

É uma notícia importante para a região. Mas deixa-nos, desde logo, com uma pergunta: como pretende o Governo restaurar o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?

Para já, sabe-se pouco.

Quando o PNRN foi entregue à Comissão Europeia, a 28 de agosto, o Governo já tinha referido um projeto-piloto de restauro no Alentejo Litoral [2]. Agora fala-se no “Sudoeste Alentejano”. Não sabemos ainda se se trata do mesmo projeto, qual a área abrangida ou se a intervenção estará centrada apenas em algumas zonas do PNSACV.

Também não são ainda conhecidas as medidas previstas, os habitats e ecossistemas que serão alvo de intervenção, o calendário, o financiamento ou a forma como serão avaliados os resultados.

E no Sudoeste isto é particularmente importante.

O território não funciona por partes. O Mira e as suas ribeiras, os charcos temporários, os sistemas agrícolas, as dunas, as arribas, o estuário e o mar estão ligados entre si. As pressões que existem num ponto do território acabam muitas vezes por ter consequências muito para lá desse local.

O próprio Plano de Gestão da ZEC Costa Sudoeste, aprovado em 2026, já identifica valores naturais prioritários, objetivos de conservação, medidas e indicadores [3][4].

Para a JPS, o Sudoeste deve ser visto e restaurado como um território integrado, da albufeira de Santa Clara à bacia do Mira, ao rio, às ribeiras, aos charcos temporários, ao estuário, às pradarias marinhas e à costa.

Por isso, este projeto-piloto pode ser uma oportunidade muito importante.

Mas restaurar o PNSACV não pode passar apenas por intervenções pontuais em algumas áreas. É preciso perceber o que está a degradar o território e actuar também sobre essas causas.

Queremos, por isso, conhecer melhor o projeto: que área vai abranger, que problemas pretende resolver, que medidas serão aplicadas no terreno e como serão acompanhados os resultados. E também perceber que espaço haverá para a participação das populações, associações e restantes entidades que conhecem e trabalham neste território.

Restaurar a natureza é muito mais do que reparar algumas áreas degradadas. No Sudoeste, significa recuperar o funcionamento de um território inteiro e, sobretudo, evitar que as mesmas pressões continuem a degradá-lo.

A JPS acompanhará com atenção os próximos passos.

Referências:

[1] Jornal PT Green - Governo anuncia novos projetos-pilotos para restauro da natureza no âmbito do PNRN, 09/09/2026
https://jornalptgreen.pt/noticia/governo-anuncia-novos-projetos-pilotos-para-restauro-da-natureza-no-ambito-do-pnrn/

[2] Governo de Portugal - Portugal entrega a Bruxelas dentro do prazo Plano Nacional de Restauro da Natureza, 28/08/2026
https://portugal.gov.pt/gc25/comunicacao/comunicados/-portugal-entrega-a-bruxelas-dentro-do-prazo-plano-nacional-de-restauro-da-natureza-

[3] Portaria n.º 89-G/2026/1 - Plano de Gestão da área terrestre da ZEC Costa Sudoeste
https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/89-g-2026-1058799984

[4] Decreto-Lei n.º 30/2026, de 4 de fevereiro - ZEC Costa Sudoeste
https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/30-2026-1034985553

Na Comissão de Ambiente e Energia de hoje, Maria da Graça Carvalho referiu ainda o Plano Social para o Clima, que deverá mobilizar 1,6 mil milhões de euros até 2032, para privilegiar a eficiência energética das habitações e a mobilidade sustentável

03/09/2026

🎥 Territórios em Resistência - Juntos pelo SudoesteO Parque Natur...

18/08/2026

Para quem queira participar na consulta pública do PNRN e não saiba por onde começar, preparámos uma minuta simples baseada em algumas das principais preocupações que a JPS apresentou na sua participação.

É apenas uma base: o ideal é adaptá-la, retirar ou acrescentar pontos e, sempre que possível, falar também dos problemas que cada pessoa conhece no seu próprio território.

Minuta simples de participação pública - PNRN

Exmos. Senhores,

No âmbito da consulta pública do Projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza, considero muito importante que Portugal disponha de um plano capaz de recuperar ecossistemas degradados, travar a perda de biodiversidade e aumentar a resiliência dos territórios.

Contudo, considero que o PNRN deve ser mais concreto e garantir que as medidas previstas produzem resultados reais no terreno.

Nesse sentido, proponho que a versão final do Plano:

•⁠ ⁠identifique claramente onde será feita cada intervenção, quem é responsável, em que prazo e com que financiamento;
•⁠ ⁠estabeleça prioridades para os territórios e ecossistemas mais degradados ou vulneráveis;
•⁠ ⁠actue não apenas sobre os danos já existentes, mas também sobre as causas que continuam a provocar degradação, como a pressão sobre a água, a alteração do uso do solo, a poluição ou a destruição e fragmentação de habitats;
•⁠ ⁠garanta que o dinheiro público destinado ao restauro não substitui a responsabilidade de quem provocou danos ambientais, aplicando efetivamente o princípio do poluidor-pagador;
•⁠ ⁠assegure que os resultados das intervenções são acompanhados durante vários anos e que a informação sobre execução, financiamento e resultados é pública;
•⁠ ⁠envolva de forma permanente cidadãos, associações, proprietários, comunidade científica e entidades locais na execução e acompanhamento do Plano.

Considero igualmente importante que as políticas agrícola, hídrica, florestal e de ordenamento do território sejam coerentes com os objetivos do PNRN. Não faz sentido investir dinheiro público na recuperação da natureza enquanto outras decisões continuam a criar novas pressões ou a degradar os mesmos ecossistemas.

O restauro da natureza não deve limitar-se a projetos pontuais. Deve resultar numa recuperação ecológica duradoura, com responsabilidades claras, fiscalização e capacidade para corrigir as medidas quando os resultados não sejam alcançados.

Solicito, por isso, que estas preocupações sejam consideradas na versão final do Plano Nacional de Restauro da Natureza.

[Localidade], [Data]
[Nome]

🌿 Plano Nacional de Restauro da Natureza em consulta pública até amanhãJá tínhamos divulgado, a 24 de julho, que o Plano...
18/08/2026

🌿 Plano Nacional de Restauro da Natureza em consulta pública até amanhã

Já tínhamos divulgado, a 24 de julho, que o Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) estava em consulta pública. O Sul Informação volta agora ao tema, numa altura em que o prazo para participar termina já amanhã, 19 de agosto.

A notícia faz um ponto de situação sobre o PNRN, os objetivos de restauro definidos a nível europeu e a importância desta consulta pública, reunindo também as posições de várias entidades sobre o Plano. Entre elas está a Juntos pelo Sudoeste (JPS), sendo referida a nossa proposta para a criação de um programa capaz de dar uma resposta mais estruturada às necessidades de restauro ecológico deste território.

O PNRN vai ajudar a definir onde e como Portugal deverá atuar na recuperação dos ecossistemas degradados nos próximos anos. Ainda há tempo para participar.

👉 Participação pública:
https://participa.pt/pt/consulta/projeto-do-plano-nacional-de-restauro-da-natureza-e-respetiva-avaliacao-ambiental-estrategica

📰 Notícia -Sul Informação:
https://www.sulinformacao.pt/2026/08/plano-nacional-de-restauro-da-natureza-esta-em-consulta-publica-ate-amanha/

Água para o regadio. E água para o rio Mira?Duas notícias recentes ajudam a perceber o que está a ser preparado para o s...
30/07/2026

Água para o regadio. E água para o rio Mira?

Duas notícias recentes ajudam a perceber o que está a ser preparado para o sistema do Mira - e aquilo que continua por esclarecer.

A Estratégia “Água Que Une” prevê 129 milhões de euros para modernizar o Aproveitamento Hidroagrícola do Mira, 27 milhões para uma interligação com o Alqueva, cinco milhões para uma nova captação agrícola em Santa Clara e 500 mil euros para estudar o regime de caudais ecológicos e a adaptação dos órgãos de Santa Clara e Corte Brique.

A modernização da rede e a redução das perdas são necessárias. Desperdiçar água num território sujeito a secas e a uma enorme variabilidade das afluências é inaceitável. Mas é preciso ser exigente em duas frentes:

1) É necessário saber quanta água se perde atualmente, quantos hectómetros cúbicos serão efetivamente poupados;
2) e sobretudo, qual será o destino dessa poupança. Servirá para reequilibrar um sistema deficitário, em que anualmente se debita mais água do que aquela que se acumula na Albufeira? Ou permitirá regar mais área, instalar culturas mais exigentes e aumentar permanentemente a procura?

Uma rede pode tornar-se tecnicamente mais eficiente sem que a pressão total sobre a bacia diminua. Por isso, os ganhos de eficiência devem ser medidos e vinculados à redução das captações - não convertidos automaticamente em novos consumos.

No contexto atual, não atuar sobre a procura é uma irresponsabilidade política e uma injustiça intergeracional mascarada de liberalismo económico.

Um caudal ecológico sucessivamente adiado

A necessidade de garantir um caudal ecológico no Mira não é uma preocupação recente nem premente.

O Plano de Bacia Hidrográfica do Mira, aprovado em 2002, já previa estudos e a adaptação dos órgãos hidráulicos de Santa Clara e Corte Brique para permitir a libertação, regulação e controlo do caudal ecológico. A medida deveria estar integralmente implementada até 2020.

O Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Sado e Mira para 2016-2021 voltou a programar a implementação dos regimes de caudal ecológico nas duas barragens. Em 2019, porém, ambas as medidas apresentavam 0% de execução física e estavam classificadas como adiadas.

O PGRH 2022-2027 voltou a prever estudos sobre a adaptação dos órgãos, num total de 500 mil euros. Agora, a Estratégia “Água Que Une” volta a anunciar um estudo de 500 mil euros, com horizonte em 2030.

Ou seja, uma intervenção prevista desde 2002, novamente programada até 2020 e sucessivamente adiada reaparece, quase três décadas depois, ainda na fase de estudo.

É legítimo perguntar: O que foi feito desde 2002? O que aconteceu às medidas anteriormente orçamentadas? Em que estado estão os estudos em curso? E quando será finalmente implementado, medido e fiscalizado um verdadeiro regime de caudais ecológicos?

Sem caudais, como restaurar o Mira?

Em julho foi igualmente anunciado um investimento de cerca de 2,8 milhões de euros para uma intervenção de restauro ecológico no rio Mira, incluindo desassoreamento, renaturalização das margens e recuperação dos ecossistemas.

Estas intervenções podem ser importantes. Mas não substituem a recuperação do regime hidrológico.

Um rio não é apenas o seu leito e as suas margens. O seu funcionamento depende também dos volumes de água libertados, da variação sazonal, dos pulsos de maior caudal, do transporte de sedimentos, da ligação ao estuário e das condições necessárias às espécies aquáticas e ripícolas.

A própria proposta do Plano Nacional de Restauro da Natureza refere a necessidade de assegurar regimes de caudal compatíveis com as necessidades ecológicas e dá o rio Mira como exemplo.

Podemos desassorear um troço e recuperar uma margem. Mas, sem devolver ao rio um regime de caudais adequado, mensurável e fiscalizado, o restauro ficará incompleto e os seus resultados poderão não ser duradouros.

Corridos tantos anos, levanta-se a questão: se a ABM não tem interesse em estudar, definir e aplicar os caudais ecológicos e se o Estado é inconsequente no cumprimento da legislação que o vincula, quem nos resta afinal a defender o rio e o território que dele depende?

A barragem encheu. O problema ficou resolvido?

Santa Clara chegou a estar praticamente cheia em 2026, depois de períodos de precipitação e afluências muito favoráveis. Esta recuperação é uma excelente notícia. Mas que fique claro - Recuperou sobretudo porque choveu muito.
Uma barragem cheia num determinado ano não demonstra que o modelo de utilização se tenha tornado estruturalmente sustentável.

A abundância atual deve ser aproveitada para preparar o sistema para a próxima seca, consolidar uma reserva estratégica, reduzir as perdas e recuperar o rio.
Não deve servir para transformar uma disponibilidade conjuntural em novas necessidades permanentes, através de culturas, infraestruturas ou áreas adicionais que terão de continuar a receber água durante os próximos ciclos secos.

Captar até à cota 90

A nova captação agrícola prevista para Santa Clara permitirá, segundo a informação divulgada, retirar água até à cota 90 - muito abaixo do nível mínimo normal de exploração e da cota 116 usada como referência de segurança nos últimos anos.

Esta infraestrutura não cria água.

Pode ser útil numa emergência. Mas não pode tornar-se uma forma de normalizar a exploração das reservas profundas para manter consumos agrícolas regulares e voltarmos à situação que se verificou ano após ano - instalar bombas abaixo da tomada de água e reduzir as reservas para consumo doméstico.

As regras devem ser públicas: em que situações será ativada, quem poderá utilizar essa água, qual será a prioridade do abastecimento público, que reserva ficará para o rio e em que cota será suspenso o fornecimento agrícola.

Interligação Alqueva-Mira: os transvases não criam água

A JPS opõe-se à criação de novas interligações entre bacias como resposta estrutural ao crescimento da procura.

Os transvases não criam água. Transferem-na de uma bacia para outra, com custos energéticos, financeiros e ambientais elevados. Apesar de enraizada, a água não é uma mercadoria homogénea. É sobretudo um meio complexo que contém gases e minerais inorgânicos dissolvidos, nutrientes e fertilizantes, partículas suspensas e matéria orgânica e microorganismos. Os transvases podem facilitar a propagação de espécies exóticas invasoras e outros organismos entre sistemas hidrográficos naturalmente separados e até contribuir para o estreitamento genético de espécies ou seu desaparecimento, quando favorece a propagação de predadores exóticos, tão comuns entre os peixes.

Alqueva é a principal reserva estratégica do Sul, mas não deve transformar-se numa origem aparentemente inesgotável destinada a compensar sucessivamente os desequilíbrios de outras bacias.

A eventual sequência Alqueva-Roxo-Monte da Rocha-Santa Clara-Algarve significaria transportar água cada vez mais longe, através de sucessivas elevações e condutas, com custos crescentes e volumes progressivamente limitados.

A resposta à escassez não pode ser procurar continuamente uma nova origem para sustentar uma procura crescente.

Há outras formas de reter água

A segurança hídrica não se constrói apenas com barragens, condutas e captações mais profundas.

Também se constrói recuperando a capacidade do território para infiltrar, armazenar e libertar lentamente a água:

• recuperando solos degradados e aumentando a matéria orgânica;
• reduzindo a erosão e a compactação;
• mantendo cobertos vegetais;
• restaurando galerias ripícolas e zonas húmidas;
• regenerando montados e formações florestais autóctones;
• recuperando cabeceiras e planícies de inundação;
• promovendo sistemas agroflorestais adaptados ao território.

Esta ideia está longe de ser nova. Em 1953, Mário Gomes Guerreiro publicou A Floresta na Conservação do Solo e da Água, uma obra dedicada precisamente à relação entre vegetação, solo e ciclo hidrológico.

Recuperar a floresta não significa plantar árvores indiscriminadamente. Significa restaurar ecossistemas adaptados ao território, melhorar o solo, reduzir o escoamento superficial e reforçar a retenção de água na paisagem.

É caso para perguntar - dos milhões investidos na região ao longos anos, quanto foi investido em intervenções com os objetivos acima descritos?

O que defende a JPS

A JPS defende:
• a modernização da rede e a publicação dos volumes reais de perdas;
• a vinculação da água poupada à redução das retiradas em Santa Clara;
• a implementação imediata, medição e fiscalização dos caudais ecológico assente num estudo independente por entidades científicas idóneas;
• a prioridade às necessidades do rio, ao abastecimento público e à reserva estratégica;
• a utilização da captação à cota 90 apenas em situações excepcionais;
• a rejeição de novas interligações entre bacias;
• a recuperação dos solos, galerias ripícolas, zonas húmidas, montados e floresta autóctone;
• a adaptação da agricultura à água disponível e à capacidade ecológica do território;
• a integração da gestão do regadio com o restauro do rio, do estuário, do PNSACV e da Rede Natura 2000.

A resposta à escassez deve começar pela adaptação da procura aos limites hídricos e ecológicos do território.

O Mira não é apenas a infraestrutura que alimenta o regadio. É um rio, um estuário, um ecossistema e um bem comum.

A análise completa, com cronologia, propostas e referências, está disponível aqui: https://www.scribd.com/document/1068113497/Post-Agua-para-o-regadio-E-agua-para-o-rio-Mira

🌱 O Plano Nacional de Restauro da Natureza está em consulta públicaPortugal está a preparar o plano que deverá orientar,...
24/07/2026

🌱 O Plano Nacional de Restauro da Natureza está em consulta pública

Portugal está a preparar o plano que deverá orientar, nas próximas décadas, a recuperação dos ecossistemas degradados, a proteção da biodiversidade e o reforço da resiliência do território às alterações climáticas.

O Plano abrange:

🌊 ecossistemas marinhos e costeiros
🏞️ rios, ribeiras e planícies aluviais
🌳 florestas
🌾 sistemas agrícolas
🐝 polinizadores
🏙️ espaços urbanos
💧 água, solos e zonas húmidas
🌿 habitats e espécies ameaçados

As decisões tomadas agora poderão influenciar a forma como Portugal gere a água, a agricultura, as florestas, os rios, o mar e o ordenamento do território até 2050.

No Sudoeste, esta discussão é particularmente importante.

Falamos de um território onde coexistem o Parque Natural, a Rede Natura 2000, o rio e o estuário do Mira, os charcos temporários mediterrânicos, habitats costeiros e marinhos, agricultura intensiva, pressão sobre os recursos hídricos e comunidades que dependem diretamente dos valores naturais.

Participar é importante para exigir que o Plano:

✅ tenha metas concretas e territorializadas;
✅ identifique responsáveis, calendários e financiamento;
✅ atue sobre as causas da degradação;
✅ garanta fiscalização e transparência;
✅ recupere rios, solos, habitats e corredores ecológicos;
✅ adapte as atividades económicas à capacidade real do território;
✅ responsabilize quem causa danos;
✅ envolva as populações e associações locais;
✅ não se limite a repetir medidas que já existem, mas continuam por executar.

No Sudoeste não faltaram apenas regras. Faltou assegurar a sua aplicação.

O Plano Nacional de Restauro da Natureza deve ser uma oportunidade para mudar esse padrão e garantir resultados reais, mensuráveis e duradouros.

📄 Consulta os documentos e apresenta a tua participação no Portal Participa:
https://participa.pt/pt/consulta/projeto-do-plano-nacional-de-restauro-da-natureza-e-respetiva-avaliacao-ambiental-estrategica

A natureza não se restaura apenas com intenções. Restaura-se com decisões, recursos, fiscalização, continuidade e participação pública.

Restaurar o rio Mira exige devolver água ao rioA Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou o conc...
17/07/2026

Restaurar o rio Mira exige devolver água ao rio

A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou o concelho de Odemira no dia 14 de julho, tendo percorrido o rio Mira entre Vila Nova de Milfontes e Odemira.

A visita permitiu observar diretamente o estado do rio e as dificuldades de navegabilidade, participar numa reunião do Pacto do Mira e formalizar a colaboração técnica entre o Município de Odemira e a Agência Portuguesa do Ambiente para preparar o desassoreamento [1][2].

Foi anunciado um investimento de 2,8 milhões de euros, com a intervenção prevista até ao final de 2027. Nas comunicações oficiais falou-se não apenas na recuperação da navegabilidade, mas também na valorização ambiental e paisagística, no reforço da resiliência e no restauro ecológico do rio Mira [1][2].

É importante que se fale em restauro. Mas isso levanta uma questão incontornável:

Como se restaura um rio sem assegurar um regime de caudais ecológicos efetivo, controlado e mensurável a jusante da barragem de Santa Clara?

Desassorear pode ser necessário. Mas não basta.

A acumulação de sedimentos condiciona a navegação em diferentes troços do Mira e poderá justificar intervenções no leito. Mas retirar sedimentos não constitui, por si só, o restauro ecológico de um rio.

O próprio Plano Estratégico e Operacional de Valorização do Rio Mira previa que as intervenções relacionadas com a navegabilidade fossem antecedidas por estudos sobre a dinâmica da água e dos sedimentos, a configuração do leito, a influência das marés e outros processos naturais, a localização dos troços a intervencionar e a natureza e periodicidade das operações necessárias [3].

Antes de avançar, será necessário conhecer:
• os troços e áreas a intervencionar;
• os volumes de sedimentos a remover;
• a sua composição e eventual contaminação;
• o destino ou possível reutilização dos materiais;
• os impactos sobre habitats e espécies;
• o programa de monitorização antes, durante e depois da obra.

Uma intervenção destinada a melhorar a navegabilidade pode integrar uma estratégia de restauro. Mas, para isso, terá de ser articulada com o funcionamento global do rio e não apenas com a profundidade de um canal navegável.

Um rio precisa de um regime de caudais

O caudal ecológico não é apenas uma descarga ocasional de água nem uma quantidade mínima e constante.

É um regime variável ao longo do ano, definido para manter, tanto quanto possível, os processos naturais de que dependem os ecossistemas aquáticos e ribeirinhos: a renovação da água, a qualidade ecológica, os habitats, os ciclos de reprodução das espécies e a dinâmica dos sedimentos.

O Plano Estratégico do Mira relaciona diretamente o regime de caudais ecológicos com:
• a conservação dos ecossistemas aquáticos;
• a qualidade da água;
• a acumulação de matéria orgânica;
• a configuração e profundidade do leito;
• a capacidade de “limpeza natural” do rio;
• a mobilização dos sedimentos;
• as próprias condições de navegabilidade [3].

O caudal ecológico não resolverá, isoladamente, o assoreamento do Mira. O estuário é influenciado pelas marés, pelo transporte de sedimentos, pela erosão das margens, pelas pressões existentes na bacia e pelas profundas alterações introduzidas pela barragem.

Mas sem um regime de caudais adequado, qualquer estratégia de restauro ficará necessariamente incompleta.

Libertar, controlar e medir

A questão também não se limita a decidir quanta água deve ser reservada para o rio. É necessário dispor de condições técnicas para libertar, controlar e medir essa água com rigor.

Em 2021, numa sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Odemira, a Associação de Beneficiários do Mira reconheceu que a barragem não dispunha de órgãos específicos para libertar o caudal ecológico e que os volumes então apresentados incluíam estimativas relativas às descargas de fundo, drenos e outras saídas de água [6][7].

Na mesma sessão, uma representante da ABM afirmou que a associação não tinha controlo direto para aumentar ou reduzir esses volumes através de um dispositivo próprio. Um representante da APA referiu também que o caudal ecológico estava previsto no contrato de concessão desde 2012 e que os estudos e dispositivos necessários não tinham sido concretizados pela DGADR até àquele momento [6].

Estas declarações descrevem a situação existente em 2021. No entanto, o Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Sado e Mira 2022-2027 continuou a prever um estudo de viabilidade técnica para adaptar os órgãos da barragem de Santa Clara à libertação de caudal ecológico, com execução programada entre 2023 e 2027 [4].

O ciclo anterior, relativo a 2016-2021, já incluía uma medida denominada “Implementação do Regime de Caudal Ecológico da Barragem de Santa Clara” [5].

Perante o anúncio de uma intervenção de restauro do Mira, é por isso fundamental conhecer:

Qual é atualmente o estado dos estudos e das adaptações necessárias para libertar e medir os caudais ecológicos em Santa Clara?

E ainda:

Como será o desassoreamento articulado com a gestão dos caudais, a dinâmica dos sedimentos e as restantes medidas de recuperação do rio?

O Pacto do Mira deve dar respostas

A reunião do Pacto do Mira, realizada durante a visita da Ministra, deveria permitir apresentar publicamente o ponto de situação destas matérias.

É importante divulgar:
• o protocolo celebrado entre o Município e a APA;
• o projeto e os objetivos concretos do desassoreamento;
• o estado do estudo sobre a adaptação dos órgãos da barragem;
• os meios atualmente utilizados para medir a água libertada;
• o calendário para implementar o regime de caudais ecológicos;
• a forma como ambas as intervenções serão articuladas;
• os resultados da monitorização ambiental do Mira.

O investimento anunciado pode representar uma oportunidade importante. Mas o restauro do rio não pode ser reduzido a uma obra isolada de dragagem.

Desassorear poderá ser necessário. Restaurar exige também água, dinâmica fluvial, margens funcionais, habitats protegidos, controlo das pressões e monitorização permanente.

Restaurar o Mira não é apenas retirar o que se acumulou no seu leito ou torná-lo novamente navegável.

É devolver-lhe as condições necessárias para continuar a ser um rio vivo.



Referências

[1] Município de Odemira - visita da Ministra e anúncio do investimento para o desassoreamento do rio Mira�
https://www.instagram.com/p/DazxKc5Agyv/?img_index=1

[2] Ministério do Ambiente e Energia - visita ao Mira, reunião do Pacto do Mira e protocolo de colaboração técnica�
https://www.instagram.com/p/DayRWy9kS8J/?img_index=1�
https://www.instagram.com/p/Dayd-GpEeLw/?img_index=1

[3] Município de Odemira - Plano Estratégico e Operacional de Valorização do Rio Mira�
https://www.cm-odemira.pt/cmodemira/uploads/document/file/16673/peovrm_final.pdf

[4] Agência Portuguesa do Ambiente - Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Sado e Mira 2022-2027�
https://apambiente.pt/node/1598

[5] Agência Portuguesa do Ambiente - PGRH do Sado e Mira 2016-2021, Programa de Medidas�
https://apambiente.pt/sites/default/files/_SNIAMB_Agua/DRH/PlaneamentoOrdenamento/PGRH/2016-2021/PTRH6/PGRH_2_RH6_PoM.pdf

[6] Assembleia Municipal de Odemira - Ata da sessão extraordinária de 30 de julho de 2021�
https://www.cm-odemira.pt/cmodemira/uploads/document/file/16641/010__ata_da_sessao_extraordinaria_da_assembleia_municipal_de_30_de_julho_de_2021.pdf

[7] Associação de Beneficiários do Mira - Relatório e Contas de 2020�
https://abm.pt/output_efile.aspx?id_file=1209

38 anos de existência. Quase quatro décadas de luta.Hoje assinalam-se 38 anos do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e...
07/07/2026

38 anos de existência. Quase quatro décadas de luta.

Hoje assinalam-se 38 anos do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

É um território extraordinário: arribas, praias, dunas, charnecas, linhas de água, zonas húmidas, fundos marinhos ricos, aves migratórias, cegonhas nas falésias, lontras que pescam no mar, espécies raras, endemismos e habitats que não existem em qualquer outro lugar.

Esse é o lado que merece ser celebrado.

Mas há também o outro lado.

Desde a sua criação, o Parque tem convivido com pressões profundas sobre um território de enorme fragilidade ecológica. A partir do final dos anos 80 e início dos anos 90, projectos agro-industriais como o de Thierry Roussel/Odefruta, no Brejão, mostraram que a classificação como área protegida não bastava, por si só, para travar modelos de ocupação intensiva detrimentais para o território e contrários aos objetivos de conservação.

Esse projecto acabou por falir, mas antecipou muitos dos conflitos que continuam por resolver.

38 anos depois, o Parque continua sob pressão: expansão da plasticultura, consumo de água, artificialização da paisagem, fragmentação de habitats, destruição de vegetação natural, circulação desordenada, fiscalização insuficiente e decisões públicas que demasiadas vezes tratam uma área protegida como se fosse apenas mais um espaço disponível para ocupação económica. Um modelo de desenvolvimento incondicional, herdado do passado e amplamente incompatível com a preservação do capital natural da região.

A agricultura tem lugar central no Sudoeste, sempre o teve - mas tem de respeitar o território, os seus limites naturais e as comunidades que aqui vivem. Deve criar valor para o território e as suas gentes, numa lógica simbiótica e não parasítica.

Um Parque Natural não pode ser apenas uma linha no mapa, uma celebração anual ou uma lista de espécies bonitas.

Tem de ser protecção real.
Tem de ser ordenamento.
Tem de ser compatibilização.
Tem de ser fiscalização.
Tem de ser restauro.
Tem de ser respeito pelos valores naturais e pelas comunidades que vivem neste território.

Celebramos os 38 anos do PNSACV porque este território merece ser vivo, conhecido, protegido, cuidado e amado.

Mas celebramos também lembrando que a sua defesa nunca esteve garantida e 38 anos depois, proteger o Parque continua a ser uma tarefa inacabada.

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