08/06/2025
"𝟳 𝗮𝗹𝗱𝗲𝗶𝗮𝘀 – 𝟳 𝗰𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀" 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗹𝘃𝗮𝗱𝗼𝗿 𝗠𝗼𝗻𝘁𝗲𝗶𝗿𝗼: 𝗨𝗺𝗮 𝗵𝗼𝗺𝗲𝗻𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗮̀ 𝗮𝗹𝗺𝗮 𝗿𝘂𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗶𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼 𝗲 𝗱𝗮𝘀 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝘂𝗿𝗰̧𝗮
No dia 7 de junho, o Auditório dos Paços do Concelho de Murça foi pequeno para acolher a apresentação pública da curta-metragem “7 aldeias – 7 cantos”, da autoria de Salvador Monteiro. A obra é um tributo sentido à identidade e às raízes das gentes do concelho, retratando com emoção a vida, os sons e as memórias deste território.
Realizada ao logo de um ano é através de testemunhos de vida de sete protagonistas, oriundos de diferentes freguesias e gerações, a curta-metragem convida o espectador a embarcar numa viagem íntima pelo coração da ruralidade. Cada “canto” revela um sentimento da alma do território - desde os rostos marcados pelo tempo até os segredos guardados entre os campos agrícolas, o gado e a paisagem.
Nesta viagem pelo tempo, destacam-se figuras que simbolizam a riqueza humana e cultural de todo o território murcense: o sapateiro, com o ofício herdado de gerações e mãos que moldam o couro com a mesma precisão com que se moldam histórias; o músico, cuja arte ecoa pelas ruas e celebra a tradição viva; o emigrante, que leva consigo a saudade e a força de quem nunca esquece a sua terra natal; o pastor, guardião silencioso das serras e companheiro fiel do rebanho; o jovem agricultor, que com paixão e resiliência cultiva o azeite e o vinho que definem a alma produtiva da região, representando a renovação do saber ancestral com visão de futuro; e a juventude, que apesar dos desafios, alimenta com esperança o futuro destes lugares.
As recordações de infância, por sua vez, surgem como fios condutores de emoção e identidade, tecendo imagens de brincadeiras simples, os bailes ao som da grafonola, a ida para a escola e muitos outros fragmentos preciosos de um tempo que persiste na memória coletiva.
É nos lugares onde o tempo corre devagar, acompanhando o compasso das estações e o trabalho das mãos calejadas, que se desenha este retrato autêntico da vida rural. Nesses campos que se estendem até ao horizonte, cresce não apenas o sustento, mas também a história de um povo que aprendeu a viver em harmonia com a terra que os viu nascer.
A curta-metragem celebra a simplicidade das pessoas como verdadeira riqueza. Em cada recanto das aldeias, há memórias vivas, histórias de fé, sacrifício e esperança - heranças intangíveis que continuam a moldar o presente. Mesmo com o mundo moderno a girar lá fora, é na tranquilidade do interior que se preserva o que realmente importa: o respeito pela natureza, os laços comunitários e a emoção de uma chuva que cai após longa espera.
Mais do que um filme, “7 aldeias – 7 cantos” é uma declaração de amor à terra. Um lembrete de que o lar não é apenas o lugar onde se vive, mas onde a alma encontra paz - um refúgio eterno para quem por ali passou e para quem continua, com orgulho, a escrever a sua história.
Parabéns Salvador Monteiro