22/07/2026
Passados uns dias do Cooperativa Fest, continuam a chegar as mensagens, umas atrás das outras, parabéns, palavras de quem esteve, de quem tocou, de quem ouviu, de quem trabalhou, de quem trouxe um cabo, uma guitarra, uma caixa, um pão, uma pizza, um bolo, um doce, uma cerveja, uma ideia, um abraço, e nós lemos tudo isto com aquela espécie de orgulho que não é bem orgulho, ou que é um orgulho diferente, um orgulho feito dos outros, porque o Cooperativa nunca foi nosso, não verdadeiramente, foi de todos os que nele entraram e deixaram qualquer coisa de si.
Foi assim que imaginámos um festival à maneira de uma Cooperativa, embora talvez só agora percebamos verdadeiramente o que isso quer dizer: houve quem oferecesse pão, quem oferecesse pizzas, quem aparecesse com bolos e doces, quem abrisse as portas daquele espaço mítico onde tudo aconteceu, quem trouxesse bebidas, quem emprestasse as mãos, as costas, as horas, os dias, quem viesse sem saber se haveria dinheiro no fim, ou quanto haveria, ou se haveria sequer, quem subisse a um palco e oferecesse o que tinha de mais seu, a música, sem pedir outra coisa que não fosse a possibilidade de a fazer ouvir.
E talvez tenha sido isso o Cooperativa, uma coisa feita de amor e de comunhão, de ideias que se cruzavam no ar como os cabos pelo chão, de abraços demorados, de sorrisos cansados, de conversas que começavam não se sabe onde e acabavam muito depois da música, e música, tanta música, música diferente, música boa, música que parecia dizer que afinal cabem muitas coisas dentro do mesmo lugar, desde que haja espaço para as pessoas.
Durante três dias, dois de Festival e um de preparação, fomos todos dando o que podíamos, o melhor que podíamos, como quem constrói uma casa sem saber exatamente onde termina a parede e começa o vizinho, para que a música alternativa e independente tivesse finalmente um palco no Montijo, para que os artistas pudessem estar ali, diante de alguém, para que os projetos novos e os menos novos deixassem de ser apenas nomes, ficheiros, conversas, promessas de um dia destes, e passassem a ser presença, corpo, som.
Nove bandas e artistas a solo, dois DJ sets, técnicos, (continua nos comentários)