08/05/2026
Está tudo a postos para a 16ª edição da feira do morango de São Pedro Velho, agendada para o fim-de-semana, naquela aldeia do concelho de Mirandela, já rotulada como a capital daquele fruto por produzir, provavelmente, os morangos mais doces do país.
Três agricultores da freguesia produzem anualmente cerca de 80 toneladas de morangos, e estima-se que durante os próximos dois dias sejam vendidas “cerca de sete toneladas”, adianta a presidente da junta de freguesia, que organiza o certame.
E nem a chuva, que está prevista, vai ser um problema. Fernanda Guerra revela que, pelo segundo ano consecutivo, “estamos precavidos, porque efetivamente o tempo não se adivinha grande coisa, contudo, já criamos condições na própria feira para as pessoas estarem em segurança, contudo, continuamos a rezar ao São Pedro, porque é o nosso padroeiro, e esperar que nos surpreenda no dia 9 e 10 e que tenhamos bom tempo de forma a poder correr bem”, acrescenta.
A autarca acredita que a aldeia com cerca de 160 habitantes vai receber milhares de visitantes de vários cantos do país, em que cada casa recebe dezenas de familiares, que “já reservam este fim-de-semana, para vir à terra, em detrimento da festa anual”, conta.
A fama que os morangos de São Pedro Velho já têm no mercado “deve-se, em muito, à visibilidade que esta feira veio trazer”, acrescenta.
Importância que é também sublinhada por Manuel Pinto. “Foi ela que nos promoveu mais o nosso produto, há uns anos, e faz falta, porque é no dia da feira que vêm os amigos visitar-nos e que se promove o produto cada vez mais”, refere aquele produtor.
Também Manuel Acácio valoriza o certame. “A feira tem sempre muita visibilidade na comunicação social e isso dá mais conhecimento do o que traz muito benefício e dá grande visibilidade ao nosso produto de qualidade”, adianta outro produtor.
No certame, vão estar cerca de 40 expositores, com outros produtos endógenos da região, com destaque para o vinho. A manhã de sábado, será dedicada ao Passeio TT e durante a tarde a atuação do grupo “Encharca o fole”. Há noite, estão previstos espetáculos musicais. No domingo, há um percurso pedestre com a particularidade de os caminheiros poderem parar numa exploração para apanhar o morango e levar para casa. À tarde a animação de rua está a cargo das Castanholas de Contins.
FALTA DE MÃO DE OBRA PREOCUPA
Manuel Acácio, um dos três produtores da terra, que se dedica à produção de morangos, há 35 anos, revela o segredo para se obter um aroma especial e único dos morangos de São Pedro Velho. “É uma uma terra arenosa que tem muitos potássios, cria alguma fibra e acaba por lhe criar mais doçura, sem esquecer o microclima que temos com sol e alguma humidade”, explica.
E este ano, até há mais morangos, no entanto, Manuel Pinto, outro produtor, admite que o frio e a chuva que tem caído com abundância tem sido prejudicial para o sabor do fruto. “Têm um pouco menos de doçura, mas pouco. No entanto, continua a ter um sabor excelente, o fruto tem boa qualidade de formação”, garante.
Ambos garantem que não têm mãos a medir, tanta é a procura. “Estou a fornecer para Braga já, aqui no distrito de Bragança forneço em todo o lado, em Chaves, Vila Real, Famalicão, e tive contactos do Porto e de Lisboa, mas é impossível, porque temos falta de mão de obra”, lamenta Manuel Pinto.
“Os morangos têm de ser apanhados com muita sensibilidade porque senão acabam por esmagá-los e chegam ao mercado, as pessoas vão reclamar e não se vende”, adianta Manuel Acácio.
Ainda assim, só estes dois agricultores têm a trabalhar nos seus morangais mais de 20 pessoas da freguesia. Maria Antónia é uma delas. Há 13 anos que anda na apanha. “Isto é duro, principalmente para as minhas costas”, diz. Já Susana andou 14 anos na apanha do morango na Suiça e agora está por São Pedro Velho. “Quem não esteja habituado custa, mas para mim já não custa tanto”, afirma. “Os novos não querem trabalhar na agricultura e há cada vez menos gente, pelo que quem está por aqui tem de se agarrar ao que há”, refere.
Nos dois dias que antecedem a feira, os três produtores da freguesia fazem uma interrupção na apanha para acautelar uma quantidade exclusiva para o certame que deve chegar às sete toneladas.
Artigo escrito por Fernando Pires (jornalista)
Foto: Beatriz Mendes (estagiária (EsACT/IPB)