16/06/2026
🗣️ "Esta sobreposição de obras não é dinamismo, é o reconhecimento tardio e desesperado de anos de inércia, lançado sobre os ombros dos cidadãos"
Artigo de opinião do sócio Fundador e actual Presidente da Direção Jorge Machado na crónica "Matosinhos em Falta":
encontra-se numa encruzilhada histórica. Dez anos são o tempo de uma geração, tempo suficiente para projetar, estruturar e consolidar o futuro de um concelho. Sob a liderança da Dra. Luísa Salgueiro, faltou a grande visão estrutural, faltou planeamento de fundo e faltou a coragem de enfrentar os problemas com a seriedade que mereciam. O culminar desta ausência de rumo manifesta-se hoje no flagelo urbano que sofremos: a concentração desordenada de empreitadas simultâneas que asfixia as nossas artérias e rouba aos matosinhenses tempo e paz de espírito, ambos vão sem voltar, pelo menos iguais.
Esta sobreposição de obras não é dinamismo, é o reconhecimento tardio e desesperado de anos de inércia, lançado sobre os ombros dos cidadãos num calendário cautelosamente escolhido para uma transição suave do trono camarário, onde, curiosamente, o sucessor já tem nome e rosto.
Os mandatos de Luísa Salgueiro em Matosinhos revelam uma governação que confunde o volume de despesa pública com visão estratégica para o concelho, caracterizando-se por uma gestão de cosmética urbana e manutenção do edificado existente que falha em apresentar marcas ou infraestruturas próprias.
Embora o executivo se gabe de investimentos avultados na reabilitação de escolas e bairros municipais, estes fortemente alavancados pela descentralização de competências e pelos fundos do PRR, a ausência de um planeamento de mobilidade a longo prazo culminou no atual sufoco das vias públicas.
Um dado curioso é que o vereador para a mobilidade é Carlos Mouta que nos últimos meses tem andado a dar a cara e aparecer (por vezes de forma caricata) insistentemente em todo o lado como o tal rosto da sucessão do actual executivo, no entanto não aparece para dar a cara pela falta de soluções nas áreas que são da sua responsabilidade tornando-o no principal responsável pelo estado da mobilidade em Matosinhos.
A gravidade da situação atinge o seu expoente máximo no isolamento do Norte do concelho com o encerramento da nossa ponte móvel por três longos meses onde deixa de ser um mero transtorno logístico. É um atentado à coesão do nosso território, uma barreira física e económica que impõe um calvário diário a milhares de trabalhadores e famílias. Governar é, acima de tudo, prever e proteger. Isolar as freguesias a Norte do Porto de Leixões desta forma é a prova inequívoca da desconexão entre quem decide e a realidade daqueles que diariamente tentam fazer a sua vida pelo concelho.
Esperemos que pelo menos se aproveitem estes meses de desespero para que a CMM e a APDL se sentem à mesa a negociar os horários de não abertura da ponte para que a transição pós obras não seja mais aberturas em horários de ponta.
A promessa eleitoral do actual executivo de uma 'terceira travessia' entre Matosinhos e Leça da Palmeira é o exemplo claro da política de ilusão, um projeto fantasma que nunca existiu sendo a sua única utilidade enganar mais uns quantos milhares de tolos em plena altura eleitoral.
A alternativa a este modelo de sobressalto constante não assenta em promessas fáceis, mas sim no compromisso com a competência, com a transparência e com uma visão de longo prazo que devolva o orgulho ao nosso concelho. É tempo de erguer os olhos para o futuro e reconstruir o rumo da nossa terra.