19/08/2026
Um pouco da nossa história...
Há 100 anos, na década de 1920, a vida na Malhada era guiada por um isolamento quase absoluto e por uma pobreza atroz, onde a sobrevivência dependia inteiramente de ciclos agrícolas medievais e da resiliência humana.
Sem qualquer acesso a estradas, carros ou tecnologia, o quotidiano assemelhava-se mais ao século XIX do que ao século XX.
O Isolamento Extremo, a Falta de Serviços, é a Inexistência de estradas: Não havia qualquer ligação rodoviária. Os poucos contactos com o exterior (como ir à vila de Góis) exigiam longas caminhadas a pé ou a cavalo de burros por perigosos trilhos e carreiros de montanha.
Sem saúde ou comunicação: A aldeia não tinha telefone, eletricidade, água canalizada ou assistência médica.
O nascimento de crianças e o tratamento de doenças eram assegurados pela sabedoria das mulheres e parteiras locais.
Iluminação a azeite e fogueira: As noites nas casas de xisto eram escuras, iluminadas apenas por candeias a azeite, resina de pinheiro ou pela luz das lareiras de pedra. A Luta Diária pela Alimentação, Agricultura de pura sobrevivência: O terreno inclinado obrigava ao cultivo em socalcos. Cultivava-se o milho e o centeio para a broa, que era a base da alimentação. Muitas vezes, a refeição diária limitava-se a sopa de couve com feijão (o caldo) e um pedaço de broa acompanhado de figos secos ou castanhas.
Pastores desde a infância: As crianças não tinham direito à infância. Por volta dos 6 anos de idade, muitos rapazes eram enviados para servir como pastores de cabras e ovelhas em casas mais abastadas da região para não serem mais uma boca a alimentar na família.
A importância da água: Sem torneiras, as mulheres carregavam pesados cântaros de água na cabeça desde as ribeiras e fontes até às casas. O rio Ceira e os ribeiros eram também onde se lavava a roupa à mão, fizesse sol ou um frio gelado de inverno.
O Início do "Trabalho de Esquina" em Lisboa e Fuga à fome: Como a agricultura na serra era fraca e mal dava para sustentar as famílias numerosas, os homens começaram a procurar alternativas longe da terra natal.
Os "Moços de Fretes": Foi nesta época (anos 1920) que se intensificou a ida de homens da freguesia do Colmeal para Lisboa. Sem instrução, trabalhavam na capital como "Moços de Fretes" (carregadores de esquina) ou nos mercados abastecedores. Estes homens dormiam muitas vezes em condições precárias na cidade para conseguirem enviar algumas moedas às famílias que tinham ficado isoladas na Malhada. (continua...)