24/05/2026
O BARRACÃO E O LEGADO DO PADRE MÁRIO
Tenho sido recebido em dezenas de cidades e localidades do País com gestos e palavras que nunca esquecerei. Mas há sítios mais simbólicos do que outros. O Barracão de Cultura, idealizado pelo saudoso Padre Mário de Oliveira, de Macieira da Lixa, é um desses sítios. O seu percurso sacerdotal e cívico, que foi agredido pela ditadura e também vilipendiado por certas hierarquias em democracia, está muito bem guardado (e ativo) em Felgueiras. Poder confirmar isso com os meus olhos e conhecer as "formigas" da direção que mantêm tudo isto vivo foi um prazer enorme.
No Barracão decorreu uma das sessões mais longas e discutidas do livro, brilhantemente conduzida pelo Filipe Azevedo, que contou com público de diversificados ofícios e afinidades políticas, incluindo militares que conspiraram contra a ditadura e também eleitores do Chega (no caso representado por quem já foi militante do P*P durante décadas e candidato da CDU na região).
Além das perguntas, houve tempo para escutar histórias comoventes e preocupadas sobre a imigração ou o tenso ambiente escolar por quem vive as experiências por dentro. Aliás, estas mais de sessenta sessões pelo País e pelo estrangeiro têm-me ajudado a aprofundar estas realidades e os dilemas que enfrentamos, embora haja também sinais positivos. A noite no Barracão de Cultura foi disso um grande exemplo.
Obrigado ao Joaquim Freitas e à direção pelo convite (ao Joaquim agradeço ainda as histórias partilhadas em viagem, fruto do seu saber e conhecimento das realidades rurais do País).
Se puderem, passem por Felgueiras e conheçam o Barracão. É muito bonito o que se faz por lá e o padre Mário, acreditem, continua bem vivo. Obrigado.
(fotos do Paulo Barbosa)
Miguel Carvalho