27/05/2026
Meu Pintas 🤍
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Não sei qual foi o propósito de teres chegado até mim e de todos os que te tentaram salvar. Fizemos tudo. Tudo o que estava ao nosso alcance, mas não ficaste fisicamente connosco. Eu tentei, tu sabes. Não desisti de ti. Foi uma semana tanto intensa quanto incrível. Fui capaz de fazer coisas que em tempo algum me passaram pela cabeça fazer. Acompanhei procedimentos e aprendi muito contigo.
Espero que vás em paz, talvez fosse disso que precisavas. Não conheço o teu passado, mas posso imaginá-lo. Creio que fomos capazes de te mostrar que os cavalos podem ser amados, cuidados com humanidade. Tinhas que vir parar às minhas mãos e eu precisava de ti, talvez como tu precisaste de mim. Um dia, talvez consiga entender o propósito, o porquê de isto ter acontecido. Senti nos nossos abraços um amor que não consigo explicar. Senti, assim que te toquei que tinhas sido feito para mim. Um sonho (camuflado) de criança, de menina frágil que viveu na esperança alimentada de mentiras, que fosse concretizado. E fui eu quem o conseguiu, em mulher.
Quando partiste, nos meus braços, acho que dei voz à tua dor. As minhas lágrimas talvez fossem tuas, as que não conseguiste exteriorizar.
Os meninos estão devastados. A menina “sente tristeza porque o sonho dela era ter um cavalo”- aqui, é ela quem me dá voz. Eu não lhe menti, e consegui, ainda que por pouco tempo.
O sonho não acaba aqui, talvez este tenha sido o início.
A ti, Pintas, a maior paz do mundo. Eu sei que não falhámos e estarás sempre connosco!