07/10/2026
Dia 1 do European Organic Congress, em Cork - Irlanda.
A política da UE atira-nos para o Inferno, chamando a atenção para a maravilha do aquecimento gratuito.
O novo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período pós-2027 levanta sérias preocupações quanto ao futuro da Política Agrícola Comum (PAC). Num momento em que os agricultores enfrentam custos de produção elevados, alterações climáticas e exigências crescentes, a proposta de redução do orçamento agrícola representa um sinal profundamente contraditório. Exige-se mais à agricultura, mas arrisca-se disponibilizar menos recursos para responder aos desafios do setor.
A integração de parte da PAC num quadro financeiro mais abrangente, juntamente com a política de coesão e outras prioridades nacionais, pode retirar visibilidade e prioridade à agricultura. O risco é claro: os fundos destinados ao setor passam a competir com outras necessidades, ficando mais dependentes das opções políticas de cada Estado-Membro.
A renacionalização de parte da PAC ameaça também um dos princípios fundamentais da União Europeia: a existência de condições de concorrência equilibradas. Se os apoios dependerem cada vez mais da capacidade financeira de cada país, os agricultores dos Estados com maiores recursos poderão beneficiar de vantagens que os seus congéneres de países com menores disponibilidades orçamentais não terão. Não podemos exigir regras comuns aos agricultores e, simultaneamente, permitir condições de apoio cada vez mais desiguais.
A redução das verbas poderá ainda comprometer o investimento na modernização das explorações, na instalação de jovens agricultores, na inovação, na gestão da água e na adaptação às alterações climáticas. Menos financiamento significa mais dificuldades em investir, renovar gerações e garantir a competitividade da agricultura europeia.
É particularmente estranho que a renacionalização seja apresentada como uma vantagem capaz de compensar a redução do orçamento agrícola. Dar aos Estados-Membros maior liberdade para gerir menos dinheiro não significa dar mais apoio aos agricultores. A flexibilidade não substitui o financiamento, nem garante que a agricultura terá prioridade nas decisões nacionais.
Precisamos de uma PAC com um orçamento adequado, autónomo e previsível, que assegure condições de concorrência justas e apoie o investimento e a sustentabilidade. A agricultura não pode ficar dependente das disponibilidades financeiras e das prioridades políticas de cada país.
Defender a PAC é defender os agricultores, a segurança alimentar, os territórios rurais e a soberania alimentar europeia. Menos orçamento e mais desigualdade não são o caminho para uma agricultura europeia mais forte.