18/09/2026
O INEM continuará a acumular problemas enquanto não existir uma verdadeira compreensão daquilo que é, na sua complexidade, um Serviço Médico de Emergência (SME).
A ANTEM tem vindo a alertar para uma realidade que não pode continuar a ser ignorada: os problemas do INEM não resultam de uma única decisão, de uma única estrutura ou de uma única pessoa.
Resultam da conjugação de múltiplas variáveis - governação, planeamento, organização dos recursos, formação, competências operacionais, gestão operacional, capacidade de resposta, avaliação de desempenho e conhecimento especializado sobre a arquitetura de um SME moderno.
Há quem não queira ouvir, há quem não saiba o que anda a fazer e há também quem não tenha conhecimento técnico suficiente para compreender a realidade pré-hospitalar e as consequências das decisões que são tomadas. É uma questão de competência, governação e responsabilidade perante um sistema crítico, onde decisões inadequadas têm consequências reais na capacidade de resposta e na segurança dos pacientes. Um Serviço Médico de Emergência não pode ser gerido por perceções, improvisação ou decisões administrativas isoladas.
Tem de ser gerido com ciência, evidência, dados, indicadores de desempenho (KPIs), planeamento operacional, avaliação de resultados e conhecimento profundo da realidade pré-hospitalar. Enquanto as diferentes componentes do sistema continuarem a ser "analisadas" de forma fragmentada, continuar-se-á a atuar sobre os sintomas sem resolver as causas.
Portugal precisa de discutir seriamente o futuro do seu Serviço Médico de Emergência. Precisa de uma arquitetura coerente, operacionais devidamente preparados, educação e treino adequados, competências claramente definidas, recursos dimensionados às necessidades da população e uma governação baseada em conhecimento técnico, evidência e resultados.
A ANTEM defende que esta discussão não pode ser exclusivamente administrativa ou política. Tem de ser técnica, científ**a e baseada em evidência, envolvendo quem conhece verdadeiramente a Medicina Pré-Hospitalar e os modelos de EMS internacionalmente reconhecidos.
O país não precisa apenas de reorganizar estruturas. Precisa de garantir que quem desenha, governa e gere o Serviço Médico de Emergência compreende verdadeiramente o sistema que está a gerir.
Sem conhecimento não há competência. Sem competência não há sistema. E sem um sistema robusto, não há cuidados médicos de emergência de qualidade.