20/05/2026
II Encontros de Pré-História do Alentejo | "Ribeira do Outeiro 1: Um Núcleo de Cistas da Idade do Bronze no Baixo Alentejo", por André Donas-Botto (Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património, Archaeotools), Cláudia Santos e Jaqueline Pereira (Acrópole Peregrina).
O sítio arqueológico de Ribeira do Outeiro 1, na Herdade do Olival na União das freguesias de Santa Vitória e Mombeja entre Penedo Gordo e Santa Vitória, foi identificado inicialmente através da dispersão de materiais romanos à superfície, revelou uma realidade arqueológica multifásica de elevada relevância científica na sequência de trabalhos agrícolas associados à instalação de amendoal intensivo. As mobilizações mecânicas permitiram reconhecer estruturas negativas de cronologia islâmica medieval, provavelmente enquadráveis no período almóada, bem como um importante núcleo funerário da Idade do Bronze.
A intervenção arqueológica identificou três núcleos distintos de cistas, totalizando sete monumentos funerários integráveis nas tradições sepulcrais do Bronze do Sudoeste peninsular. As estruturas apresentavam arquitecturas cuidadosamente construídas com lajes verticais de xisto e tampas pétreas de maiores dimensões, registando-se em alguns exemplares marcas de escopro relacionadas com o afeiçoamento intencional dos elementos construtivos.
O espólio associado inclui três punções metálicos, um punhal de rebites e um conjunto cerâmico composto por recipientes manuais de superfícies alisadas a brunidas, destacando-se um vaso globular de colo estrangulado e taças carenadas baixas.
O conjunto reforça a importância do Baixo Alentejo no contexto das comunidades proto-históricas do Sul peninsular e evidencia uma longa continuidade de ocupação desta plataforma sobranceira à Ribeira do Outeiro.