12/09/2026
🚨 EMERGÊNCIA PRÉ-HOSPITALAR — UMA PREOCUPAÇÃO QUE NÃO PODEMOS IGNORAR
A Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lamego e o Comando do Corpo de Bombeiros, informa a população do seguinte:
Desde o início deste mês, a Unidade Local de Saúde de Trás os Montes e Alto Douro - Lamego tem enfrentado constrangimentos relacionados com algumas especialidades médicas no seu Serviço de Urgência, nomeadamente Medicina Interna e Cirurgia Geral. Compreendemos que estas situações são complexas e que existem desafios que ultrapassam a capacidade de decisão de uma única instituição. Não pretendemos, por isso, apontar responsabilidades ou dirigir críticas a quem diariamente procura garantir o funcionamento dos serviços de saúde.
Contudo, enquanto Corpo de Bombeiros com responsabilidade diária na Emergência Pré-Hospitalar, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação perante uma realidade que, há quase duas semanas, está a ter um impacto muito signif**ativo na nossa capacidade operacional. Esta é uma preocupação que tem sido acompanhada pelo Comando e pela Direção da Associação Humanitária, conscientes de que a sustentabilidade da nossa resposta operacional depende não apenas dos meios que temos ao nosso dispor, mas também das condições em que esses meios são diariamente empenhados.
Ao longo dos últimos anos, o nosso Corpo de Bombeiros tem realizado um esforço permanente para organizar e reforçar a resposta à Emergência Pré-Hospitalar, através da aquisição e manutenção de meios, da formação dos nossos operacionais e da organização das equipas, procurando garantir uma resposta rápida e ef**az às necessidades da população. Diariamente, asseguramos, em média, cerca de 15 serviços de Emergência Pré-Hospitalar e, até há cerca de duas semanas, esta estrutura permitia-nos responder de forma muito positiva às solicitações recebidas.
A atual situação veio, contudo, alterar signif**ativamente esta dinâmica. O encaminhamento de doentes para unidades hospitalares mais distantes, determinado no âmbito da coordenação da Emergência Médica pelo INEM/CODU, traduz-se inevitavelmente em tempos de empenhamento muito superiores para cada ambulância e respetiva tripulação. Uma ocorrência que anteriormente poderia representar um período relativamente curto de indisponibilidade de um meio de socorro pode agora signif**ar várias horas fora da nossa área de atuação. E quando uma ambulância permanece retida durante longos períodos numa unidade hospitalar, não estamos apenas a falar de uma ambulância parada: estamos a falar de operacionais empenhados durante mais tempo, menor disponibilidade de meios de socorro, necessidade de mobilizar equipas que estavam destinadas a outras funções, maior dificuldade em garantir a prontidão dos meios e, acima de tudo, uma redução da nossa margem de segurança para responder a novas situações de emergência.
A isto acresce o facto de as unidades hospitalares de referência também enfrentarem uma elevada pressão, verif**ando-se situações de retenção prolongada das ambulâncias, por vezes durante duas ou três horas ou mais, antes de ser possível concluir a entrega do doente e libertar o meio. O resultado é uma cadeia de constrangimentos que começa no Serviço de Urgência, prolonga-se pelo sistema de Emergência Pré-Hospitalar e acaba inevitavelmente por ter impacto na capacidade de resposta dos Corpos de Bombeiros.
⚠️ É esta realidade que preocupa o Comando e a Direção da Associação Humanitária. Não porque não queiramos transportar os nossos doentes para onde existe capacidade de resposta — essa será sempre a nossa prioridade. Não porque não compreendamos a complexidade do momento que o sistema de saúde atravessa. Mas porque a capacidade operacional de qualquer Corpo de Bombeiros é limitada. Temos pessoas, ambulâncias e recursos preparados para responder às necessidades da população, mas não conseguimos aumentar indefinidamente essa capacidade sempre que os tempos de permanência fora da nossa área de atuação se multiplicam.
Neste momento, estamos a conseguir manter a resposta. O Comando, em conjunto com a Direção da Associação, tem procurado acompanhar esta situação e gerir os recursos disponíveis da melhor forma possível, garantindo que os meios permanecem operacionais e que as equipas conseguem continuar a assegurar as solicitações que diariamente chegam ao Corpo de Bombeiros. Mas estamos a fazê-lo com uma pressão operacional crescente e com uma margem cada vez mais reduzida.
E é precisamente por isso que entendemos ser importante tornar pública esta preocupação. Não procuramos culpados. Procuramos soluções.
É fundamental que todas as entidades envolvidas — Saúde, Emergência Médica e agentes de proteção e socorro — encontrem, em articulação, mecanismos que permitam minimizar o impacto destes constrangimentos na resposta à população.
Porque quando uma ambulância f**a retida durante horas num hospital, deixa de estar disponível para a próxima emergência. E a próxima emergência não espera.
🚒 O nosso compromisso mantém-se inalterado: estar onde somos necessários e responder a quem precisa de nós. O Comando e a Direção da Associação Humanitária continuarão a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que o Corpo de Bombeiros de Lamego mantém a capacidade de resposta que a população espera e merece.
Mas, para continuarmos a garantir essa resposta com a qualidade, rapidez e segurança que a população merece, é necessário que todo o sistema consiga funcionar de forma articulada e sustentável.
A nossa preocupação não é apenas com o presente. É com a capacidade de resposta à próxima ocorrência.
Porque, no final, estamos todos do mesmo lado:
o lado de quem precisa de ajuda.