Al-Gharb - Desenvolvimento Humano

Al-Gharb - Desenvolvimento Humano Grupo de Estudo e de Formação em diversas esferas da dimensão humana e do Saber, sob os auspícios da

Grupo de Estudo, Reflexão, Desenvolvimento e Formação nas diversas esferas da dimensão humana e do Saber. Realização de Tertúlias, Oficinas-de-Trabalho, Exposições, Visitas, Cursos e Seminários em diversos domínios do Conhecimento, como veículo para o desenvolvimento humano, a capacitação pessoal, filosóf**a e ética, profissional e técnica, globalmente, pela edif**ação de uma sociedade mais conhecedora, consciente, justa, fraterna e harmónica. Cooperação com Entidades regionais, cujo Objectivos e Princípios sejam imbuídos deste mesmo espírito.

01/09/2026

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Defender a Língua Portuguesa não é defender uma relíquia, um objecto, é defender uma forma de pensar. E, o pensar influencia o ser.

Uma Língua não é apenas um conjunto de palavras que utilizamos para comunicar. É sim, memória, identidade, cultura e, sobretudo, uma arquitectura do pensamento. Quanto mais rica, precisa e diferenciada for a linguagem que dominamos, maior é a nossa capacidade de distinguir ideias, sentimentos, intenções e realidades, não é?!

Por isso, preocupa-me a progressiva simplif**ação do Português. Não porque uma língua deva permanecer imóvel — pois nenhuma Língua viva o permanece — mas porque evoluir não é necessariamente empobrecer. Não pode sê-lo!

Há palavras que parecem sinónimas e não o são. Há diferenças aparentemente pequenas que transportam séculos de elaboração cultural e permitem dizer exactamente aquilo que queremos dizer.

Veja-se, por exemplo, a diferença entre “reparação” e “reparo”.

Quando uma máquina avaria, fazemos a sua reparação.

Quando causamos um dano a alguém, podemos procurar a reparação desse dano.

Mas quando observamos alguma coisa e chamamos a atenção para ela, fazemos um reparo.

E podemos ainda dizer:

— Não tive reparo nisso.

Ou:

— Permita-me fazer-lhe um reparo.

Aqui, “reparo” não signif**a conserto. Signif**a observação, advertência, chamada de atenção ou acto de reparar no sentido de observar.

A diferença é subtil. Mas é precisamente nessa subtileza que habita a riqueza de uma Língua.

Se começarmos a substituir indiscriminadamente “reparo” por “reparação” ou a abandonar uma das palavras porque outra “serve aproximadamente para a mesma coisa”, não estamos a modernizar a Língua. Estamos sim a perder capacidade de expressão, a perder signif**ação da linguagem.

O mesmo acontece quando desaparecem distinções entre ouvir e escutar, ver e observar, lembrar e recordar, erro e engano, dever e obrigação, liberdade e licença, autoridade e poder.

As palavras não são recipientes vazios. Pois cada uma delimita uma parcela da realidade e, quando perdemos palavras, corremos o risco de perder também a capacidade de reconhecer as diferenças que essas palavras exprimiam.

A Língua Portuguesa possui uma extraordinária riqueza porque nela convergem séculos de História: a matriz latina, os vestígios das línguas anteriores à romanização, influências germânicas e árabes, a tradição cristã medieval e, posteriormente, o encontro com África, Ásia, América e Oceânia.

É uma língua que atravessou mares e que, ao fazê-lo, não permaneceu igual em todos os lugares. Tornou-se portuguesa, brasileira, angolana, moçambicana, cabo-verdiana, são-tomense, guineense, timorense, goense — múltipla na expressão, mas pertencente a uma mesma grande comunidade linguística — que tanto é algarvia quanto conimbricense, bragantina como é açoreana, alentejana ou vimaranense.

Essa diversidade deve ser respeitada. E, respeitá-la é respeitarmo-nos.

Mas respeitar a diversidade da Língua Portuguesa não signif**a apagar as particularidades do Português de Portugal.

Não precisamos de uniformizar aquilo que a História tornou plural, não é?!

Portugal não tem de deixar de dizer autocarro porque no Brasil se diz ônibus; nem comboio porque noutros lugares se prefere trem; nem telemóvel porque se generalizou internacionalmente outra terminologia. Do mesmo modo, seria absurdo exigir aos brasileiros, angolanos ou moçambicanos que abandonassem as formas que legitimamente desenvolveram nas suas próprias comunidades.

A unidade não exige uniformidade. Exige sim, compreensão, aceitação e empatia.

Há ainda outra dimensão que me parece fundamental: quem domina poucas palavras f**a dependente de pensamentos mais simples.

Não porque seja menos inteligente, mas porque lhe faltam instrumentos para organizar e exprimir a complexidade.

Uma pessoa pode sentir algo profundamente diferente de tristeza, mas, se apenas conhecer a palavra “triste”, terá dificuldade em distinguir melancolia, desalento, pesar, mágoa, nostalgia, consternação, desânimo, saudades ou saudade.

E nenhuma dessas palavras signif**a exactamente a mesma coisa, pois são a expressão da miríade de vocábulos e signif**ações específ**as desta Língua.

A palavra saudade, aliás, demonstra magnif**amente aquilo que está em causa. Não é apenas uma palavra bonita. É uma determinada maneira de reconhecer e nomear uma experiência humana.

Defender a Língua Portuguesa é, portanto, defender também esta capacidade de distinguir.

É ensinar às novas gerações que escrever correctamente não é submissão a uma autoridade gramatical: é adquirir liberdade.

Porque quem conhece vinte palavras onde outro conhece duas possui vinte possibilidades de pensamento, de expressão e de escolha.

A linguagem pobre favorece o pensamento aproximado; já a linguagem rica permite o pensamento rigoroso.

Por isso devemos desconfiar da ideia de que todas as simplif**ações representam progresso. Algumas facilitam a comunicação; outras apenas eliminam diferenças que já não tivemos paciência para aprender.

Uma Língua pode transformar-se sem renunciar à sua memória. Pode receber palavras novas sem expulsar desnecessariamente as antigas.

Pode acompanhar a tecnologia sem abandonar a literatura. Pode falar de inteligência artificial sem esquecer Camões, Padre António Vieira, Eça, Camilo, Pessoa, Sophia ou Agostinho da Silva.

E pode ser uma Língua do futuro precisamente porque possui um passado.

Defender o Português não é fechar-lhe as portas. É exactamente o contrário.

É querer que continue suficientemente vivo para criar palavras novas, suficientemente livre para admitir diferenças e suficientemente rico para não precisar de destruir uma única palavra sempre que aparece outra aproximadamente equivalente.

Porque entre reparo e reparação existe apenas uma pequena diferença de letras mas pode existir uma enorme diferença de signif**ado.

E é dessas pequenas diferenças que se constrói a precisão do pensamento.

Uma Língua não se empobrece apenas quando perde palavras. Empobrece quando deixamos de perceber por que razão elas eram, são, diferentes.

Preservar a Língua Portuguesa é, por isso, mais do que preservar palavras. É preservar a memória. É preservar a identidade. É preservar o pensamento.

E um povo que deixa de cuidar da sua Língua começa, lentamente, a deixar que outros pensem por ele.

Boas reflexões, para Todos.

Victor Varela Martins
Especialista em Medicina Natural Integrativa

27/08/2026
19/05/2026

Hoje, em Lagos
19 de Maio / 21:00
Biblioteca Municipal de Lagos
Apresentação do novo livro sobre a temática do Caminho de Santiago
Participe!!!
A Peregrinação e as Rotas de Peregrinação, particularmente para Santiago, sempre foram de grande importância para a Ordem do Templo, nos dias de hoje e no passado medieval.

11/05/2026

Lançamento Confirmado no Algarve.

No próximo dia 19 de maio (terça-feira), às 21h, a Biblioteca Municipal de Lagos recebe a apresentação do livro Compostela – O Oráculo Perdido, de Marcelo Ramalho.

Uma noite dedicada à literatura, ao mistério e à força das palavras que nos conduzem por caminhos de descoberta e espiritualidade.

📖 Venha conhecer esta obra que tem encantado leitores em Portugal e no Brasil. Esperamos você!

Veja alguns comentários sobre o livro:

- “Compostela – O Oráculo Perdido entrega uma narrativa intensa, cheia de simbolismos e reflexões que acompanham o leitor muito depois do fim. Uma excelente escolha para quem procura uma leitura marcante e diferente do habitual.”

- “Um livro que conquista.”

- “Uma jornada espiritual que mistura mistério, revelação e a força simbólica do Caminho de Santiago.”

- “Um romance iniciático que conduz o leitor por uma travessia interior tão intensa quanto a peregrinação real.”

- “Uma busca profunda entre razão e invisível, atravessando as sete portas da alma.”

- “Mistério enterrado há séculos, visões, códigos cifrados e uma ordem secreta.”

- Leitura Transformadora — “Terminei Compostela – O Oráculo Perdido e ainda estou a digerir. É daqueles livros que te obrigam a parar e respirar. Forte, simbólico e cheio de camadas.”

- “Não esperava uma viagem tão profunda. O Caminho de Santiago aqui é quase um espelho da alma. Recomendo muito.”

- “Amei a atmosfera. Mistério, espiritualidade e uma escrita que prende. Um livro diferente do habitual.”

Se fizer sentido, peço que passe a palavra. Estão abertas as inscrições para um novo curso. Os Evangelhos GnósticosEvang...
01/05/2026

Se fizer sentido, peço que passe a palavra. Estão abertas as inscrições para um novo curso. Os Evangelhos Gnósticos
Evangelhos de Maria, Pistis Sophia, Tomé, os textos de Nag Hammadi e do Canon

Curso Online
· Início: 8 de junho
· Total de horas: 21
· Aulas zoom semanais (síncronas e assíncronas)
· Gravação das aulas enviada a todos os alunos
· Envio de material didático

Valor: 350 €
Inscrições: [email protected]

Sinopse:
Nos primeiros séculos do cristianismo, muitos cristãos estavam seguros de poder encontrar o divino dentro de si mesmos. Para estes cristãos o verdadeiro autoconhecimento conduzia a uma compreensão da verdadeira natureza humana-divina e a um conhecimento da realização plena do Divino no âmbito da sua própria experiência consciente.
Partes, por vezes fragmentárias, das descrições dos processos de transformação e das paisagens existenciais desses processos - assim como do conhecimento resultante - podem ser encontrados em textos como os evangelhos canónicos e textos paulinos, mas também em documentos como os descobertos em 1945 em Nag Hammadi, Egipto, ou de outros, descobertos anteriormente, como os códices Askewianus, Brucianus e Berolinensis.
No contexto da Antiguidade tardia, iremos compreender e conhecer os principais conceitos-chave da literatura gnóstica e correntes relacionadas.

Mais informação, aqui: https://www.ruilomelinodefreitas.com/
Inscrições e esclarecimento de dúvidas: [email protected]

Rui Lomelino de Freitas - Professor, Autor e Investigador | Gnose e Esoterismo Ocidental Neste site encontrará Cursos Online, Artigos Científicos, Vídeos, o Blogue. Toda a informação sobre Ciência das Religiões; Gnose; Esoterismo Ocidental; Hermetismo; Alquimia; Rosacruz; Templários; Maçona...

15/04/2026

Os Voluntários das Nações Unidas levam suas habilidades e paixão para o mundo.
Neste Ano Internacional do Voluntariado, inspire-se e descubra como você pode se juntar a uma Organização de Voluntariado.

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