30/05/2026
Levamos ontem à cena a nossa peça de teatro, “À Espera do Dez”, com encenação de Pedro Soares.
E que lugar podia ser mais simbólico do que a Mina de São Pedro da Cova?
Ali sente-se que a peça encontrou o seu verdadeiro espaço. As palavras ganham outra força, ecoam nas paredes carregadas de história, de suor, de luta, de vidas inteiras dedicadas àquele chão.
É impossível ficar indiferente num local onde tantos mineiros e as suas famílias, viveram, sonharam e tantas vezes perderam a vida.
Mais do que um espetáculo, foi um momento de memória, respeito e emoção.
Sinopse:
Quando se falava em mudança política do país, implantava-se a modernidade e a Republica, mas a dúvida crescia. As horas não andavam certas. Até o elétrico 10, andava “fora” d’horas. Os mineiros lá no fundo da mina num há sol, regem-se pelas horas da administração, ninguém tem relógios, é com o som da sirene, que agora começou a bater certo c’as horas do sino. Há tempos que havia ali desencontro! Agora que as obras da igreja começaram, com a ajuda da administração tudo bate certo menos as horas do 10, ora vem cedo, ora vem tarde! E a administração diz que é de atrasos da zorra, o elétrico de carga do carvão.
As pessoas andam já num falatório da palavra que num se pode dizer: A GREVE! Ora, há muito entendimento das horas…
Imaginamos que no princípio do século passado os mineiros de São Pedro da Cova, revoltam-se contra a fome e a decadência que engordava uma prole de administradores e aristocratas. Na paragem do elétrico 10, que nunca chega a horas, debate-se a esperança e a justeza da Greve! Que nos chegou hoje como um direito à custa de vidas de corajosos e sonhadores que nos deixaram um legado que mal compreendemos.
E nós de que nos rimos?