07/04/2026
O insustentável preço da barra
Comunidade Portuária da Figueira da Foz tenta convencer carregadores a regressarem
Cerca de 30% a 35% dos carregadores ainda não regressaram ao Porto da Figueira da Foz, após o encerramento de dois meses e meio provocado pelo assoreamento da barra, revelou hoje o vice-presidente da Comunidade Portuária. Apesar de a infraestrutura ter retomado a atividade normal a 23 de março, com o reinício das dragagens permanentes, Paulo Mariano sublinhou que está em curso um esforço para reconquistar os importadores e exportadores que, entretanto, procuraram alternativas noutros portos.
Durante o período de inatividade, muitas empresas deslocalizaram operações para Leixões, Lisboa, Setúbal e, sobretudo, Aveiro, o que gerou custos logísticos adicionais estimados em cerca de 30 milhões de euros. O impacto foi descrito como “brutal” para a região Centro, não só do ponto de vista económico, mas também ambiental, devido ao aumento significativo do transporte rodoviário de mercadorias, com camiões a percorrer distâncias muito superiores às habituais.
A Comunidade Portuária aponta responsabilidades à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), acusando-a de uma dragagem mal executada que terá contribuído para o assoreamento da barra, embora a entidade rejeite essa ligação, classificando-a como especulativa. Entretanto, a administração portuária admitiu a ocorrência de um assoreamento excecional agravado por tempestades marítimas. Está prevista uma reunião entre as partes para definir intervenções que evitem novos constrangimentos no próximo inverno e garantam a estabilidade de uma infraestrutura considerada estratégica para a economia regional.