Fna-Nucleo Covilhã

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O Escutismo não é apenas para te proporcionar diversão e aventura.
É uma aprendizagem para te ajudar a estar ao serviço do teu país e de outras pessoas que possam estar a precisar de ajuda.
É isso que os melhores homens estão dispostos a fazer.

Perante a doença, somos todos iguais.Há momentos em que a vida nos obriga a parar e a olhar de frente para a nossa fragi...
14/10/2026

Perante a doença, somos todos iguais.
Há momentos em que a vida nos obriga a parar e a olhar de frente para a nossa fragilidade e finitude.
A doença não distingue títulos, posições ou estatutos. Perante ela, somos todos humanos, sujeitos às mesmas incertezas e à inevitabilidade da morte.

A notícia da doença de Sua Santidade, o Papa, e a forma como partilhou com o mundo a sua condição clínica e a intervenção cirúrgica a que foi submetido levam-me a uma reflexão:

"a verdadeira grandeza também se revela na simplicidade de reconhecermos a nossa vulnerabilidade".

Sem se esconder atrás da dignidade do cargo que ocupa, o Santo Padre mostra-nos que, mesmo aqueles que o mundo coloca nos lugares mais altos, continuam a ser homens, com as suas fragilidades, esperanças e limites.
A ciência evolui, a medicina oferece-nos cada vez mais razões para ter esperança, mas a nossa condição humana permanece.

Perante a doença e a morte, os títulos não nos tornam invulneráveis, o poder não nos concede eternidade e o prestígio não nos torna diferentes dos demais.

Talvez por isso devêssemos aprender a valorizar mais o essencial, a alimentar menos vaidades, a construir pontes em vez de muros e a compreender que a verdadeira grandeza não está em parecermos superiores, mas em permanecermos humanos.

Ao Santo Padre, desejamos sinceramente rápidas melhoras, uma recuperação plena e muita força para ultrapassar esta prova, com a esperança de que possa continuar a sua missão junto de todos aqueles que nele encontram fé, conforto e inspiração.
Porque, no fim, é a nossa humanidade que nos iguala e é a humildade com que a assumimos que verdadeiramente nos engrandece.

Espiritualidade no escutismo: "acompanhar, testemunhar, nunca impor"In: " Auxiliar do Chefe Escuta"A espiritualidade é u...
13/10/2026

Espiritualidade no escutismo:
"acompanhar, testemunhar, nunca impor"
In: " Auxiliar do Chefe Escuta"

A espiritualidade é uma das dimensões fundamentais do desenvolvimento humano e, por isso mesmo, uma das mais delicadas e complexas de abordar no escutismo.
Não se trata apenas de religião ou de fé, mas de uma procura mais profunda de sentido para a vida, de valores, de princípios e de respostas às questões que, em diferentes momentos, nos inquietam enquanto seres humanos.

É precisamente por estarmos perante um campo tão vasto, tão pessoal e tão filosófico que devemos ter a humildade de reconhecer que ninguém pode arrogar-se o direito de considerar que percorre o único caminho possível, muito menos que detém, em exclusivo, a verdade ou o caminho certo. As convicções de cada um merecem respeito, mas esse respeito também exige que saibamos escutar, compreender e aceitar que outros possam viver a sua espiritualidade de maneira diferente da nossa.

Esta reflexão assume particular importância no CNE, onde o dirigente acompanha jovens em pleno processo de crescimento e construção da sua identidade. A sua missão não é oferecer respostas fechadas para todas as perguntas, mas criar oportunidades para que os jovens questionem, descubram, reflitam e construam, de forma consciente, a sua própria relação com a dimensão espiritual.

Educar para a espiritualidade não pode significar condicionar consciências, mas antes ajudar a formar pessoas capazes de pensar, de acreditar, de questionar e de respeitar.

Onde se situa, neste contexto, o papel do Assistente?
No CNE, o Assistente não deve ser visto apenas como aquele que preside às celebrações religiosas ou assegura o cumprimento de determinadas práticas.
A sua presença deve constituir uma referência espiritual, um testemunho de fé e uma oportunidade de diálogo e aprofundamento. A sua missão ganha verdadeira dimensão quando, para além de transmitir os ensinamentos da Igreja, sabe escutar os jovens, acolher as suas dúvidas e acompanhar as suas inquietações, sem transformar a autoridade espiritual numa imposição ou a diferença numa ameaça.
Isto não significa que o Assistente tenha de abdicar da identidade católica do movimento, relativizar a sua fé ou esconder as suas convicções.
Significa, sim, compreender que testemunhar não é impor, que orientar não é decidir pelo outro e que a autoridade espiritual se fortalece quando é exercida com humildade, proximidade e capacidade de acolhimento.

Na FNA, esta reflexão não perde importância; pelo contrário, adquire uma dimensão própria. Falamos de adultos que, apesar da sua experiência de vida, continuam a ser pessoas em permanente construção interior.
A maturidade não elimina as dúvidas, não encerra a procura e muito menos confere a alguém o monopólio da verdade espiritual.
Também aqui, o Assistente deve ser presença, referência e companheiro de caminho. Alguém que ajuda a aprofundar a fé, a compreender a dimensão espiritual do compromisso escutista e a encontrar coerência entre aquilo em que se acredita e aquilo que se pratica. Alguém que acompanha sem infantilizar, que aconselha sem dominar e que testemunha sem se colocar acima dos outros.

Há, contudo, uma particularidade que importa não esquecer: no CNE e na FNA, a presença do Assistente insere-se numa identidade eclesial e num enquadramento próprios.
O respeito pela diversidade de percursos pessoais não apaga essa identidade, tal como a fidelidade à identidade católica não deve servir de justificação para desvalorizar as perguntas, as dúvidas ou a dignidade de quem procura compreender melhor a sua fé.
A espiritualidade não se esgota numa cerimónia, numa oração ou num conjunto de práticas. Revela-se também na forma como servimos, como acolhemos, como perdoamos, como respeitamos quem pensa de maneira diferente e como permanecemos fiéis aos valores que afirmamos defender.

Talvez seja esta uma das maiores responsabilidades de quem acompanha espiritualmente os outros: compreender que não está ali para se apresentar como dono do caminho, mas para ajudar cada pessoa a percorrê-lo com maior consciência, sentido e responsabilidade.
Porque, no escutismo, a espiritualidade não deve ser um território de competição entre certezas, mas um espaço de crescimento, de encontro e de procura. E o Assistente, seja no CNE ou na FNA, terá tanto mais importância quanto melhor souber conjugar a fidelidade à sua missão com a humildade de reconhecer que acompanhar alguém na sua caminhada espiritual é, antes de tudo, um ato de serviço.

Afinal, não é por caminharmos lado a lado que temos de dar todos os mesmos passos, nem é por acreditarmos que conhecemos a verdade que deixamos de ter o dever de escutar.
Jorge Moreira Silva

A formação: um compromisso permanente com o serviço!Decorreu ontem, sábado, 10 de outubro, em Condeixa-a-Nova, o EnForma...
11/10/2026

A formação:
um compromisso permanente com o serviço!

Decorreu ontem, sábado, 10 de outubro, em Condeixa-a-Nova, o EnForma, palavra que no Escutismo assume um significado que vai muito além de um simples encontro de formadores, pertencentes ao quadro Nacional formadores.
Evoca a preparação, a atualização de conhecimentos, a partilha de experiências e o aperfeiçoamento contínuo daqueles que, pela sua vivência e compromisso, contribuem para a valorização do Movimento Escutista.

A formação assume um papel determinante no escutismo, embora com perspetivas distintas e complementares.
- No CNE, enquanto escola de educação não formal, contribui para o crescimento de crianças e jovens, seres humanos em construção, ajudando-os a desenvolver competências, valores e atitudes que os preparem para a vida e para uma cidadania ativa e responsável.
- Na FNA, temos adultos com um percurso de vida já consolidado, mas que continuam a ter muito para descobrir, aprender e aprofundar.
Conhecer melhor o escutismo, compreender a identidade e a missão da Fraternidade Nuno Álvares e fortalecer um espírito de liderança desinteressada, assente no exemplo, na disponibilidade e no serviço ao próximo, são desafios que nos devem acompanhar permanentemente.

É por isso que a formação não pode ser vista como um ponto de chegada, mas como um caminho contínuo de crescimento pessoal e associativo, onde a experiência de cada um se cruza com a vontade de aprender e de melhor servir.

É com orgulho que olhamos para esta equipa de formadores, que, com boa vontade, dedicação e sentido de missão, se disponibiliza a partilhar conhecimentos, experiências e valores, contribuindo para manter vivo o espírito escutista e fraterno que nos une.
Um orgulho que é também nosso, enquanto Região da Guarda, por nos fazermos representar neste encontro com três dos seus elementos.

A todos os que acreditam na formação como investimento nas pessoas e no futuro da FNA, o nosso reconhecimento e agradecimento.
Porque formar não é apenas transmitir conhecimentos: é inspirar, despertar consciências e ajudar cada adulto a compreender que nunca deixamos de aprender quando escolhemos continuar a servir.

Como nos ensinou Baden-Powell, o fundador do escutismo, o verdadeiro valor do nosso compromisso mede-se também pela forma como colocamos aquilo que somos e sabemos ao serviço dos outros.
Formar para servir.
Aprender para crescer.
Liderar pelo exemplo.
Sempre com o espírito escutista e fraterno que dá sentido à nossa caminhada.
Jorge Moreira Silva

Sabiam que...António Matoso Pereira foi MilitarPresidente da Câmara da Covilhã 2° Comissário Regional da Guarda do Corpo...
11/10/2026

Sabiam que...

António Matoso Pereira
foi
Militar
Presidente da Câmara da Covilhã
2° Comissário Regional da Guarda do Corpo Nacional de Escutas

António Matoso Pereira foi uma figura cuja trajetória se cruzou com três dimensões importantes da vida pública da Covilhã e da região: a carreira militar, o exercício de responsabilidades na administração municipal e a participação na organização e consolidação do escutismo na Região da Guarda.

Recuperar a sua história é contribuir para a preservação da memória coletiva da cidade e para o conhecimento das personalidades que marcaram os primeiros tempos do movimento escutista regional.

Oficial do Exército, ligado à arma de Infantaria, António Matoso Pereira construiu uma carreira militar que lhe valeu diversas distinções honoríficas.
O seu processo no Arquivo Histórico da Presidência da República documenta a atribuição de graus da Ordem Militar de Avis: Cavaleiro, em 1927, Oficial, em 1941, e Comendador, em 1947.
Estas condecorações constituem testemunhos documentais do reconhecimento oficial alcançado ao longo do seu percurso militar.

Na vida pública local, assumiu a presidência da Câmara Municipal da Covilhã entre 1955 e 1957, num período em que Portugal vivia sob o regime do Estado Novo.
Durante o seu mandato, acompanhou questões relacionadas com o desenvolvimento urbano e os equipamentos públicos da cidade, destacando-se a sua intervenção no acompanhamento dos trabalhos dos novos Paços do Concelho. Procurou acelerar a conclusão de trabalhos e preparar as condições necessárias à instalação dos serviços municipais.
O edifício seria inaugurado em outubro de 1958, já depois de terminado o seu mandato.

Contudo, para a história do escutismo covilhanense e da Região da Guarda, existe uma dimensão particularmente significativa na sua biografia: a sua ligação ao Corpo Nacional de Escutas e à estrutura regional do movimento.
António Matoso Pereira foi o segundo Comissário Regional da Guarda, sucedendo ao Tenente Carlos Alberto Godinho, identificado nas referências históricas como o primeiro titular dessa função.
A sua participação ocorreu numa fase importante da organização do escutismo regional, quando a definição de estruturas de coordenação e o fortalecimento dos grupos locais eram fundamentais para a afirmação e o desenvolvimento do movimento.
O seu nome surge igualmente associado à reorganização da Junta Regional da Guarda em 1931, referência que reforça a importância da sua intervenção na história da estrutura regional.
A documentação histórica do Agrupamento 20 da Covilhã constitui, neste contexto, uma fonte relevante para compreender a evolução inicial do escutismo na região e o papel desempenhado por algumas das suas primeiras figuras dirigentes.

A ligação de António Matoso Pereira ao escutismo ganha particular significado quando observada em conjunto com a sua presença na vida pública covilhanense.
A Covilhã foi um espaço importante na história da organização escutista regional, e a participação de personalidades com responsabilidades profissionais, cívicas e institucionais contribuiu para a afirmação do movimento num período em que este procurava consolidar a sua presença e as suas estruturas.

A sua carreira militar, a presidência da Câmara Municipal e o exercício da função de segundo Comissário Regional representam, assim, três dimensões distintas, mas relevantes, do seu percurso. Cada uma delas deve ser compreendida no contexto histórico em que se desenvolveu, reconhecendo tanto as circunstâncias da época como a importância de preservar os testemunhos documentais que permitem reconstruir a sua ação.

António Matoso Pereira merece, por isso, um lugar na memória histórica da Covilhã e do escutismo da Região da Guarda. Recordá-lo enquanto militar, presidente da Câmara Municipal e segundo Comissário Regional é reconhecer a diversidade das suas responsabilidades e a importância de recuperar os percursos individuais que ajudam a compreender a história coletiva.

Preservar esta memória é também valorizar o património humano do escutismo covilhanense, dando a conhecer às gerações atuais os nomes daqueles que participaram nos primeiros passos da organização regional e contribuíram para construir uma história que continua a merecer ser investigada, documentada e transmitida.
As fotos referem:
1 - O seu rosto
2 - Construção Câmara Municipal
3- Obra acabada

...na senda da identidade Covilhanense...Memória e Fé: O mapa sagrado e o pulso histórico das igrejas da Covilhã​A Covil...
11/10/2026

...na senda da identidade Covilhanense...

Memória e Fé:
O mapa sagrado e o pulso histórico das igrejas da Covilhã

​A Covilhã guarda nas suas ruas e antigos recintos uma profunda herança espiritual, marcada por templos seculares que testemunham a evolução demográfica, social e arquitetónica da cidade ao longo dos séculos.

Historicamente dividida em quatro freguesias urbanas:
- São Martinho
- São Pedro
- Santa Maria
- Conceição
No entanto a organização territorial da cidade sofreu alterações profundas na era contemporânea, tendo essa divisão tradicional sido substituída pela sua unificação na União das Freguesias de Covilhã e Canhoso.

​Entre os monumentos que subsistem na paisagem urbana, a Igreja de São Martinho destaca-se como monumento nacional e o templo mais antigo da Covilhã, com origens no final do século XII na praça principal do velho burgo (onde hoje se localiza a Universidade da Beira Interior).
Salva do abandono e da demolição através do restauro em 1943, data em que a sua torre foi removida por desvirtuar a traça original , preserva ainda valiosos azulejos hispano-árabes do século XVI e pinturas sobre tela.

Por sua vez, a Igreja de Santa Maria Maior, matriz da freguesia, resulta da reconstrução quinhentista da primitiva Igreja de Nossa Senhora do Castelo.
A sua fachada seiscentista adquiriu traços barrocos e foi mais tarde revestida com painéis de azulejo com Virgens de Murillo, abrigando no seu interior uma relíquia do Santo Lenho oferecida pelo Infante D. Luís, um rico acervo de arte sacra e um museu de paramentos dos séculos XVII e XVIII.

​A riqueza patrimonial da cidade manifesta-se também na Igreja da Santa Casa da Misericórdia, originária da antiga Irmandade de Nossa Senhora da Alâmpada de 1213 e com fachada de 1601 ornamentada com as virtudes teologais. Salva da demolição graças à oposição do povo covilhanense que a consagrou como património nacional, continua a ser o centro de procissões emblemáticas como a do Senhor dos Passos e do Enterro do Senhor.

Mais a nascente, perto das antigas Portas do Sol e do histórico "Terreiro das Bruxas", a Capela de São Silvestre preserva a sua pia baptismal em granito e um retábulo de azulejos hispano-árabes do século XVII.

Outros templos em atividade enriquecem este roteiro: a Capela de Santa Cruz ao Calvário, de traça rústica com alpendres sustentados por colunas; a Capela de São João de Malta, associada à antiga Ordem de Malta do século XI; a moderna Igreja de Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em 1947; e a Igreja do Coração de Jesus, erguida pelos Jesuítas no local da antiga Igreja de São Tiago, reaberta em 1952 após incêndio e profanação, e ladeada pela imponente Torre de São Tiago construída em 1888.

​Ao longo dos séculos, a transformação do tecido urbano e a reorganização paroquial ditaram igualmente o desaparecimento de inúmeros locais de culto que faziam parte do quotidiano da população.
Entre as perdas mais notáveis figuram a antiga Igreja matriz de São Pedro, que se situava junto à Judiaria e de onde partia a Procissão do Senhor aos Enfermos, a primitiva Igreja de Nossa Senhora do Castelo e a Capela do Senhor da Ribeira, demolida para dar lugar ao templo dedicado a Nossa Senhora de Fátima.
A estas somam-se diversos templos e ermidas extintos, como as de São Vicente, São Salvador, Santa Marinha, Santa Maria Madalena, São Paulo, São Miguel, São Lourenço, Santo Estêvão, Santo André, São Bartolomeu, bem como as ermidas da Senhora do Rosário e de São Sebastião.

Mais do que simples estruturas arquitetónicas, este ecossistema de fé, memória e devoção moldou a identidade da Covilhã, terra que se afirmou igualmente como pátria de ilustres bispos e prelados com projeção nacional e internacional.
F**a algum espólio fotográfico

Considerações  sobre:FÉ,  VERGONHA E LIBERDADE DE CONSCIÊNCIAO papel da religião, do Escutismo e dos Assistentes na form...
10/10/2026

Considerações sobre:

FÉ, VERGONHA E LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
O papel da religião, do Escutismo e dos Assistentes na formação do ser humano.

"Deus criou-nos com emoções que dão cor à vida. A vergonha, a culpa, o medo, a esperança e a alegria fazem parte da nossa condição humana. Podem ajudar-nos a reconhecer os nossos erros, a compreender os outros e a encontrar um sentido para a vida. Mas também podem ser utilizadas para influenciar comportamentos, condicionar escolhas e, em determinadas circunstâncias, controlar consciências."
In: "Jacques Sevin e o Escutismo "

É a partir desta reflexão que importa pensar sobre o papel da religião na sociedade e, particularmente, na formação escutista.
Faço-o com respeito pela Igreja Católica, reconhecendo a sua importância histórica, espiritual e social, e enquanto alguém que se identifica com os valores do Escutismo e da Fraternidade Nuno Álvares (FNA).
Não pretendo questionar a fé de ninguém, muito menos desvalorizar a matriz católica do Corpo Nacional de Escutas (CNE), que nasceu no seio da Igreja Católica.
Pretendo, isso sim, refletir sobre a fronteira entre a educação da consciência e o condicionamento das emoções; entre a vivência da fé e a obediência sem questionamento.

A religião tem sido, ao longo dos séculos, fonte de esperança, solidariedade, conforto e inspiração para milhões de pessoas.
Tem contribuído para a formação moral de gerações e para a mobilização de comunidades em favor dos mais frágeis. Mas, como qualquer instituição humana dotada de autoridade e influência, também pode correr o risco de recorrer ao medo, à culpa e à vergonha como instrumentos de controlo.

Quando a vergonha nos ajuda a reconhecer uma injustiça, pode ter um valor educativo. Quando a culpa nos leva a reparar o mal que fizemos, pode revelar uma consciência desperta.
Porém, quando estas emoções são utilizadas para silenciar dúvidas, desencorajar perguntas ou fazer acreditar que questionar uma autoridade é desrespeitar Deus, devemos parar para pensar.
A fé deve ajudar-nos a crescer, não a ter medo de pensar.
A questão não está em acreditar ou não acreditar. Está na forma como a fé é transmitida e vivida. Uma coisa é educar para a responsabilidade moral; outra é ensinar a obedecer por medo. Uma coisa é orientar consciências; outra é procurar dominá-las.
E que melhor lugar para refletir sobre estas questões do que o Escutismo?

Baden-Powell concebeu um movimento educativo destinado a contribuir para a formação do carácter, da autonomia, da responsabilidade e do espírito de serviço.
A Lei e a Promessa não foram pensadas como simples fórmulas para repetir em cerimónias, mas como referências para a vida quotidiana.

No CNE, a dimensão espiritual e a identidade católica constituem elementos importantes da proposta educativa.
Na FNA, o compromisso dos adultos com a fraternidade, a solidariedade e o serviço continua a dar sentido à vivência do ideal escutista.
Em ambos os contextos, os valores só ganham verdadeira expressão quando se transformam em atitudes.
De que serve ensinar a responsabilidade se não permitirmos que cada pessoa aprenda a pensar e a decidir?
De que serve falar de liberdade se confundirmos a dúvida honesta com falta de fé?
E de que serve proclamar valores cristãos e escutistas se não os traduzirmos na forma como tratamos aqueles que caminham ao nosso lado?
É neste contexto que importa reconhecer o lugar dos Assistentes nos Agrupamentos do CNE e nos Núcleos da FNA.

O Assistente deve ter uma missão que exige compromisso
A presença do Assistente não deve ser reduzida à celebração da Eucaristia, à oração em determinadas atividades ou à representação institucional da Igreja.
A sua missão pode assumir uma dimensão muito mais profunda: acompanhar espiritualmente a comunidade escutista, ajudar a interpretar os valores à luz da fé, promover a reflexão e testemunhar, pela própria vida, a coerência entre aquilo que se anuncia e aquilo que se pratica.
O Assistente não tem de ser uma pessoa sem fragilidades, dúvidas ou contradições.
É humano, como todos nós. Mas o lugar que aceita ocupar implica uma responsabilidade particular perante aqueles que nele reconhecem uma referência espiritual e moral.

Quando um Assistente celebra o seu compromisso de investidura, esse momento não deve ser encarado como uma mera formalidade cerimonial. Deve representar a consciência plena da missão que assume, da confiança que lhe é depositada e da responsabilidade inerente ao lugar que passa a ocupar.

Investir-se numa missão é aceitar servir.
É comprometer-se a acompanhar, escutar, aconselhar e estar presente. É compreender que a autoridade espiritual não deve ser utilizada para impor pelo medo, mas exercida através do exemplo, da proximidade, da humildade e do respeito pela dignidade de cada pessoa.
A investidura, por si só, não garante a coerência de ninguém.
É a prática quotidiana que demonstra o verdadeiro significado do compromisso assumido.

Por isso, tal como exigimos aos dirigentes escutistas responsabilidade, preparação e coerência, também devemos reconhecer que a função de Assistente merece ser vivida com consciência, disponibilidade e seriedade.
Não se trata de exigir perfeição, nem de colocar em causa a legitimidade da sua missão. Trata-se de reconhecer que nenhuma função de referência dispensa a responsabilidade pessoal, a reflexão sobre as próprias atitudes e a procura constante de coerência entre as palavras e os atos.

O Assistente deve ajudar a formar consciências, não a substituí-las. Deve saber corrigir sem humilhar, orientar sem manipular e transmitir a fé sem transformar a culpa numa prisão interior.
A sua presença será tanto mais significativa quanto mais contribuir para que cada jovem ou adulto encontre, na vivência espiritual, razões para ser mais justo, mais solidário e mais disponível para servir.

A responsabilidade é de todos
Esta reflexão não se dirige apenas aos Assistentes. Interpela também dirigentes, responsáveis associativos e todos aqueles que assumem funções de liderança no Escutismo.
Na FNA, a maturidade adquirida ao longo da vida não nos dispensa de questionar as nossas práticas. A experiência não nos torna infalíveis, tal como o exercício de um cargo não nos confere superioridade moral sobre os outros.
Ser adulto no Escutismo significa continuar disponível para aprender, reconhecer erros e colocar o interesse coletivo acima das vaidades pessoais. Significa compreender que a autoridade se torna legítima e respeitada não apenas pelo cargo que ocupamos, mas pela forma como exercemos as responsabilidades que nos foram confiadas.

O mesmo princípio deve orientar a relação entre a fé e a educação escutista.
Respeitar a Igreja Católica não significa abdicar do pensamento crítico. Valorizar os Assistentes não significa dispensá-los da responsabilidade inerente à sua missão. E honrar a tradição do CNE não significa deixar de refletir sobre a melhor forma de transmitir os valores que sustentam o movimento.

A tradição merece ser preservada, mas também compreendida e vivida. A fé merece respeito, mas não deve servir de justificação para o silenciamento. E a autoridade deve ser exercida com a consciência de que aqueles que acompanhamos não são propriedade nossa: são pessoas em formação, com dignidade, inteligência e liberdade de consciência.

A verdadeira autoridade não precisa de alimentar o medo para conquistar respeito. Conquista-o pela coerência, pelo exemplo e pela capacidade de servir.

Talvez seja este um dos maiores desafios de quem educa e acompanha no Escutismo: transmitir valores sem impor consciências; orientar sem dominar; corrigir sem humilhar; e cultivar a espiritualidade sem fazer da vergonha um instrumento de submissão.

A fé pode inspirar-nos a fazer o bem, mas é no modo como tratamos os outros que a sua autenticidade se torna visível.
E porque o Escutismo não deve limitar-se a formar pessoas que saibam repetir a Lei e a Promessa, mas procurar formar homens e mulheres capazes de as viver, mesmo quando ninguém está a observar.
Um compromisso que se honra todos os dias

No final, a questão não é saber se devemos acreditar, sentir vergonha ou reconhecer os nossos erros. A questão é perceber se aquilo em que acreditamos nos torna mais livres, mais conscientes e mais capazes de servir.
Que a fé nos inspire, que a Lei e a Promessa nos orientem e que a consciência nos mantenha despertos.
Que os Assistentes compreendam a importância do lugar que ocupam e a responsabilidade do compromisso que assumem. Que os dirigentes reconheçam o valor da sua presença e que, juntos, saibam construir comunidades onde a espiritualidade se vive com autenticidade, a autoridade se exerce com humildade e a liberdade de consciência é respeitada.

Servir não é deixar de pensar. Acreditar não é deixar de questionar. E educar não é controlar: é ajudar cada pessoa a tornar-se capaz de escolher, por convicção, o caminho que considera certo.

É aqui que regresso a Baden-Powell, fundador do Escutismo, que escreveu em Aids to Scoutmastership uma frase que continua a interpelar todos os que assumem responsabilidades na formação espiritual:

«A religião só pode ser assimilada pelo exemplo, não ensinada apenas por palavras.»

Talvez seja esta a melhor mensagem para todos os Assistentes, dirigentes e adultos que assumem compromissos no Escutismo: a fé não se impõe, testemunha-se; os valores não se proclamam apenas, praticam-se; e a missão não se honra apenas no momento da investidura, mas em cada gesto, em cada atitude e em cada decisão.
Porque, no Escutismo, o verdadeiro compromisso não se mede apenas pelo que prometemos diante dos outros, mas sobretudo pelo que somos capazes de viver depois de a cerimónia terminar.
Assim fosse
Jorge Moreira Silva

NÃO PODEMOS MUDAR-TE. MAS PODEMOS CONVIDAR-TE A FAZER PARTE DESTA MUDANÇA.Nós, no Núcleo da FNA da Covilhã, não queremos...
08/10/2026

NÃO PODEMOS MUDAR-TE. MAS PODEMOS CONVIDAR-TE A FAZER PARTE DESTA MUDANÇA.

Nós, no Núcleo da FNA da Covilhã, não queremos mudar ninguém.
Acreditamos, isso sim, que cada pessoa tem dentro de si capacidades, valores, experiências e vontade de fazer a diferença.
Podemos mostrar-te uma forma diferente de olhar para a vida.
Podemos partilhar contigo amizade, fraternidade, espírito de serviço, experiências e desafios.
Mas a decisão é tua.

A mudança começa sempre dentro de nós.
E acreditamos que este é o momento certo para dar um novo passo.
Um novo ano escutista começou e a Fna-Nucleo Covilhã está a preparar novas atividades, novos projetos, novos desafios e novas oportunidades de participação.

Queremos que faças parte deles.
Não precisas de ter sido escuteiro.
Não precisas de ter vivido anteriormente o Escutismo.
Precisas apenas de ser maior de 22 anos, acreditar que ainda tens algo para dar e ter vontade de caminhar connosco.
Se foste escuteiro, encontrarás aqui uma oportunidade para continuar a viver valores que fizeram parte da tua história.
Se nunca foste escuteiro, encontrarás uma oportunidade para descobrir um caminho novo.
Em qualquer dos casos, há lugar para ti.

Não procuramos apenas associados.
Procuramos pessoas.
Pessoas com vontade de participar.
De aprender.
De partilhar.
De servir.
De construir.
De fazer acontecer.
Porque a FNA não é apenas memória do Escutismo que fomos.
É também ação no presente e compromisso com o futuro.
O lenço castanho não é apenas um símbolo.
É fraternidade.
É amizade.
É serviço.
É compromisso.
É vontade de continuar a fazer a diferença.
E o Núcleo da FNA da Covilhã quer continuar a fazer.

Estamos a começar uma nova etapa.
Novas ideias.
Novas atividades.
Novos projetos.
Novas pessoas.
Novos desafios.
Talvez este seja o teu momento.
Não importa onde estiveste antes.
Importa aquilo que estás disposto a fazer daqui para a frente.
A porta está aberta.
O caminho começa com uma decisão.
A próxima decisão pode ser tua.

Morada- Jardim Publico n° 17
Contacto- 932553439.
Jorge Moreira Silva

Continuando em busca da história...De Covadonga a León: entre a cruz, a história e a liberdadeHá lugares onde uma simple...
07/10/2026

Continuando em busca da história...

De Covadonga a León: entre a cruz, a história e a liberdade

Há lugares onde uma simples fotografia nos leva muito para além daquilo que os olhos conseguem ver.
Esta imagem captada em Covadonga, nas Astúrias, junto ao Santuário de Covadonga. Ao fundo ergue-se a imponente Basílica de Santa María la Real de Covadonga e, em primeiro plano, uma antiga cruz de pedra integrada no espaço religioso do santuário.

A cruz não deve ser confundida com a famosa Cruz de la Victoria, um dos grandes símbolos das Astúrias.
A sua presença neste lugar, contudo, ganha um significado especial quando conhecemos a história de Covadonga.

Foi nestas montanhas, segundo a tradição, que Pelayo liderou a resistência que ficou associada à Batalha de Covadonga, tradicionalmente datada de 722, acontecimento que a memória histórica asturiana relaciona com o início do Reino das Astúrias.
A Santa Cueva, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora de Covadonga, conhecida como La Santina, tornou-se ao longo dos séculos um importante lugar de peregrinação e de identidade asturiana.
Mas esta viagem pela história não termina em Covadonga.

Do antigo Reino das Astúrias haveria de nascer, através de um longo processo histórico, o Reino de León, cuja cidade se tornaria um dos grandes centros políticos da Península Ibérica medieval.
E é precisamente em León que encontramos outro momento extraordinário da história europeia: as Cortes de León de 1188. Convocadas pelo rei Alfonso IX, reuniram, para além do rei, da Igreja e da nobreza, representantes das cidades e vilas.
Os chamados Decreta de León são reconhecidos pela UNESCO como a mais antiga manifestação documental conhecida do sistema parlamentar europeu.

Por isso, entre Covadonga e León, encontramos dois momentos diferentes, mas ligados por séculos de história: em Covadonga, a memória de uma resistência que marcou a formação do Reino das Astúrias; em León, séculos depois, um passo decisivo na história da representação e da participação política.

Talvez seja esta a maior riqueza de viajar: não olhar apenas para uma pedra, uma cruz, uma igreja ou uma cidade, mas perguntar o que aconteceu ali, quem passou por aqueles lugares e que marcas deixou na história.
Porque um verdadeiro viajante e também escuteiro, não se limita a ver.
Observa.
Questiona.
Investiga.
Descobre.
E, muitas vezes, uma simples cruz no caminho pode abrir a porta para uma história de muitos séculos.
..mesmo sem guia...
Canhota a todos
Jorge Moreira Silva

As imagens referem-se à "Casa Botines" que acolhe o Museu de Gaudi e à "Basilica de Santo Isidoro" datada essencialmente dos séculos XI e XII, acolhe o Panteão Real, muitas vezes apelidado de "Capela Sistina da Arte Românica" devido aos impressionantes frescos medievais perfeitamente preservados nos seus tetos.

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