15/06/2026
Doação à Liga dos Combatentes – Núcleo de Coimbra
- O Legado do Tenente Flaviano Henriques Miranda
É com enorme orgulho e profunda gratidão que partilhamos a recente receção de uma extraordinária doação para o nosso acervo museológico e bibliográfico.
Os familiares do Tenente de Infantaria Flaviano Henriques Miranda (1885–1975) confiaram-nos um valioso conjunto de bens pessoais que contam não só a história de um homem, mas também a do próprio país.
Resenha do militar.
Tenente Infantaria Flaviano Henriques Miranda.
Natural Santo António dos Olivais Coimbra
Nascido a 20 de março de 1885
Faleceu a 25 março de 1975
Alistou-se como voluntário no Regimento de Infantaria nº 23 a 8 de janeiro de 1903, com 18 anos.
Participou na I Grande Guerra no TO de Moçambique de 5 julho de 1916 a 8 fevereiro de 1918
Tomou parte da Operação de passagem do Rio Rovuma a 19 de setembro de 1916 na campanha contra os alemães na África Oriental.
Fez parte da Forças de Oposição contra os revoltosos monárquicos do Norte em janeiro/fevereiro 1919.
Exímio praticante de tiro é detentor de vários prémios e medalhas e diplomas de competição de tiro.
Condecorado com a medalha da “Vitória” – 1ª Guerra Mundial, Medalha comemorativa das “Operações em Moçambique 1914 – 1918” e Medalha de Prata de Comportamento Exemplar
Passou à situação de reserva em 21 setembro 1936.
Este conjunto doado evidencia uma forte ligação do Tenente Flaviano Henriques Miranda à história militar portuguesa, à prática do tiro desportivo e militar, à participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial e à evolução política de Portugal durante a Primeira República e o Estado Novo, com destaque para:
• Espada de Oficial de Infantaria
• Par de dragonas em latão
• Faixa/cinturão púrpura para farda n.º 1
• Par de esporas para botas de montar
• Carta Patente do Ministério do Exército (1955
• Medalha de Tiro (1915) e diversas condecorações de campeonatos de tiro ilustrando a participação em competições de tiro desportivo e militar.
• Insígnia “Mestre Atirador” (Lisboa, 1919),
• História do Exército Português, do General Ferreira Martins.
• Livro de Ouro da Infantaria,
• Vários Manuais e Regulamentos de armamento e tiro.
• Nas Trincheiras, de Mouzinho de Albuquerque e Augusto Casimiro, relato associado à experiência portuguesa na Grande Guerra.
• Cartilha Monárquica (1919), de Alberto Monsaraz, expressão do pensamento político monárquico no período pós-implantação da República.
• Documentação política e histórica relativa ao século XX português, incluindo textos de Raul Proença, Norton de Matos, Humberto Delgado e Marcelo Caetano.
• Coleção do jornal Mocidade Portuguesa (1942–1944), importante fonte para o estudo da juventude e da propaganda durante o Estado Novo.
• Blocos fotográficos da Grande Guerra, produzidos pelo Serviço Fotográfico do CEP, Foto GARCEZ;
Este espólio será preservado, estudado e partilhado, garantindo que a memória e o exemplo do Tenente Flaviano Henriques Miranda continuem vivos para as futuras gerações.
Um agradecimento sincero à família por este voto de confiança na nossa missão de salvaguarda do património histórico.