19/08/2025
Com os avisos de risco de incêndio em níveis muito altos , as temperaturas altíssimas e a natureza portuguesa a ceder, importa recordar e salientar, conscientemente, os diagnósticos que nos são deixados diariamente.
Temos sido continuamente interpelados pela realidade que assola as florestas, ecossistemas e populações do nosso país, uns através dos jornais e telejornais, outros através da janela de casa. É impossível ignorar o que acontece há semanas em vários distritos do nosso país. A dimensão da calamidade ultrapassa por seis vezes o cenário do ano passado, podendo-se aproximar daquele de 2017. Para combater esta realidade, durante a madrugada da última sexta-feira ainda se encontravam no combate 3700 operacionais em 45 incêndios, dos quais 10 foram qualificados pela Protecção Civil como ocorrências significativas.
Em sentido contrário, a nível do poder executivo e administrativo, as lacunas são notórias e indescritíveis, indo desde a impreparação material das aeronaves militares para o combate aos fogos, avarias em materiais indispensáveis para o alívio da situação e contratos apressados para resolver situações que não pecam por falta de aviso. Infelizmente, não sendo novidade o que o país enfrenta, não faltou tempo para a preparação das capacidades de combate, tal como para a prevenção. Só faltou vontade.
Esta e outras infelicidades não devem ser descontextualizadas. Recordamos que, segundo os cálculos da Global Footprint Network, Portugal teve o seu Dia de Sobrecarga na primeira metade do ano, ou seja, já em Maio o país tinha atingido a sua quota anual, excedendo, em gasto de recursos naturais, a capacidade da natureza de reproduzi-los e renová-los ao longo do ano. A União Europeia celebrou-o igualmente dia 29 de abril e a Humanidade, na sua globalidade, assinalou-o dia 24 de julho. Isto significa que, de momento, estamos em défice ecológico.
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