22/06/2026
ASSOCIAÇÃO PATRONAL APHORT MANTÉM RECUSA EM NEGOCIAR AUMENTOS SALARIAIS PARA 2026
MAIS DE 100 MIL TRABALHADORES SEM CONTRATAÇÃO COLETIVA
O SINDICATO ESTÁ A NEGOCIAR DIRETAMENTE COM 109 HOTÉIS
FOI REQUERIDA A CONCILIAÇÃO DO PROCESSO AO MINISTÉRIO DO TRABALHO
A associação patronal APHORT mantém a recusa em negociar a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) para 2026.
Com esta posição, a APHORT deixa sem contratação coletiva e sem aumentos salariais em 2026 mais de 100 mil trabalhadores.
Muitos hotéis e estabelecimentos da restauração e bebidas apenas atualizaram os salários para o Salário Mínimo Nacional (SMN), ou seja, ou não deram qualquer aumento salarial ou deram um aumento salarial miserável, deixando também congeladas as demais cláusulas de expressão pecuniárias designadamente diuturnidades, prémio de línguas, abono de falhas e subsídio de alimentação.
Quando no início de abril do corrente ano ficou claro que a associação patronal não queria negociar aumentos salariais, o sindicato avançou com a apresentação de cadernos reivindicativos às empresas, estando atualmente a negociar diretamente ou com mediação da DGERT/Ministério do Trabalho com 109 hotéis e dezenas de estabelecimentos de restauração e bebidas.
Contudo, o sindicato tem consciência que, mesmo negociando com muitas empresas, muitas dezenas de milhares de trabalhadores vão ficar sem aumentos salariais em 2026 porque não é possível negociar em todas as empresas.
Assim, para tentar forçar a associação patronal a negociar aumentos salariais, foi requerida à DGERT a conciliação do processo de revisão do CCT, o que deve acontecer dentro de dias.
Só com um acordo com a APHORT é possível garantir aumentos salariais para todos os trabalhadores.
O setor vive uma excelente situação há anos sucessivos desde 2022. O ano de 2025 foi o melhor ano turístico de sempre, tal como 2024 e 2023 tinham sido. todos os indicadores apontam que 2026 ainda será melhor. Segundo os dados do INE relativos ao primeiro trimestre de 2026, o setor na região Norte obteve um aumento de dormidas de 6,3%, bem como aumento nos proveitos totais e por aposento.
O INE também confirma que os salários do alojamento são 259 euros abaixo da média nacional e se não houver revisão do CCT o fosso ainda será maior e levará a que mais de 90% dos trabalhadores recebam apenas o SMN.
A proposta apresentada à APHORT e que o sindicato está a tentar negociar com os cadernos reivindicativos apresentados é a seguinte:
Aumentos salariais de 15% na tabela salarial, com o mínimo de 150€ para cada trabalhador e o salário de entrada no setor de 1.050€;
Atualização do prémio de línguas para 60€ por cada língua estrangeira falada;
Atualização das diuturnidades para 30€ por cada diuturnidade;
Atualização do abono de falhas para 65€ mensais;
Atualização do subsídio de alimentação para 151€;
Pagamento de um prémio de 25% da retribuição para os trabalhadores que tenham horário repartido e para os trabalhadores que trabalham em regime de turnos;
Pagamento do trabalho ao fim de semana com um acréscimo de 25%.
Porto, 22 de junho de 2026
A Direção