03/04/2026
Nas palavras do cardeal Tolentino Mendonça 🙏
Na última ceia, quando se consuma o mistério da sua entrega, Jesus levanta-se, tira o manto, põe uma toalha à cintura e começa a lavar os pés aos discípulos. É uma atitude que impressiona e que choca. Na sociedade daquela época, lavar os pés era uma tarefa reservada aos escravos. Era impensável que um mestre, um rabino, um líder, fizesse uma coisa assim. Mas Jesus inverte todas as lógicas. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Ele não veio para ser o senhor da vida dos outros, mas para se fazer servo da vida dos outros. Ele não veio para ser adorado, mas para adorar. Ele não veio para impor a sua lei, mas para dar a sua vida.
Afinal, quem lava os pés, não impõe nada, não obriga nada, não condena nada. Quem lava os pés, simplesmente oferece. E o que oferece? Oferece a sua presença, oferece a sua humildade, oferece o seu amor. Oferece a possibilidade de uma nova vida.
Olhemos: quando Pedro se recusa a deixar que Jesus lhe lave os pés, ele está a mostrar que ainda não entendeu. Ele ainda pensa que é ele que tem de levar o mundo às costas. Que é ele que tem de fazer tudo sozinho. Que é ele que tem de ser o forte. Mas Jesus mostra-lhe que não é assim. Que só podemos mudar o mundo se aceitarmos que ele mude primeiro a nós. Que só podemos ajudar os outros se formos ajudados primeiro. Que só podemos ser fortes se formos fracos primeiro. Que só podemos amar se formos amados primeiro. E Pedro, ao compreender isto, diz que sim. Ele não diz que sim ao que Jesus lhe propõe, mas sim a Jesus. Ele não aceita apenas que Jesus lhe lave os pés, mas aceita a Jesus lavar-lhe o coração.
O amor é sempre um caminho de descida, é sempre um caminho de humildade, é sempre um caminho de serviço. E é por isso que é um caminho de grandeza. (...) O amor que Jesus nos convida a viver é um amor que se encontra nos gestos mais simples, na capacidade de fazer o bem aos outros, de cuidar dos outros, de estar presente junto dos outros. —
Card. José Tolentino de Mendonça©, homilia.