10/09/2026
Ainda ontem perguntei pelo Sr. Joaquim. Disseram-me que estava melhor, que já tinha passado para a enfermaria. Hoje chegou a notícia que ninguém esperava: o Sr. Joaquim partiu.
Como a vida nos surpreende e nos lembra, tantas vezes, da sua fragilidade...
O Sr. Joaquim era nosso utente há já alguns anos, ainda do tempo em que a sua esposa era viva. Depois da partida dela, começou a procurar-nos com mais frequência. Talvez porque, quando alguém f**a sozinho, há lugares e pessoas que acabam por se tornar um bocadinho casa.
Muitas manhãs vinha ter connosco tomar o seu café. À tarde, gostava de jogar às cartas, conversar e estar na companhia dos outros. Quase sempre bem-disposto, seguia depois no seu carrinho, presença habitual nas ruas da nossa Cerdeira. Era daquelas pessoas que faziam parte da paisagem humana da terra e que, sem darmos conta, nos habituámos a encontrar.
É sempre com tristeza que vemos partir um dos nossos. Porque os nossos utentes não são apenas nomes numa instituição. São pessoas com quem partilhamos dias, conversas, rotinas, alegrias e pedaços de vida. E, quando partem, deixam inevitavelmente um lugar vazio.
No caso do Sr. Joaquim, havia ainda algo muito próprio nele: a idade não parecia ser aquela que os anos marcavam, mas aquela que a sua cabeça e a sua vontade lhe diziam que tinha. E talvez seja também por isso que custa acreditar que já não o veremos chegar para o café, para uma partida de cartas ou passar no seu carrinho pelas ruas da Cerdeira.
À família e a todos os que lhe eram queridos, deixamos os nossos mais sentidos sentimentos e um abraço de conforto neste momento de dor.
Que descanse em paz, Sr. Joaquim.
F**ará na nossa memória e na história da nossa Instituição, como f**am todos aqueles que, durante algum tempo, caminharam connosco. 🤍