22/06/2026
A empresa quer esconder o óbvio - é impossível compatibilizar o projecto com a preservação dos bens (socio-económicos e naturais) que não têm pejo em arrasar.
PROJETO SOPHIA: SESSÕES DA LIGHTSOURCE AUMENTAM PREOCUPAÇÕES
"Estamos perante um processo pouco democrático com a divulgação tardia e a recolha de dados dos fregueses" referem em comunicado vários movimentos cívicos, plataformas e associações ambientais acerca das sessões que na passada semana, a Lightsource BP promoveu nas freguesias abrangidas pelo Projeto Sophia, nos concelhos do Fundão e Penamacor.
Os subscritores do comunicado, criticam a divulgação tardia e a recolha de dados dos fregueses. A isso soma-se a limitação do número de participantes num espaço público, em algumas sessões, o máximo era de 15 pessoas. "Para muitos habitantes, tratou-se de uma oportunidade insuficiente para garantir um debate aberto e representativo sobre um projeto com impacto muito significativo no território", referem.
De acordo com o documento, para quem esteve presente nas sessões, a conclusão é simples: nada de novo foi apresentado. Não houve respostas concretas às preocupações levantadas pelas populações, nem compromissos claros relativamente aos impactos ambientais, sociais e económicos do projeto.
"Tratou-se de uma mera operação de marketing para veicular uma imagem positiva em torno de um projeto inviável, que a própria Comissão de Avaliação classifica como tendo impactos negativos significativos a muito significativos, em alguns casos permanentes e irreversíveis", sublinham.
Os movimentos cívicos e associações ambientais salientam que a política da Lightsource "não é transparente, nem pretende ouvir as preocupações das populações. Tendo obrigado ao pré-registo, e tendo uma parte significativa da população que não fala português, não houve tradutores presentes, o que resultou em protestos e queixas por parte das populações".
Para os signatários do comunicado, iniciativas desta natureza deveriam ter ocorrido antes da primeira consulta pública, permitindo que os cidadãos participassem, de forma mais informada e consciente, num processo de decisão com consequências relevantes para o futuro do território.
"F**a a percepção que estas sessões foram essencialmente uma medida de conformidade, visando o cumprimento das exigências regulamentares, sem um verdadeiro empenho do promotor em minimizar impactos", frisam, acrescentando que as comunidades locais continuam sem saber que alterações vão ser feitas ao projeto e se o promotor vai ter em consideração as 12 570 participações na Consulta Pública e o parecer da Comissão de Avaliação.
Destacando a crescente mobilização da população e a forte participação cívica observada "que demonstra que as preocupações existentes não podem ser ignoradas", os movimentos defendem "que este tipo de projetos é inaceitável, este tipo de mega centrais deve ser colocado em áreas artificializadas e não em áreas rurais e áreas protegidas".
O comunicado é subscrito Movimento Cívico Gardunha Sul,
Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, Quercus- Núcleo de Castelo Branco, PRIP - Prout Research Institute Portugal | Cova da Beira Converge, Cidadãos pela Beira Baixa e Movimento Cívico em Defesa de Pedrogão S. Pedro e Bemposta.