03/04/2026
O DRAMA DO CALVÁRIO!...
NA SEXTA-FEIRA SANTA - JESUS VENCEU A MORTE!...
— “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem!”.
Do alto da cruz Jesus circundou o seu olhar terno e amoroso sobre as criaturas que estavam dispersas pelo cimo do Gólgota, procurando rostos amigos e entes queridos.
Finalmente identificou Madalena, Salomé e Joana de Khousa; João, o querido discípulo, e o seu irmão Tiago, sempre paciente e entusiasta; Marcos, corajoso e decidido; Tiago, maior, o fiel amigo. Mais além, quase atingindo o cimo do monte, chegava Pedro, cujo vulto alto e robusto parecia apoiar-se no seu irmão André; a seu lado, Sara e Verónica amparavam Maria, a infeliz mãe, que retornava ao Gólgota, depois de socorrida pela terceira vez dos seus desfalecimentos cruciantes ante o martírio do filho querido. Aquele quadro afectivo enfeitando as imagens dos seres que tanto ele tinha amado na sua jornada terrena, que pouco a pouco venciam o temor humano e vinham se juntar ao pé da cruz incendidos pela força da vida espiritual, satisfez Jesus e o encheu de regozijo.
A sua morte e o seu sacrifício já não seriam inúteis, pois as almas que escolhera para transmitir as suas ideias à posteridade, agora se comunicavam entre si e se agrupavam pela força coesiva dos pensamentos e dos sentimentos evangélicos, assim como as Ovelhas dispersas pela tempestade, depois se reúnem novamente sob o carinho do seu Pastor.
Mas, de súbito, Jesus foi interrompido no seu devaneio consolador pelos gritos, chalaças e escárnios dos infelizes agentes de Caifás, que antes de se retirarem do Gólgota ainda procuravam arrematar a sua ignomínia com gestos de indiferença selvagem para agradarem aos seus chefes vingativos.
Acossados pelos Espíritos das Trevas, sarcásticos o despeitados pelo triunfo indiscutível de Jesus, eles desceram à vileza de um humorismo tão negro como as suas próprias Almas.
— Desce da cruz, ó Filho de Deus! Chama teu Pai para te livrar do suplício! Guarda-me um lugar no teu Reino! Para onde fugiram as tuas Legiões de Anjos?
Salva o Rei dos Judeus no seu trono da cruz! Desce da cruz, salva-te primeiro e nós seremos teus crentes!
Enquanto riam fazendo gestos de deboche, Jesus pousou-lhes o olhar compassivo e resignado, fitando-os sem ressentimento, inclusive aos Soldados que, às vezes, riam das zombarias dos Esbirros de Caifás.
Imensa ternura invadiu-lhe a Alma, vibrando sob o mais puro e elevado Amor.
Novamente o seu olhar claro e expressivo, repleto de poderoso Magnetismo Angélico, então resplandeceu num fulgor majestoso, envolvendo aqueles seres tenebrosos num banho purificador e balsâmico, que os fez estremecer tocados pelo remorso e os fez silenciar.
Após aquela transfusão de Luz e Amor, que tributou aos seus próprios algozes, abrindo-lhes o coração para um entendimento mais feliz da Vida Espiritual, Jesus ergueu os olhos para o alto e a sua voz suave e misericordiosa então se pronunciou vibrando ditosa no holocausto da sua própria vida:
— “Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem!”.
Caros amigos, boa Pascoal!
2026-04-03 José Capinha