18/09/2026
A visita do Vice-Presidente Executivo da Comissão Europeia à Madeira deveria ter sido uma oportunidade para mostrar os verdadeiros desafios que a Região enfrenta. Em vez disso, Miguel Albuquerque optou por promover aquilo que não é mais que um projeto turístico de interesse duvidoso para a região: O teleférico do Curral das Freiras.
É difícil perceber em que medida este projeto responde a necessidades reais. O Curral das Freiras continua a enfrentar problemas ligados à mobilidade, falta de uma saída rodoviária e ao acesso aos serviços do estado e sociais. Um teleférico não resolve nenhum destes problemas estruturais. Pelo contrário, parece encaixar numa lógica de transformar cada vez mais a Madeira num produto turístico, onde os interesses económicos de alguns se sobrepõem às prioridades das comunidades.
A escolha de apresentar este projeto durante uma visita institucional europeia levanta inevitavelmente questões. Se o objetivo era mostrar os desafios e as necessidades da Madeira, porque não destacar a crise da habitação, as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, as listas de espera que continuam a preocupar tantas famílias ou a crescente dependência da Região do exterior para o abastecimento alimentar? Porque não falar da adaptação às alterações climáticas, da proteção dos recursos naturais ou da necessidade de reforçar a produção agrícola regional?
Em vez disso, o destaque foi dado a um projeto privado que muitos madeirenses veem como mais um “brinquedo para turistas”. Uma infraestrutura que poderá gerar negócio só para alguns investidores, mas cuja utilidade pública é nula.
Durante muito tempo, a presença na freguesia de Miguel Albuquerque foi praticamente inexistente. Agora, perante uma visita institucional de relevo, o Curral voltou a entrar na agenda. A coincidência dificilmente passa despercebida.
A Madeira é muito mais do que teleféricos, obras para fotografia e apresentações cuidadosamente preparadas para visitantes ilustres. Se queremos que a Europa conheça verdadeiramente a nossa realidade, então devemos mostrar também os problemas que afetam as pessoas, as dificuldades das famílias, os desafios da agricultura, da saúde, da habitação e da sustentabilidade. É aí que se mede o desenvolvimento de uma Região, e não na quantidade de atrações turísticas que consegue acrescentar ao mapa.
A EU informou recentemente que desenhará um novo paradigma para as RUP´s com ênfase nos seus valores estratégicos e de segurança, infelizmente o nosso presidente do governo esta distraído ou com a cabeça saturada por outros problemas ou questões. A visita deste alto quadro da Comissão Europeia deveria estar focada para o futuro e não transformada numa primaria visita de estudo.