30/09/2026
No dia 18/out, estaremos na Moita, a convite dos nossos amigos do Club de Ancas, para falar sobre e cantar os poetas populares - nomeadamente, o Mamarrosense Júlio Dias Gapo, pelas vozes dos seus bisnetos, os nossos Ricardo Regalado e Carlos Raposo.
Contamos convosco!
Terra(s) de Poetas Populares
dom.18OUT26
Saidinho, Moita
Há terras onde a poesia não se escreve apenas nos livros. Diz-se. Canta-se. Improvisa-se. Passa de boca em boca, de geração em geração, acompanhando o trabalho, as festas, os amores, as inquietações e as histórias de uma comunidade.
A Freguesia da Moita, em Anadia, é uma dessas terras onde a palavra popular encontrou voz e lugar. Terra de Manuel Alves, o Poeta Cavador de Vale do Boi, e de Benilde Neves, do Saidinho, guarda uma tradição de poesia ligada à vida quotidiana, à oralidade e à capacidade de transformar a experiência comum em verso.
“Terra(s) de Poetas Populares” nasce desse património e procura celebrar a poesia popular enquanto expressão cultural viva. Uma poesia que não depende da erudição para existir, porque nasce da observação do mundo, da inteligência popular, do humor, da crítica, da emoção e da memória coletiva.
As décimas, os versos improvisados, as cantigas e as quadras são, neste contexto, muito mais do que formas poéticas: são instrumentos de comunicação e de pertença. Neles se contam histórias, se comentam acontecimentos, se celebram pessoas, se questiona a realidade e se preserva uma memória que, muitas vezes, não chegou aos arquivos nem aos livros.
Reunir escritores, contadores e cantadores, músicos, investigadores e comunidade é, por isso, uma forma de reconhecer e valorizar um património imaterial que pertence a todos. É criar espaço para que a palavra dos mais velhos dialogue com novas vozes e para que a tradição não seja apenas recordada, mas continue a ser praticada, reinventada e transmitida.
Entre a terra e a palavra, entre o trabalho e o verso, entre a memória e o improviso, o Saidinho vai afirmar-se como lugar de encontro de uma cultura popular que merece ser escutada. De manhã, o Colóquio, com a moderação do escritor António Canteiro, abordará referências locais e regionais da poesia popular. O painel de oradores contará com José Machado Lopes, que enquadrará a obra de Manuel Alves, Poeta Cavador (1843–1901, com Paulo Cardoso que explicará o processo de descoberta e registo dos poemas de Benilde Neves e com Ricardo Regalado que enquadrará a obra poética do seu bisavô Júlio Dias Gapo que acabou musicada. Pelo intermeio a criatividade e o teatro de Albano Sousa Jorge na figura de Manuel Alves e o também bisneto de Júlio Dias Gapo, Carlos Raposo, musicará a poesia do seu bisavô.
Porque onde há memória, há história; onde há comunidade, há palavra; e onde a palavra se faz verso, a terra também se faz poesia e música! E assim, da parte de tarde teremos a Oficina “Voz da Comunidade”, com José Pinho, Rui Lopes e Carolina Rocha que nesta terceira edição abordará o tema “A Poesia e a Canção popular” e contará com uma pequena interpretação da Orquestra Comunitária da Freguesia da Moita - Poeta Cavador, projeto da Junta de Freguesia da Moita, com direção musical de José Pinho e direção artística do Club de Ancas e apoio da Associação Cultural Desportiva de Vale do Boi.
programa:
10H00 | COLÓQUIO “A POESIA POPULAR”
António Canteiro | Moderador
José Machado Lopes | Manuel Alves o Poeta Cavador
e performance de Albano Sousa Jorge
Paulo Cardoso | Descobrir Benilde Neves
Ricardo Regalado | Júlio Dias Gapo, escrito e cantado
musicado por Carlos Raposo
15H00 | OFICINA “VOZ DA COMUNIDADE” 0.3
“da Poesia à Música Popular” com José Pinho, Rui Lopes e Carolina Rocha
Poeta Cavador - Orquestra Comunitária
da Freguesia da Moita
organização:
Junta Freguesia da Moita - Anadia
Club de Ancas
produção:
Club de Ancas
colaboração:
Associação Cultural e Desportiva Vale de Boi
Associação Cultural e Recreativa da Póvoa do Pereiro
Promob - Associação de Promoção e Mobilização da Comunidade