25/08/2025
Temos por hábito fazer mais barulho no estádio do que fora dele. É essa a nossa função e nada mais nos é exigido. Umas vezes mais, outras menos, deixámos sempre que a nossa presença fosse marcada pelos cânticos, gritos e coreografias.
É essa a nossa função, nada mais.
No entanto, como quem não se sente não é filho de boa gente, por vezes o silêncio fora do estádio torna-se mais barulhento que qualquer hino ao Desportivo.
A época passada o Grupo Desportivo de Bragança, à décima jornada e tido como um "underdog" acabado de ascender ao CP vindo da Distrital, ocupava o primeiro lugar da tabela, o que para todos (para nós também) era como um porco em cima de uma árvore: ninguém sabe como lá foi parar mas mais tarde ou mais cedo há-de vir parar cá baixo.
E assim foi, seguiram-se 5 jogos com 3 derrotas e dois empates. Para muitos, assistia-se à normalidade, para os que assistiam os jogos, via-se o que estava a acontecer. Exceptuando o jogo contra o VSC-B (equipa que subiu à Liga3), algo de errado não estava certo. Jogos controlados ao intervalo, com Grandes penalidades (muito) duvidosas e cartões amarelos condicionadores a cada 5 minutos. No jogo com o Joane (equipa que viria a ser despromovida) o GDB já se via reduzido a 10 aos 33 minutos. Aos 89 minutos resistíamos com o empate mas todos adivinhavam a vontade da equipa de arbitragem: o golo surgiu ao minuto 90 e o GDB saiu derrotado em casa. Repete-se então a receita nos jogos seguintes: Vila Real e Vianense.
A época termina com o GDB em 3º lugar, resistindo à gravidade muito graças ao mérito dos treinadores Nuno Gonçalves e André Irulegui e de uma equipa que nunca cedeu, apesar de jogar quase sempre contra 14/15.
Entrámos agora numa nova época, equipa renovada mas a mesma ambição: manter o GDB nos nacionais e jogar o melhor futebol possível. À terceira jornada, o GDB ocupa o segundo lugar com os mesmos pontos que o 1º e à primeira vista pode parecer que as coisas estão a correr bem. Não estão.
Começou logo no primeiro jogo, em que logo aos 3 minutos fizemos o primeiro golo e aos 11 minutos já jogávamos com 10. Vermelho direto aos 11 minutos sem que nada o justificasse (nem a dureza da falta nem a geografia da jogada). Mesmo assim, após a maestria do Danny num pontapé de bicicleta, vencíamos ao intervalo.
A partir daqui as coisas ficam esquisitas: aos 80 minutos marca o Tirsense, e com 2-1 a equipa que veste de preto e não joga à bola continuou a fazer das suas: além de um tempo-extra que nada previa, surge o golo do empate aos 90+1 e mais uns amarelos e um vermelho para o GDB. Estava apresentada a época e aquilo que nos aguardaria nos próximos jogos.
Segunda jornada, visita a Celorico de Basto: mais um vermelho estranho, e como o GDB vencia aos 90, mais um tempo-extra absurdo, com o juiz a adoptar a tática futebolística do "até marcar". Como é óbvio: mais uns amarelos no prolongamento, umas faltas a tentar virar o rumo, desta vez o GDB resistiu.
E chegámos ao dia de ontem:
Um jogo que chega ao intervalo com 2-1 para o Bragança. Nas bancadas já se faziam as piadas: é melhor expulsar alguém que o Bragança só sabe jogar com 10. Óbvio: aos 57 minutos lá está um vermelho arrancado diretamente da imaginação do senhor do apito. Que seria justo se todo o seu critério se mostrasse coerente, mas não mostrou. O árbitro e a sua equipa tinham um objetivo, não contavam era com a competência dos nossos defesas e do nosso guarda-redes. Foram dados 8 minutos e jogados 12. Mais 2 amarelos no tempo extra e umas faltas em terreno perigoso, assumindo claramente o seu objetivo: é até marcar. Não deu para mais, o escândalo era evidente mas o cansaço fez com que o sr. juiz apitasse precisamente na jogada de perigo que podia ter dado o 3-1 ao GDB. E isso é que não podia ser.
Pois bem, texto está longo, quisemos apresentar as evidências antes de qualquer pronúncio sério. Com base nisto tudo, resta-nos uma conclusão: alguém não quer o GDB nos campeonatos nacionais. Não quer e deixou bem clara essa intenção. Erros são normais, não podemos exigir profissionalismo a quem não o é, mas o mínimo de decoro. Os árbitros que viajam a Bragança pagam para trabalhar e se não estão sob 35 graus estão sob frio e neve. Compreendemos a dificuldade, não compreendemos é a vingança que alguns parece exercerem. Não compreendemos sequer o silêncio da Associação de Futebol de Bragança.
Nós, enquanto adeptos deste clube histórico e representativo de uma região e de um povo, exigimos respeito à equipa de futebol, aos seus dirigentes, staff e adeptos. Ou então que nos avisem de antemão àquilo que vamos e sejam claros: lá em cima só no mapa. Sejam claros e corajosos, digam de forma inequívoca: não queremos o Bragança nos nacionais!