21/09/2026
"PODRIDÃO”? NÃO. MULHERES. PESSOAS. TRABALHADORAS.
Uma reportagem pode e deve falar de exploração, violência e tráfico. Mas quando se fala de trabalho sexual, é preciso falar também das pessoas que estão por trás das imagens.
Porque antes de perguntar “por que estão ali?”, precisamos de perguntar:
Que alternativas têm?
Quanto custa hoje uma renda ou um quarto?
Que trabalho permite a uma mãe conciliar horários, filhos e sobrevivência?
Que oportunidades encontra uma mulher migrante?
Quantas portas se fecham por causa da pobreza, da discriminação, da falta de documentação ou do estigma?
Há mulheres que encontram no trabalho sexual uma forma de garantir o seu sustento. Há quem precise de horários flexíveis. Há quem tenha filhos. Há quem tenha sido excluída de outros empregos. E há também situações de exploração e tráfico que precisam de ser denunciadas e combatidas.
Mas não podemos colocar todas estas realidades no mesmo s**o.
Uma mulher migrante não é sinónimo de vítima de tráfico.
Uma trabalhadora do s**o não é sinónimo de exploração.
E nenhuma mulher deve ser chamada de “podridão”.
A exposição também pode colocar vidas em risco.
Mostrar corpos, vozes, roupas, silhuetas, objetos ou locais de trabalho pode permitir que uma mulher seja identificada por familiares, companheiros, senhorios ou outras pessoas.
Essa exposição pode trazer consequências reais: violência, perseguição, chantagem, discriminação, perda de habitação ou até perda de outras fontes de rendimento.
O consentimento para falar com uma jornalista não deve significar o consentimento para ser identificada publicamente.
O jornalismo pode denunciar problemas sem colocar ainda mais vulneráveis em risco.
E nós queremos falar de direitos.
Direito à segurança.
Direito à saúde.
Direito à habitação.
Direito à proteção social.
Direito ao trabalho digno.
Direito à não discriminação.
Direito à privacidade.
Direito a migrar e viver com dignidade.
Direito a ter voz nas decisões que dizem respeito às nossas vidas.
Queremos políticas que combatam o tráfico e a exploração, sem transformar as trabalhadoras do s**o no problema.
Queremos respostas para a pobreza, a precariedade, a crise da habitação, a discriminação e as dificuldades enfrentadas pelas pessoas migrantes.
E queremos estar à mesa quando essas políticas são construídas.
Porque nada sobre nós deve ser decidido sem nós.
Combater a exploração não é combater as trabalhadoras do s**o.
Combater a violência não é retirar direitos.
Defender direitos não é defender abusos.
É defender pessoas.
MTS — Movimento dxs Trabalhadorxs do S**o
NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS.