04/06/2026
Obra do pintor Nadir Afonso em análise em novo livro da U.Porto Press
Nadir Afonso, arquiteto, pintor e reconhecido pensador português, pioneiro do movimento cinético internacional, é a figura central de uma nova publicação da U.Porto Press.
Nadir Afonso: para uma harmonia do ato, de Rodrigo Magalhães, “é um ensaio sobre os enunciados estéticos de uma das mais singulares e importantes teorias artísticas do século XX”, defende o autor, doutorado em História da Arte.
Nas suas palavras, a arte de Nadir Afonso deriva da “pura intuição assente nas leis da natureza”, considerando que a sua posição no território estético “é de excentricidade, ou melhor, de descentramento de qualquer ‘imperativo categórico’ (…) formulado pela lógica vigente”.
O lançamento desta publicação conjunta da U.Porto Press e da Fundação Nadir Afonso terá lugar a 11 de junho, a partir das 18h00, na Reitoria da U.Porto (Biblioteca do Fundo Antigo).
A apresentação da obra ficará a cargo de Maria de Fátima Lambert, Professora Coordenadora de Estética e Educação na Escola Superior Educação/Politécnico do Porto e coordenadora da linha de investigação em Cultura, Arte e Educação do InED – Centro de Investigação e Inovação em Educação (FCT)/ESE-P.Porto, Rui Maia, Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e membro integrado do Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM/FLUP), e Maria Nassalete Miranda, Professora convidada da Universidade Lusófona do Porto e fundadora/diretora do jornal “As Artes entre As Letras”.
A entrada é livre.
A SINGULARIDADE DA OBRA E DO PENSAMENTO NADIRIANO
Segundo Rodrigo Magalhães, autor de Nadir Afonso: para uma harmonia do ato, o objetivo deste ensaio é “revelar as possibilidades harmoniosas” de compreensão do “espaço compositivo de um corpus de obra de um artista/pensador que entende os meios de aceder à essência fulcral da arte através de uma imutabilidade geométrica intuída na natureza”.
Este espaço compositivo é descrito como “o espaço preferencial de ação desmemoriada e sem linguagem intelectiva para o capturar”, já que, como também refere o autor, a propósito da obra nadiriana, “a arte não envolve pensamento, nem estruturação ancorada na razão e imaginação, mas pura intuição assente nas leis da natureza”.
Para Rodrigo Magalhães, a teoria de Nadir Afonso “reforça a vitalidade das relações de harmonia com o espaço morfométrico de envolvência artística”.
“Interligando os pontos fulcrais da teoria nadiriana com pontos de contacto ou de fricção da estética internacional – como sistemas de diálogo ou como contraponto – acedemos a uma compreensão da importância e abrangência de um pensamento que pretende edificar uma estruturação artística sempiterna na sua constância, como reflexo inabalável das leis geométricas ordenadoras de todos os princípios formais”, afirma.
NADIR AFONSO: PARA UMA HARMONIA DO ATO é uma publicação conjunta da U.Porto Press e da Fundação Nadir Afonso. (Foto: U.Porto Press)
A produção estética de Nadir Afonso pode ser vista como disruptiva, na medida em que é apresentada como “a dinâmica flexuosa que impõe as suas próprias condições, não atinentes às impressões dogmáticas do pensamento tradicional”.
O autor explica que, “Mais do que tendências, interpretações, posições metodológicas, a capacidade que o artista tem de desmontar, excisar, retirar para sobrepor noutras modalidades, representa a assunção assumida do desvio à normatividade do pensamento estético”.
“A partir dos seus postulados, Nadir prorrompe por várias áreas do pensamento, pois a sua conceção estética seria exígua se só se conformasse à teoria pictórica”, e “a sua aplicabilidade (…) ultrapassa em larga medida a sua própria realização artística, pois aquilo que Nadir constrói serve como uma espécie de lastro, de base de sustentação ou de amparo da descarga para a metodologia estética da arte (…)”, afirma Rodrigo Magalhães”.
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SOBRE O AUTOR
Rodrigo Magalhães nasceu em 1993. É doutorado em História da Arte, versando sobre a obra de Alberto Carneiro, Pedro Cabrita Reis e Rui Chafes. Escreve regularmente artigos em jornais e revistas sobre temas das Artes Visuais, da Estética, da Literatura, do Cinema e da Música, bem como em catálogos de exposições. Em 2026 publicou Emerenciano. À procura da linha recta, pelas Edições Afrontamento.
Palavras-Chave Arte, estética, Fundação Nadir Afonso, lançamento de livro, Livros, Nadir Afonso, pintura, U.Porto, U.Porto Press