As memorias da minha terra

As memorias da minha terra Esta é uma pagina aonde irei visitar pessoas, factos e sítios que fizeram a historia da nossa terra : freguesia de Orada-Borba-Évora

Os ricos e os pobres.Existem os ricos de berço e os outros que por esta ou por aquela circunstancia conseguem  passar de...
01/10/2026

Os ricos e os pobres.

Existem os ricos de berço e os outros que por esta ou por aquela circunstancia conseguem passar de pobres a ricos . Ao longo da vida conheci alguns e , cheguei á conclusão que o homem ou a mulher que nascendo pobre e do nada passam a ricos são o pior dos ricos . E sabem porquê ?Simplesmente porque perderam a memoria e renegam a sua origem e alguns dos seus chegando mesmo ao ponto de ter vergonha dos seus progenitores . Passa nas novelas , nos filmes, nos livros mas acreditem , também se passa na vida real . A esta espécie de gente só faço lembrar que daqui não se leva nada !Absolutamente nada e dinheiro pode comprar quase tudo menos os afetos e são esses que definem quem somos e o que somos . Deitem-se e levantarem-se com o vosso dinheiro e quando morrerem pode até comprar um jazigo todo em oiro que a morte será igual . Aqui neste pequeno pedaço de terra de historia já vi quase tudo mas o pior será sempre o comprar e vender afetos .amem.

As alcunhas ou anexins, termo também usado nesta região, são sobrenomes pelo qual são conhecidas as pessoas de um determ...
26/09/2026

As alcunhas ou anexins, termo também usado nesta região, são sobrenomes pelo qual são conhecidas as pessoas de um determinado meio. Vamos lembrar mais alguns para memoria futura …Tinha mencionado «o fodas» e logo nos vem à cabeça Fernando Calça , se chamarmos pelo Chochinha nos aparece o franzino Paulo Rodrigo Ferreira, se bradarmos pelo Bajolo vem do Algarve o homem da restauração Joaquim Jose Dias Russo, se brandarmos pelo Picaro nos aparece o António Alberto, se brandarmos pelo Sapateiro nos aparece o António Catarino e se bem lembro o Jorge Pernas é o Zeca que na novela era «zeca diabo»; e o Peça Velhaco? Veio das bandas de S.Tiago Rio Moinhos e no bilhete de entidade trazia o nome António.
Duarte Jose Baltazar o homem das mil e uma noite vem de longe com a alcunha o Baço que como sabem é um órgão do corpo humano é agora o homem do café .
Do tempo do estilo hippie o Felizberto Rodrigo ficou o Gadelha !
O Luis Inacio sabe-se lá porque, f**a para a historia como o Fanaide!O Ilidio Amareleja o Seca Adegas. Domingos Lopes o Barbas, O Edgar Carapeto o Pego, o Joao Manuel Afonso o Estérico, o Jose Alberto Arsênio o Alforgeiro ...
Para terminar não posso deixar de lembrar os clássicos «engenheiro falido » Cristovao Martins, «Lirau» Manuel Domingos Amante, o Pirota, o Zé Beda , Zé Prates, o Carneirinho, o Chefe, o Bicancas , o Chavana , o Sacavem , o mola partida, o Ricardo do monte ,o Descalço, o Pele e Osso ,o zé da Horta ,Chica do Lico , o Parodias, o Margias,o Pardal, o espanhol, o Fofa ,o Calhin ,o Manhas, Bolas, o Gaimão, a Bita, e muitos muitos outros.

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Todas as terras de norte a sul do país  usam e abusam das «alcunhas»  ou como por cá se diz , dos «anexins », cognome  q...
24/09/2026

Todas as terras de norte a sul do país usam e abusam das «alcunhas» ou como por cá se diz , dos «anexins », cognome que acaba por substituir o nosso nome . Todos temos um nome que nossos progenitores registaram na conservatória do registo civil; porem ao longo da vida por esta ou por aquela circunstância moral ou física . as pessoas mais próximas de nós nos tornam novamente a batizar mesmo que não esteja por perto a pia com agua benta . E assim nasce a nossa alcunha que nos marca para a vida toda chegando em alguns casos apagar o nosso nome próprio! Exemplo : quem se lembra de Jose Maria Malavado? Poucos certamente saberão de quem falo . Porem se vos perguntar pelo Ti Rato quase todos lembram o pai do Caetano .
Se eu vos perguntar quem era Joaquim Filipe Condinho ,poucos ligam o nome à pessoa .Mas se vos falar do Badete sacristão e barbeiro , todos se vão lembrar. Também se vos perguntar quem era Joaquina Rosa Coimbra poucos saberão que era o nome da minha mãe pois por cá todos a conheciam por a «generosa»!!!e os exemplos por ser tantos fico por agora por aqui.
São anexins / alcunhas de um passado distante de gente da nossa terra . Hoje restrinjo as alcunhas ao pessoal da minha geração e posteriores . Começo pelo Joao Abelho Perdigão , rapaz nascido tal como eu no Monte da Caldeirinha . Ainda a televisão era a preto e branco e a RTP exibia a novela Escrava Isaura aonde havia uma escrava de nome Zana …Dai nasceria a alcunha do nosso Zana !Jose Antônio Sousa Raposo vinha da Palhota no seu jeito janota e também na RTP passava frequentemente um spot publicitário de uma determinada marca de conserva de peixe , concretamente atum que era uma iguaria de eleição ( ATUM ESTÁ MAIS QUE VISTO SÓ SE FOR BOM PETISCO ) e ,assim nascia mais uma alcunha que marca para sempre o nosso Pitéu; Miguel Jose Catarino de Sousa que também vinha da Palhota bonacheirão e vaidoso que começou a apreciar uma boa cerveja e um bom vinho mas foi um sumo de fruta engarrafado que acabaria por lhe dar a alcunha : Joi , Joi de Limão um refrigerante sem gás com um sabor tão único que é capaz de conquistar qualquer um; Argemiro dos Anjos Cancelino Coxixo como quase todos os rapazes gostava de dar uns bons pontapés na bola com aquele seu jeito discreto ,quando começou a fazer parte da equipa de futebol cá da terra , fazia lembrar Nenê o eterno numero Sete do Benf**a que tinha uma particularidade , marcava muitos golos sem nunca sujar os calções ! Ficou para sempre " o sete ". Também por causa do futebol Joao Jose Martins Calhau e a sua maneira de jogar em campo ,fazia lembrar o elvense PATALINO . F**ando para sempre o Patalino da Orada . Todas as terras tem um Zé e muitas tem até muitos . Por cá sempre houvera muitos mas um se destacava pela sua envergadura física , Jose Vicente Salema Dias o nosso eterno Zé Grande . Não sei se o Joao Carlos Botas teve alguma tara com carroças …? Ficou do dia para a noite o Carroças . Se já tínhamos uma carroça passamos também a ter um Rodas , Alberto Jose Perdigão Cascalheira .No bairro do Rossio Norberto Luís Amante Catarino usou em tempos penteados surreais e alguém o batizava para sempre Bicho ou Bichinho ; os manos Agnelo dos Anjos Abelho Baltazar e Alberto Jose Abelho Baltazar seriam prendados respectivamente como Penteia e o Mestre Zé do Carraças , sabe-se porque santo Deus ...? O Vicente Jose Arraiano Mendes que ia buscar o leite com e no seu jeito atrapalhado de falar lá f**aria o Coteira ; o Joao Maria Coxixo Lopes que veio da Alcaravia montado na sua «famel» amarela exibido a sua bota de cabedal de cano alto era alcunhado de Carica . Na Horta Cego do Joao Morgado nascia o BILL e do Nelson Morgado o Mata e nos Estanques o Gil foi para a policia e ficou sargento mas o mano Carlos Manuel sem fazer a tropa ou escola militar saiu o nosso Major sem divisas . Paulo Caetano Mendanha Coxixo o Carrão , mano Orlando dava à estampa o Lagartixa . Ludgero Henriques o Cheira Leite sabe-se lá porquê...O meu eterno caga no ninho Joao Carlos seria o Kito da Orada e arredores .
Humberto Nascimento Mendanha Moreira , o nosso Rapa ;o Joaquim Mariano Perdigão Leitao f**ava o Q**m do Pisão e o Paulo Jorge Sá Catarino o Pacote , o mano Joao Carlos Sa Catarino o Pastor ! o Sergio Manuel Bispo Cardoso ficou Bacana e o mano Luís o Zupp. E para terminar o nosso saudoso Norberto Garcia que era o Navalhas (também figura de uma telenovela brasileira) que passou por cá , Cajarana também de outra novela Pai Heroi seria a alcunha do André Garcia. Outro que nos deixou saudade o Joao Antônio Alves um branco loiro que f**a para sempre o eterno Branquinho ...
E o Bajolo ? o Fodas ? O jaqueta ? O Alforgeiro? Esses f**am para a continuação da historia das alcunhas/ anechins da nossa terra.

AMOR A PRETO E BRANCO.Da estrada a que chamam «nova» por ser de alcatrão, avista-se a albufeira que se sabe- se lá porqu...
23/09/2026

AMOR A PRETO E BRANCO.

Da estrada a que chamam «nova» por ser de alcatrão, avista-se a albufeira que se sabe- se lá porque lhe chamam albufeira do Gato. Gato é também o sobrenome de Francisco, o companheiro da Deolinda Rufino conhecida por todos na terra e arredores, pela Linda do Rufino. Dizem as más línguas que se casaram contrariados! O pai da Deolinda não nutria simpatia pelo Francisco e por outro lado Deolinda tudo fazia para apagar a memoria do seu primeiro amor que perdeu a vida ali mesmo nas aguas turvas da albufeira que por ironia do destino f**ava ali da vida da Deolinda para sempre tão perto da sua casa .
Talvez fosse por isso que Deolinda sempre que passava na estrada não olhava para aquele lago de aguas paradas .F**ava sempre com a impressão que ouvia alguém aflito brandar por ela noite e dia . Porem aquela porção de aguas paradas á berma da estrada de alcatrão era nos quentes dias estios o paraíso na terra para os gaiatos que como os pardais , aparecem sempre em bando .Ali rapaziada nadavam , pulava e gritava como se não houvesse amanhã e só acordavam para a realidade quando alguém lá de longe bradava o seu nome com a ameaça de quando chegar a casa um par de palmadas podia acontecer . Foi ali que muitos aprenderam a nadar, nem que fosse como os cães que são animais que nascem dotados desta capacidade sem necessidade de aprendizagem.

Linda e Francisco moravam numa casa virada ao sol poente. Como todos os casais sonhavam que Deus lhe concedesse a graça de um ter um filho… Essa graça chegaria e nascia naquela modesta casa uma criança do s**o masculino que encheu a casa do chão ao teto de uma esperança renovada de encontrar a felicidade. Mas a sombra da morte apareceu numa noite envolvida por violenta tempestade de chuva e ventos fortes ; os eucaliptos na encosta da albufeira trouxeram a alguns partiram mesmo e no leito da albufeira apareceu do nada uma torrente de agua suja que galgou o os muros da albufeira levando tudo à sua volta .O vento e a chuva silenciou a dor incomparável de perder um filho. Deolinda era outra vez rasgada de dentro para fora e Francisco sentado numa cadeira com a cabeça especada pelos mãos ossudas e calejadas de homem de trabalho , lamentava sem parar a sua má sorte e interrogava incessantemente o Criador « porquê, porquê... » que fazia eco no teto da casa . A tremula e fraca luz do canteiro projetava na parede duas sombras em sintonia numa perca que seria para sempre … Naquele tempo em Portugal e na nossa aldeia ,morriam muitas crianças havendo mesmo a necessidade de criar no cemitério da terra, a ala dos anjinhos que partiam como nasciam: em pecado original que segundo a santa madre igreja, apenas se limpava pelo sacramento do batismo. As mães ainda choravam mais pois esta ameaça f**ava a martelar na cabeça e no coração de cada uma ; choravam os filhos desalmadamente e, ao mesmo tempo aquela aflição sem tamanho só de pensarem que o seu menino andaria num limbo até limpar, para então poder entrar no Reino do Céu. Anjos em agonia eram os nossos meninos que por causa de Adão e Eva terem comido o fruto proibido nos condenou à morte e nos marcou logo ao nascer com a maldição do pecado .

Um filho é sempre uma esperança, uma via para ligar o que muitas vezes não se liga; casamentos por amor eram poucos, a maioria à época, caracterizavam-se matriz da conveniência das partes ou das preferências da família. Entre Deolinda e Francisco aconteceu esse pacto e nunca o quebraram. Respeito mutuo exercido paradoxalmente pela submissão da mulher à vontade do homem. Linda vinha de origem modesta, família sem recursos que pelo trabalho de sol a sol conseguiam sobreviver num tempo em que muitas nem se tinha aonde cair morto e era que a roupa do corpo o seu único patrimônio . Trabalhavam de sol a sol para conseguir a sopa do dia e muitas vezes nem o trabalho impedia a entrada em casa da escuridão da fome .
Francisco também de origem modesta mas trazia alguns pergaminhos da família nomeadamente serem proprietários de umas casitas e alguns metros quadrados de terra.
Francisco vivia com medo de morrer a qualquer momento e isso deixa nele uma vontade quase doentia em segurar o seu patrimônio . Sabia que a família da Linda não o suportava e quiçá , não teria confiança na mulher que tinha em casa . Mas se ele soubesse o que a vinha , certamente entregaria de coração tudo o que tinha e não tinha à sua mulher Deolinda .
Ficou então escrito pelo Francisco que Linda teria uso e fruto da casa, mas depois da sua morte essa pertencia por inteiro a seu afilhado. Linda resignou-se e, nem depois de passar uma vida inteira a tratar do marido que muito cedo sofreu um AVC que o deixou invalido para o resto da vida.

Com a dignidade de uma rainha, Linda fez da caridade ao marido o seu modo de vida. Sozinha lhe fazia a higiene como se fosse o seu bebe que deus levou tão cedo; a m***a e a urina passavam - lhe pelas mãos e pelo nariz sem que se manifesta-se algum sinal de repulsa . Aquela era a sua sina e aceitava como se fosse a vontade de Deus . Naquele tempo não haviam as tão uteis fraldas descartáveis; as fraldas eram trapos, pedaços de tecido de roupa velha que eram usados até exaustão; também não havia maquina de lavar roupa . Linda passava num via e vem a caminho da ribeira para lavar os cueiros não do seu menino, mas sim do seu companheiro de vida. Usava a força bruta para o levantar e o deitar na velha cama de ferro deixando no corpo mazelas para a vida inteira como o tão falado «bico de papagaio » de que sofreu até ao fim da sua miserável existência .
Francisco tinha também crise frequentes de espasmos incontroláveis que criava insegurança , medo piorando ainda mais o quadro da miséria reinante . Para poder descansar alguns momentos Deolinda usava lençóis cruzados ,envolvendo o esqueleto do Francisco que era posteriormente atados à barra da cama ou às costas da cadeira para evitar quedas.
O ma***to treme-treme tornava impossível a Francisco se alimentar pelas suas próprias mãos! Linda com paciência de Jô, demorava horas para conseguir que este engolir-se uma colher de sopa ou uma simples pinga de água! Francisco babava-se constantemente e, Linda quando o trazia para apanhar sol no final das tardes, tinha que estar por perto sempre munida de rolos de rodilhas, pedaços de pano que limpavam a baba e ,enxotavam as moscas que nestas alturas tem uma faro para a miséria, incomparável… A pobre mulher não tinha um minuto de descanso. Mas não se queixava.

Linda era uma mulher de pequeno porte e muitas vezes a sua pequena estatura física ,impressionava a sua força quase sobrenatural . Com esta cruz transportada no o calvário do Francisco, ainda tinha tempo para limpar a casa, fazer o lume de chão e as refeições. Aqui não havia nem um simples fogão a petróleo, era o lume de chão que aquecia a casa e servia para cozinhar os alimentos. A mobília na casa da Linda era de uma pobreza «franciscana»; uma mesa com alguns copos, tigelas e garrafas, uma arca, quatro cadeiras, e uma mesita de quatro pés em redor da qual faziam as refeições.
Na branca parede da casa um louceiro com meia dúzia de canecas e pratinhos, ao lado talvez a peça mais rica do seu modesto enxoval: um relógio de parede que as horas soltava de dentro das suas entranhas um cuco a cantar.

Certo dia Francisco ficou subitamente inerte de olhos parados sentado naquela velha cadeira amarado com velhos lençóis …foi levado em braços pelos vizinhos para a cama aonde ficou num ronco agoniante que lentamente se extinguia e sem um ai ou um ui, partiu em silencio …Os seus olhos escancarados pareciam ter vontade de voar dali e sair pelo teto do quarto para ir beijar a lua que naquela noite iluminava a aldeia inteira com a sua cor branca da paz. Até na hora da morte Deolinda manteve a dignidade e munida de um simples bacia com agua morna porque os mortos podem ter frio , lavou o corpo do marido, lhe desfez a barba e penteou os poucos cabelos que lhe restavam na cabeça .Vestiu-lhe o melhor fato que tinha lá por casa , fechou-lhe os olhos e a boca e disse-lhe adeus num pranto que parecia não ter fim ...
Deolinda vestiu-.se então de preto para sempre continuando a soletrar uma ladainha entre a tristeza e a angustia difíceis de entender.
Agora f**ava na sua modesta casa sozinha numa solidão que será só dela aliviando a cruz que s carregou por muitos e muitos anos…

Porem Deolinda tinha um coração de uma bondade infinita. Não se cansava de fazer o bem e foi de braços abertos que recebeu o pai em sal modesta casa … Rufino precisava de alguém que se olha por ele. Estava velho e cansado e embora tivesse outros filhos, Deolinda sentiu que só ela podia ser a eleita para carregar mais uma cruz… E assim foi até ao dia em que o Rufino no seu vicio desgraçado pelo tabaco, arriscou descer o peal que dava para o quarto para tirar da gaveta da mesinha de cabeceira, o maço de Kentucky que linda tinha guardado para evitar consumo excessivo de ci****os. Foi uma senhora queda e da qual resultou fratura da bacia que em poucas semanas lhe ceivou a vida. Agora sim finalmente só com tempo para desviar o rosário de magoas que foi toda a sua vida.
Dias depois da sua morte a família reuniu-se na casa de Deolinda para fazer a partilha da herança. Por muito miséria que reine na nossa casa f**a sempre alguma coisa e f**aram um punhado de trastes velhos que ninguém quis a não ser o tal relógio que as horas soltava das entranhas um cuco a cantar. Este relógio acabou na casa de meus pais mas deixou de funcionar e o pai vendeu nas velharias em Borba. N a velha arca de madeira um espolio que todos disseram ser lixo mas não era : Deolinda guardara todos os livros e cadernos do marido que ao contrario dela andou na escola e sabia ler e escrever . Foi este patrimônio que trouxe para casa e guardei como memoria dos afetos que f**am esquecidos no fundo de um baú …foi um amor em tempo de miséria ou apenas uma farsa da vida ? Nunca saberemos . Fazendo cumprir a vontade do Francisco , Deolinda entregou as chave da casa ao afilhado do marido.

Princípio meio e fim, eis a regra do nosso tempo.Ainda trago dentro de mim a criança que um dia nasceu, bebeu o cálice d...
01/09/2026

Princípio meio e fim, eis a regra do nosso tempo.
Ainda trago dentro de mim a criança que um dia nasceu, bebeu o cálice da esperança, acreditando que todos os homens nascem para ser felizes… Todas as estações do ano vão e vem, num perpétuo movimento fazendo-nos acreditar que o que nasce nunca morre.
A criança acredita agora que Deus é a garantia da esperança, da verdade e da justiça.
A criança crente desse tempo, tinha muitos dias de refúgio para dialogar com DEUS. Emprenhado no mato longe de tudo e de todo e, por entre as giestas, ajoelhando-se no chão seco e duro, de olhos postos no céu, rogava a Deus que mãe nunca morre-se , que o pai nos soube-se amar e ,que na mesa o pão nunca falta-se …Depois saia do mato cheio de paz , cheio de luz na firme convicção que todas as suas preces eram ouvidas!
Mas quando chegava a casa a paz e a luz dava lugar à discórdia, á escuridão. que alimentava. Tudo continuava igual: a mãe doente e triste, o pai não nos sabia amar e, na mesa a mesma miséria de sempre… Á noite envolto na escuridão nos frios lençóis de pano, chorava e já sentia pena de mim. Então baixinho perguntava a Deus, porque nunca escutava as minhas preces? Mas na escuridão do quarto só f**ava como resposta, um profundo silencio só quebrado pelo bafo de gente cansada triste a dormir o sono dos justos.
A primavera veio trouxe aromas, cheiros novos e, nos campos, planta ao deus dará, flores de todas as cores, as arvores mudam de roupa e, os pássaros cantam, fazem os ninhos espalhando na terra beleza e harmonia. Na primavera enganava-se a tristeza …Vinha o verão e o calor ardia quase sempre de dia e noite … Nas noites de verão quando lua f**a cheia até o candeeiro f**a inútil e se contam histórias de homens que viram bichos e mulheres endoidecem e fazem amor nas eiras com beijos ardentes a cheirar a trigo.... Agora no horizonte o sol se começa a por cada mais cedo e as arvores se despem, f**am nuas e os gatos à noite miam parecendo crianças em choro aflito. É o outono que chega e parece ser o mais curto porque do nada, f**a frio e começam as geadas. Traz o natal o inverno que para muitos é festivo, mas que para outros tantos, tudo passa sempre igual, fazendo parecer que o Menino Jesus gosta mais de visitar os meninos ricos que os meninos pobres! Os meninos pobres acordavam na manhã seguinte muitas vezes com uma mão cheia de nada a olhar os meninos ricos que mostravam alegres e contentes «os presentes do Menino Jesus». A magia continua em num perpetuo movimento, pois se o inverno vai acabar, já se anuncia outra vez a chegada da primavera.
Vieram muitas «primaveres«, muitos «invernos», muitos verões e muitos outonos e a criança tinha agora corpo e figura de homem .Porem o menino triste e revoltado continuava lá e não havia maneira de ir morar para outro lado e, para disfarçar ria e cantava como se fosse o homem mais alegre e feliz do mundo !Um dia pensou em matar« o menino triste , revoltado» mas em vão : nada nem ninguém consegue alterar a nossa essência . Resta portanto aceitar quem somos e sempre na vertical e fazer cumprir o nosso fado.

Morava  em Arcos mas nasceu na ORADA.F**a o registo do seu óbito.Condolências á familia .
27/08/2026

Morava em Arcos mas nasceu na ORADA.
F**a o registo do seu óbito.
Condolências á familia .

Quando os homens enlouquecem  até os cães padecem.Porque hoje, os homens    sabe-se lá porque ?  decidiram fazer do dia ...
26/08/2026

Quando os homens enlouquecem até os cães padecem.

Porque hoje, os homens sabe-se lá porque ? decidiram fazer do dia 26 de Agosto o «dia internacional do cão» esse bicho de quatro patas que desde sempre foi chamado «o melhor amigo do homem ». Sim porque os cães amam incondicionalmente os seus donos embora muitas vezes tratados de forma bem pouco simpática, para poupar nas palavras .
Desde de miúdo que lá por casa houve um cão que coitados comiam o que sobrava- quando sobrava - que dormiam na rua ou na cabana ,quando havia. Cão era da rua e o gato era de casa era assim que se falava na altura ...
Meu pai era ganadeiro , pastor por assim dizer e, nas lides da pastoris a ajuda de um cão era sempre uma mais valia que podia poupar muitos passos e muitas dores de cabeça ao longo da jornada de trabalho .
De todos os cães lembram em especial , uma cadela preta chamada a Portuguesa .Era um prazer vê-la trabalhar no terreno subindo e descendo outeiros e montes . Quando a chamada ovelha gulosa se atrevia a entrar em propriedade privada ao assobio do pai, ela entendia logo que tinha que entrar em ação e, de forma competente , decisiva num aspes reunia o rebanho no sitio certo. Tinha um faro apurado para a a caça e odiava cobras ! Era vê-las e f**ava possuída por uma raiva incontrolada enfrentando o réptil sem medo e, sempre decisiva em acabar com a b***a .
Nesse tempo as cobras abundavam pelos matos e, os senhores da caça viam nelas um inimigo para a sua indústria .Surge então à época a ideia de criar um incentivo para acabar com elas . As cobras tinham apetência especial pelas crias de coelhos , ovos das perdizes . Era grande o prejuízo para a indústria da caça que os ricos exploravam a seu belo prazer na herdade da Peruzinha e assim por cada cabeça de cobra ou lagarto entregue ao fiscal da herdade éramos recompensados com dez ou cinco tostões respectivamente .
Sempre que a Portuguesa eliminava uma cobra ou um lagarto meu pai cortava um fino pau de freixo aonde espetava as ditas cabeças para serem entregues ao fiscal no monte . No tempo da miséria qualquer tostão iluminava a esperança em ter numa vida melhor sobretudo na alimentação.
A Portuguesa morreu de velha e deixou muitas saudades e memorias.
Um dia nos confins do mato meus olhos testemunhavam um crime que um homem executou pela calada da noite .
O ganir arrastado e penoso de um cão , o vernáculo zangado de um homem chamou-me a tenção que murmurava entre dentes « não prestas para nada cão danado … Só serves para comer sopas e pouco mais ...
Mas não voltas mais a comer nem sopas nem borregos …Estava irado possuído pelo diabo e não via nada em seu redor .
Ao que parece o pobre cão numa brincadeira mais atrevida mordeu um dos seus cordeiros de estimação e morreu.
Subitamente instala-se no mato um silencio aterrador .Até os pássaros se calam . O homem vai em passo apressado pelo outeiro acima e o cão santo Deus aonde ficou ...? Corro na direção do local de aonde saíra o homem a passos largos e, meus olhos nem queriam acreditar no que viam: pendurado pelo pescoço de uma velha azinheira debuxava-se o pobre animal numa agonia para a morte .
Não incito um só segundo e corro na tentativa de ainda chegar a tempo de salvar o cão daquele enforcamento covarde e miserável.
Filho de pastor alentejano traz sempre consigo uma navalha que s**o do bolso e rapidamente corto o cordel que sufoca o pobre bicho...Este cai inerte no chão de olhos abertos e com um lágrima no canto do olho . Santo Deus , chegava tarde de mais … Iluminado quiçá por uma força divina , abram a boca do cão e respiram para dentro ao mesmo tempo que massajo o seu peito desesperadamente . Nada sabia das técnicas de RCP mas uma força divina segredou ao meu ouvido e assim procedi e, o meu oxigênio abre as portas da vida novamente . O animal esta ofegante , desorientado mas abana sem parar a sua cauda numa clara manifestação de agradecimento por alguém desconhecido lhe ter salvo a vida .
F**amos ali assustados com a tremenda duvida existencialista :qual o caminho a seguir ? O sol escondia-se por entre azinheiras e sobreiros e a noite ameaçava trazer a escuridão . Tinha que voltar ao monte mas aqui neste nos confins deste aonde alguém nitidamente perturbado entrou com esta ma***to propósito de enforcar um animal que segundo ele «não servia para nada» e, lhe tinha matado um cordeiro !
Eu e o cão tínhamos agora o grande dilema para resolver :que caminho a decidir ? Cada um para seu lado ou arriscar aparecer lá por casa com mais um boca para alimentar ?
O cão pulava e gania de contentamento a minha volta e nos seus olhos à pouco parados e mórbidos , brotavam de uma imensa ternura que derretia o mais cruel dos corações .
- Vamos , há-de ser o que Deus quiser .

Todas as terras  se fazem com gente . São as pessoas que fazem a historia de uma aldeia, vila ou cidade . As pessoas não...
25/08/2026

Todas as terras se fazem com gente . São as pessoas que fazem a historia de uma aldeia, vila ou cidade . As pessoas não são ilhas . Nascem e crescem agregados e a célula principal deste processo foi é e será , a família. O nome é a nossa primeira marca que nos ira acompanhar nas prolongar nas gerações seguintes . Até o mais triste dos miseráveis tem um nome, uma marca .
Aqui na ORADA o processo não sofreu alterações . Aqui nasceram nomes apelidos que perduram no tempo.
Não tenho dados rigorosos sobre o assunto . Baseado na realidade que conheço aqui continuaram ou começaram famílias que como todas tem a marca no apelido . Os mais conhecidos vão deste os Silva , os Raposo , os Afonso, os Ferreira, os Abelho , os Baltazar , os Amante , os Coxixo, os Sousa , os Catarino, os Calhau, os Marino, os Monteiro, os Pisco, os Ermitão, os Dias, os Carapeto, os Rodrigo, os Calça, os Ameixa, os Martins, os Véstia, os Amareleja, os Azeitona, os Cardoso, os Freire, os Carvalho, os Leitão, os Amareleja, os Perdigão, os Latas, os Mota, os Coimbra, os Jaleca, os Salvador , os Trindade, os Assunção, os Bispo, os Faia, os Sá, os Rodrigues, os Capelinha, os Pernas, os Botas, os Capaleve, os Freire, os Cadete, os Lopes, os Alves, os Rato, os Cortes, os Garcia, os Mendes, os Henriques, os Canhoto, os Arvana, os Moreira, os Calças, os Espada, os Russo, os Rebola, os Barroso, os Guerra, os Gaspar, os Rosado, os Santos, os Morgado, os Caneira, os Quintas, os Canholas, os Dimas, os Salema, os Mendanha, os Pintão, os Cebola, os Calhau, os Peixe, os Costa, os Lagarto, os Peruzinha... Lista quase infindável. Certamente alguns não consegui lembrar! Preciso da vossa ajuda … Se lembrar agradecia informação.

A irmã gêmea da nossa padroeira
25/08/2026

A irmã gêmea da nossa padroeira

Sempre ouvi por cá  que dizer «santos da casa não fazem milagres »! Azinhal Abelho  um filho da terra que muitos teimara...
20/08/2026

Sempre ouvi por cá que dizer «santos da casa não fazem milagres »! Azinhal Abelho um filho da terra que muitos teimaram em esquecer .Não sei se foi melhor ou pior que outros mas pela obra que deixou se pode confirmar em absoluto que adorava a sua terra , a sua gente .Legou no fim da sua vida à junta o seu espólio do qual faz parte a sua obra literaria .

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