09/10/2026
A FALTA DE EMPATIA DOS JOVENS COMEÇA, MUITAS VEZES, EM NÓS.
Criticamos os jovens pela frieza, pelo egoísmo e pela incapacidade de se colocarem no lugar do outro. Mas esquecemo-nos de uma verdade incómoda: fomos nós, os adultos, as suas primeiras figuras de referência.
Como podemos exigir respeito quando tantas vezes lhes mostramos desprezo? Como podemos ensinar empatia quando normalizamos a arrogância, a humilhação e a indiferença perante o sofrimento alheio?
Os jovens aprendem muito mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que lhes dizemos.
Criámos uma sociedade onde se confunde sinceridade com crueldade, autoridade com arrogância e liberdade com ausência de responsabilidade.
E depois admiramo-nos com a falta de valores das novas gerações.
A empatia não se exige. Ensina-se pelo exemplo.
Antes de apontarmos o dedo aos jovens, talvez devêssemos olhar para o espelho.
Porque a maior falha de uma geração pode não estar naquilo que deixou de ensinar, mas no péssimo exemplo que deu. Paula Varandas