18/04/2026
Pelo 2º ano saí do Education Summit com um misto de admiração… e inquietação!
Admiração pela dimensão do evento, pela qualidade da organização, pela capacidade de juntar tantas pessoas em torno de algo que, sendo honesta, ainda não ocupa o lugar que deveria ocupar na sociedade: a educação. Criar este espaço não é pequeno. É necessário. E é corajoso.
Sou profundamente apaixonada por pedagogia. E esse caminho não foi linear. Não se fez dentro de uma única corrente. Fez-se no confronto entre ideias, na dúvida, na tentativa, no erro, na prática real com crianças reais. Fez-se a misturar o que, à partida, não era suposto ser misturado.
E talvez por isso tenha sentido falta de algo essencial: diversidade pedagógica viva.
O mundo está cheio de projetos extraordinários. Ambientes onde a educação acontece com intenção, com rigor, com humanidade. Lugares onde se experimenta, onde se erra, onde se constrói. Onde a pedagogia não é discurso. É prática.
E esses lugares precisavam de um palco maior.
Assisti a oradores muito bons. Inspiradores. Mas, para quem já caminha neste terreno há anos, senti também alguma repetição. Mensagens seguras. Validadas. Confortáveis.
E talvez seja aqui que precisamos de parar e perguntar:
Será que a educação precisa de mais validação… ou de mais coragem?
Senti falta de provocação. Daquela que nos tira do lugar. Daquela que nos obriga a rever práticas, a desmontar certezas, a assumir responsabilidade.
E senti também outra ausência difícil de ignorar: visão sobre o futuro. Como se ainda estivéssemos numa fase de decidir se a tecnologia e a IA entra ou não entra na educação. Mas essa decisão já não existe. Ambas já estão dentro. Já estão a moldar processos, ritmos, expectativas.
Os discursos, muitas vezes, pareceram desajustados da realidade de 2026. De um tempo onde tudo acelera, onde o conhecimento se expande a uma velocidade que não acompanha os modelos tradicionais. Não podemos continuar a separar processos: pedagógicos de um lado, tecnológicos do outro - como se fossem mundos distintos.
Não são.
Ou integramos com consciência… ou ficamos irrelevantes.
E por fim:
Não precisamos de mais palmadinhas nas costas.
Precisamos de um abanão.
Um abanão que nos devolva a autoria da prática pedagógica.
Que nos faça sair do discurso e entrar na ação.
E, sobretudo, que convoque as famílias, não como espectadoras, mas como parte ativa, responsável e inadiável no processo educativo.
O Education Summit é, sem dúvida, um palco poderoso.
Agora a pergunta é:
Estamos prontos para o tornar também um palco de confronto real entre visões, práticas e caminhos?
Porque é aí que a educação começa verdadeiramente a transformar-se.