27/08/2026
"Poder estrear o meu segundo solo num lugar onde estive poucas vezes mas que, de imediato, se tornou casa, foi das experiências mais bonitas este ano. Quando me chega o convite da Ana sobre a sua vontade de me querer ver a actuar em sua casa sem qualquer referência prévia, a minha reacção foi de ansiedade e algum medo. Não pelo convite em si, mas por nem sempre acreditar em mim e na minha arte. Mas depois de meio ano a preparar esta apresentação, entre vozes da minha cabeça e trocas de mensagens com a Ana, percebi que não haveria sítio mais bonito para este solo de stand up ver a luz do dia pela primeira vez.
A verdade é que, mesmo estando um pouco nervosa, senti-me tranquila e confiante a fazê-lo - por saber estar ali, rodeada de amores que nunca me deixariam cair. Ou no limite, cairiam comigo.
Assim que comecei, o nervoso deu lugar a um à vontade e a uma confiança que eu não sabia ter em mim.
Escrever é bem difícil. Improvisar, mais ainda. Ter piada é a tarefa mais árdua do mundo. Conciliar e dar consistência a este triângulo das bermudas é quase heróico.
Durante aproximadamente 50 minutos, tornei a minha cabeça leve, procurei não pensar muito e divertir-me bastante.
Acho que é esta a minha arte e, - ainda assim - a pertinência sempre presente.
Sinto que o melhor deste solo é deixar o público entrar nele sem qualquer imposição ou pressão. Eu abro a porta, e o que acontece a seguir, é um baile.”
Mia Meneses em versão Como um dia de Domingo .