19/04/2026
As Guardiãs do Entre-Luz
Dizem que, quando a noite se aproxima do mar
e o céu começa a acender as primeiras estrelas,
há um momento muito breve…
em que dois mundos se tocam.
Não é visível para todos.
Mas quem está em silêncio…
sente.
É nesse instante que chegam as guardiãs.
Não vêm de longe —
apenas deixam de estar escondidas.
Trazem consigo pequenas fadas de luz,
tão leves que parecem feitas de respiração
e brilho de estrelas esquecidas.
Caminham entre as pedras,
pousam na água quieta das marés baixas,
e deixam cair algo que não se vê…
mas que muda tudo.
Dizem que recolhem o que pesa,
aquilo que ninguém conseguiu dizer,
os cansaços antigos,
os silêncios guardados no peito.
E, em troca,
deixam coisas muito simples:
um bocadinho de leveza,
um sopro de coragem,
uma espécie de paz que não precisa de razão.
Nada disto f**a à vista.
Mas, às vezes,
quando alguém passa ali
sem pressa…
sente um calor suave no coração,
ou um pensamento que se ilumina sem esforço,
ou apenas… vontade de sorrir sem motivo.
As guardiãs não f**am.
Nunca f**am.
Desaparecem antes de serem vistas,
levando consigo o que já não é preciso.
E as fadas…
essas f**am por mais um instante,
a brincar com a luz das estrelas
como se estivessem a lembrar o caminho.
Depois… tudo volta ao normal.
Ou talvez não.
Porque há noites
em que o mar guarda segredos,
e quem passa por ele
leva consigo mais do que imagina.