24/09/2026
Com o nascer dos primeiros raios de sol, lavradores deslocam-se de diversos locais do lugar para a eira do lavrador rico ou abastado. Cantam cânticos pelo caminho para os motivar a chegar ao local.
Chegando à eira, circulam o monte de espigas que tinham sido previamente apanhadas. Alguns lavradores concentram-se no meio para carregar nas gigas as espigas desfolhadas e outros estão já à espera para as guardar no canastro.
Durante a desfolhada são entoados cânticos para ajudar no trabalho. Por vezes é encontrada uma espiga encarnada, comemorada efusivamente com os elementos na roda com um abraço e um “xiiiiiiiii”.
Entretanto surge o Serandeiro, com o seu capuz, capa pelas costas e lenço a tapar a cara. Está na eira para vigiar a sua namorada dos rapazes mais atrevidos, no entanto, aproveita-se do facto de ninguém o reconhecer para meter conversa com outras raparigas. Leva um cajado na mão para se proteger dos rapazes ciumentos e das possíveis zaragatas que possam acontecer.
Terminada a escapelada, o folho é arrumado para um canto da Eira. O lavrador rico ou abastado distribui pão, castanhas e vinho aos lavradores.
Animados pelo vinho, cantam e dançam com recurso a instrumentos simples ao som de cantares ao desafio. A escapelada só termina com um “vira da escapelada” que prolonga-se até a folia dos dançadores e a inspiração dos cantadores acabe.