Paróquia de S. Tiago de Amorim

Paróquia de S. Tiago de Amorim Página oficial da PARÓQUIA DE SÃO TIAGO AMORIM, Arciprestado de Vila do Conde/Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga.

CAMINHOS de AMORIM é a página oficial da Paróquia de Amorim. CAMINHOS em primeiro lugar como homenagem ao nosso padroeiro São Tiago. Mas também porque a vida é um CAMINHO para a casa do Pai, um CAMINHO que não fazemos sós, mas sim uns com os outros, amparando-nos e animando-nos mutuamente em direção à meta.

É também um CAMINHO que queremos que seja feito com alegria e boa disposição, até porque "um cristão triste, é um triste cristão".

14/06/2026

Momento sempre muito especial - o fogo de artifício nas Festas em Honra de Santo António e S. Tiago de Amorim 2026.

Papa Leão XIV: só a Omnipotência do amor, e não uma super potência, nos salvará da guerra.Com a solenidade de Pentecoste...
24/05/2026

Papa Leão XIV: só a Omnipotência do amor, e não uma super potência, nos salvará da guerra.

Com a solenidade de Pentecostes, chega ao fim o Tempo Pascal. Ao celebrar a missa na Basílica Vaticana, Leão XIV afirmou que a humanidade é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável.

“Rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma super potência, mas pela Omnipotência do amor.”

Com esta invocação, o Papa concluiu a homilia pronunciada na celebração eucarística por ocasião da Solenidade de Pentecostes, presidida na Basílica de São Pedro com a participação de cinco mil fiéis.

O Pontífice deteve-se no Evangelho do dia, que narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, mostrando-lhes «as mãos e o peito». O Senhor revela o seu corpo glorioso, isto é, as suas chagas, as feridas da crucificação. Estes sinais da Paixão, explicou Leão XIV, são mais eloquentes do que qualquer discurso, pois Aquele que estava morto agora vive para sempre.

Ao verem o Senhor, também os discípulos voltam à vida. No mesmo cenáculo onde instituiu a nova e eterna aliança, Jesus infunde o Espírito: o lugar da ceia e da traição transforma-se e, de sepulcro dos Apóstolos, torna-se para toda a Igreja seio de ressurreição. Por isso, acrescentou o Papa, o Pentecostes é festa pascal e festa do corpo de Cristo, que nós somos por graça.

Na sua Páscoa, Cristo estabelece a paz entre Deus e a humanidade, e o Espírito Santo infunde-a nos corações e difunde-a pelo mundo. Esta paz, observou o Santo Padre, provém do perdão e nos leva ao perdão. Jesus nos confia assim uma obra divina, porque só Deus pode perdoar os pecados, e tal autoridade é concedida em sinal de uma reconciliação universal. Deste modo, o Pentecostes realiza-se como festa da Nova Aliança: a aliança entre Deus e todos os povos da terra.

“Por isso, com o nosso coração podemos invocar: «Veni Sancte Spiritus», porque Ele já nos foi dado. Podemos desejá-Lo, porque já nos foi prometido. Podemos acolhê-Lo, porque Ele próprio é o doce hóspede da alma.”

A missão foi o segundo aspecto salientado pelo Papa. «Assim como o Pai me enviou», diz o Senhor, «também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Somos deste modo envolvidos na missão de Jesus. Agora que os Apóstolos receberam o Sopro do Ressuscitado dentro de si, este anúncio sai da sua boca, tem a voz de Pedro e dos que estão com ele.

"Somos verdadeiramente participantes do Evangelho: toda a Igreja é dele protagonista, não apenas guardiã", disse o Papa. Com a força do Espírito, o anúncio enche-se de alegria e esperança. Se por um lado há mudanças que não renovam o mundo, mas o envelhecem entre erros e violências; por outro, o Espírito Santo ilumina as mentes e suscita nos corações novas forças de vida. É assim que transfigura a história, abrindo-a à salvação.

O Espírito nos protege das facções e hipocrisias
Esta missão leva ao terceiro aspecto, pois o anúncio consiste em proclamar a verdade de Deus e do homem. O Espírito, afirmou Leão XIV, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida.

“O Paráclito defende-nos de tudo o que impede esta compreensão: das facções, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho. A verdade que Deus nos dá permanece assim como palavra libertadora para todos os povos, mensagem que transforma por dentro cada cultura.”

O Espírito do Ressuscitado é derramado constantemente e não apenas uma vez, como atestam os inúmeros dons e carismas. O Papa então concluiu:

"Caríssimos, com coração ardente, rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma super potência, mas pela Omnipotência do amor. Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus. Esta é a graça que infunde coragem aos Apóstolos: por intercessão de Maria, Mãe da Igreja, a infunda também em nós, hoje e sempre."



- https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-05/papa-leao-xiv-homilia-solenidade-pentecostes-2026.html

25/04/2026
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Domingo de Páscoa.Praça de São Pedro, 5 de abril de 2026.Queridos irmãos e irmãs,Hoje, toda a...
08/04/2026

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Domingo de Páscoa.
Praça de São Pedro, 5 de abril de 2026.

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!

Este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, alcançando-nos nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele abre-nos à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós!

Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora.

Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos de lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar a um túnel do qual não vemos a saída.

Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.

Nesta circunstância, a Páscoa do Senhor convida-nos a erguer o olhar e a alargar o coração. Ela continua a alimentar, no nosso espírito e no percurso da história, a semente da vitória prometida. Ela põe-nos em movimento, tal como Maria Madalena e os Apóstolos, para nos fazer descobrir que o sepulcro de Jesus está vazio e que, por isso, em cada morte que experimentamos, há também espaço para uma nova vida que renasce. O Senhor está vivo e permanece conosco. Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós ressuscitámos.

O Papa Francisco, na sua primeira Exortação apostólica, Evangelii gaudium, recordou-nos isso mesmo com palavras sentidas, afirmando que a ressurreição de Cristo «não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto» (n.º 276).

Irmãos e irmãs, a Páscoa do Senhor dá-nos esta esperança, lembrando-nos que, em Cristo ressuscitado, uma nova criação é possível todos os dias. É o que nos diz o Evangelho hoje proclamado, que situa com precisão o evento da ressurreição: «No primeiro dia da semana» (Jo 20, 1). O dia da ressurreição de Cristo remete-nos assim para a criação, para aquele primeiro dia em que Deus criou o mundo, e anuncia-nos, ao mesmo tempo, que uma vida nova, mais forte do que a morte, está agora a brotar para a humanidade.

A Páscoa é a nova criação realizada pelo Senhor Ressuscitado, é um novo começo, é a vida finalmente tornada eterna pela vitória de Deus sobre o antigo Adversário.

É deste canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemo-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda paire o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida.

Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro!

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Vigília Pascal.Basílica de São Pedro, 4 de abril de 2026.«Esta noite santa […] derruba os pod...
08/04/2026

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Vigília Pascal.
Basílica de São Pedro, 4 de abril de 2026.

«Esta noite santa […] derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz» (Precónio Pascal).

Assim, queridos irmãos e irmãs, no início desta celebração, o diácono exaltou a luz de Cristo Ressuscitado, simbolizada no Círio Pascal. A partir deste único Círio, todos acendemos as nossas velas e, cada um levando uma pequena chama tirada do mesmo fogo, iluminámos esta grande basílica. É o sinal da luz pascal, que nos une na Igreja como lâmpadas para o mundo. À proclamação do diácono respondemos “amém”, afirmando o nosso compromisso de abraçar esta missão, e dentro de pouco repetiremos o nosso “sim”, renovando as Promessas Batismais.

Caríssimos, esta é uma Vigília repleta de luz, a mais antiga da tradição cristã, conhecida como «a mãe de todas as vigílias». Nela revivemos o memorial da vitória do Senhor da vida sobre a morte e sobre os infernos. Fazemo-lo depois de ter percorrido, nos últimos dias, como numa única grande celebração, os mistérios da Paixão do Deus que por nós se fez «alguém cheio de dores» (Is 53, 3), «menosprezado e desconsiderado» (ibid.), torturado e crucificado.

Existe caridade maior? Existe gratuidade mais completa? O Ressuscitado é o próprio Criador do universo que, tal como nos primórdios da história nos deu a existência a partir do nada, assim também na cruz, para nos mostrar o seu amor sem limites, nos deu a vida.

Recordou-no-lo a primeira leitura, com o relato das origens. No princípio, Deus criou os céus e a terra (cf. Gn 1, 1), tirando do caos o cosmos, da desordem a harmonia, e confiando a todos nós, criados à sua imagem e semelhança, a tarefa de sermos seus guardiões. E mesmo quando, com o pecado, o homem não correspondeu a este projeto, o Senhor não o abandonou, mas revelou-lhe, de forma ainda mais surpreendente, no perdão, o seu rosto misericordioso.

«Esta noite santa» tem, portanto, as suas raízes também ali onde se consumou o primeiro fracasso da humanidade, e estende-se ao longo dos séculos como um caminho de reconciliação e de graça.

A liturgia propôs-nos algumas etapas desse caminho através dos textos sagrados que acabámos de escutar. Recordou-nos como Deus segurou a mão de Abraão, prestes a sacrificar o seu filho Isaac, para nos indicar que não deseja a nossa morte, mas antes que nos consagremos a ser, nas suas mãos, membros vivos de uma descendência de gente salva (cf. Gn 22, 11-12.15-18). Da mesma forma, convidou-nos a refletir sobre como o Senhor libertou os israelitas da escravidão do Egito, fazendo do mar – lugar de morte e obstáculo intransponível – a porta de entrada para o início de uma vida nova e livre. A mesma mensagem ressoou como um eco nas palavras dos Profetas, nas quais ouvimos os louvores do Senhor como esposo que chama e une a si (cf. Is 54, 5-7), fonte que mata a sede, água que fecunda (cf. Is 55, 1.10), luz que mostra o caminho da paz (cf. Br 3, 14), Espírito que transforma e renova os corações (Ez 36, 26).

Em todos estes momentos da história da salvação, vimos como Deus, face à dureza do pecado que divide e mata, responde com o poder do amor que une e restitui a vida. Recordámo-los juntos, intercalando a narrativa com salmos e orações, para lembrarmos que, pela Páscoa de Cristo, «sepultados com Ele na morte […] também nós caminhemos numa vida nova […] mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus» (Rm 6, 4-11), consagrados no Batismo ao amor do Pai, unidos na comunhão dos santos, tornados, pela graça, pedras vivas para a construção do seu Reino (cf. 1Pd 2, 4-5)

É nesta perspetiva que lemos o relato da Ressurreição, que acabámos de ouvir no Evangelho segundo São Mateus. Na manhã de Páscoa, as mulheres, vencendo a dor e o medo, puseram-se a caminho. Queriam ir ao túmulo de Jesus! Esperavam encontrá-lo selado, com uma grande pedra à entrada e soldados a guardá-lo. Isto é o pecado: uma barreira pesadíssima que nos fecha e nos separa de Deus, tentando fazer morrer em nós as Suas Palavras de esperança. Maria Madalena e a outra Maria, porém, não se deixaram intimidar. Foram ao sepulcro e, graças à sua fé e ao seu amor, foram as primeiras testemunhas da Ressurreição. No terramoto e no anjo, sentado sobre a pedra derrubada, viram o poder do amor de Deus, mais forte do que qualquer força do mal, capaz de “dissipar os ódios” e “derrubar os poderosos”. O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que nenhum túmulo pode aprisionar. Assim, o Crucificado reinou a partir da cruz, o anjo sentou-se sobre a pedra e Jesus apresentou-se diante delas vivo, dizendo: «Salve!» (Mt 28, 9).

Hoje, caríssimos, é esta também a nossa mensagem ao mundo, o encontro que queremos testemunhar, com as palavras da fé e com as obras da caridade, cantando com a vida o “Aleluia” que proclamamos com os lábios (cf. Santo Agostinho, Sermão 256, 1). Tal como as mulheres, que correram a levar o anúncio aos irmãos, também nós queremos partir, esta noite, desta Basílica, para levar a todos a boa nova de que Jesus ressuscitou e de que, com a sua força, ressuscitados com Ele, também nós podemos dar vida a um mundo novo, de paz, de unidade, enquanto «multidão de homens e, ao mesmo tempo, […] um único homem, pois, embora os cristãos sejam muitos, Cristo é um só» (Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 127,3).

A esta missão se consagram os irmãos e irmãs aqui presentes, provenientes de várias partes do mundo, que daqui a pouco receberão o Batismo. Após o longo caminho do catecumenato, renascem hoje em Cristo para ser nova criação (cf. 2 Cor 5, 17), testemunhas do Evangelho. A eles e a todos, repetimos o que Santo Agostinho dizia aos cristãos do seu tempo: «Anunciai Cristo, semeai […], espalhai por toda a parte o que concebestes no vosso coração» (Sermão 116, 23-24).

Irmãs, irmãos, também nos nossos dias não faltam sepulcros para abrir, e muitas vezes as pedras que os fecham são tão pesadas e tão bem vigiadas que parecem inamovíveis. Algumas oprimem o coração do homem, como a desconfiança, o medo, o egoísmo, o rancor; outras, consequência daquelas que se encontram no interior, destroem os vínculos entre nós, como é o caso da guerra, da injustiça, do fechamento entre povos e nações. Não nos deixemos paralisar por elas! Muitos homens e mulheres, ao longo dos séculos, com a ajuda de Deus, removeram-nas, talvez com grande esforço e por vezes à custa da própria vida, mas com frutos de bem dos quais ainda hoje beneficiamos. Não se trata de personagens inacessíveis, mas de pessoas como nós que, fortalecidas pela graça do Ressuscitado, na caridade e na verdade, tiveram a coragem de falar, como diz o Apóstolo Pedro, «para transmitir palavras de Deus» (1 Pd 4, 11) e de agir «com a força que Deus lhe concede, para que em todas as coisas Deus seja glorificado» (ibid.).

Deixemo-nos inspirar pelo seu exemplo e, nesta Noite Santa, façamos nosso o seu empenho, para que, em todo o lado e sempre, cresçam e floresçam no mundo os dons pascais da concórdia e da paz.

Da homilia na Celebração da Paixão do Senhor, feita pelo Padre Roberto Pasolini - pregador da Casa Pontifícia - presidid...
08/04/2026

Da homilia na Celebração da Paixão do Senhor, feita pelo Padre Roberto Pasolini - pregador da Casa Pontifícia - presidida pelo Papa Leão XIV na Basílica de São Pedro (Vaticano) 03.ABRIL.2026.

A Cruz torna-se um instrumento de salvação

A Primeira Leitura, extraída do Livro do Profeta Isaías, descreve o Servo do Senhor, "traspassado pelos nossos pecados". Fez isso por meio de "textos poéticos" que falam de um "Servo misterioso por meio de quem Deus consegue salvar o mundo do mal e do pecado". Esses cânticos, explica o pregador franciscano, "Cristo interpretou e viveu intensamente, com plena confiança na vontade do Pai, a ponto de transformar sua crucificação num evento de salvação". Na sua homilia, o frade capuchinho enfatizou a atualidade dos sofrimentos "daquele homem das dores que bem conhece o sofrimento" e também a originalidade "surpreendente" de sua resposta às ofensas injustamente infligidas a ele.

O mal e a violência multiplicam-se

"Vivemos num mundo", comentou o padre Pasolini, "no qual a voz de Deus já não orienta mais, como antes, o caminho partilhado pela humanidade. Não porque tenha desaparecido, mas porque muitas vezes se tornou apenas mais uma voz entre muitas, abafada por outras palavras que prometem segurança, progresso e bem-estar. Essas são as indicações que guiam muitas escolhas hoje e traçam o rumo de nossa vida em comum. No entanto, o mundo continua sendo um lugar onde se sofre e se morre, muitas vezes sem culpa e sem razão. As guerras não cessam, as injustiças se multiplicam e os mais vulneráveis ​​pagam o preço."

A "partitura da Cruz": não responder ao mal com o mal

É uma dinâmica que se repete, pois se baseia num instinto inscrito na carne de cada ser humano: um impulso a "reagir", a "devolver" o "mal recebido", a "acertar as contas". No entanto, nesta música que flui de um pentagrama conhecido e aparentemente imutável, irrompe uma nova melodia, graças a Cristo. É a "partitura da Cruz" executada por "uma banda silenciosa de pessoas que escolhem ouvir uma voz diferente", a de Jesus, que primeiro deu o exemplo no Gólgota. "É um canto discreto e obstinado, que convida a amar, a permanecer, a não retribuir o mal recebido", acrescentou o pregador da Casa Pontifícia.

O trabalho dessas pessoas é tão silencioso e invisível quanto precioso. "São homens e mulheres", continuou o capuchinho, "que trilham, às vezes sem nem mesmo saber, o mesmo caminho do Servo do Senhor. Não realizam gestos extraordinários. Simplesmente se levantam todos os dias e procuram fazer de suas vidas algo que sirva não só a eles mesmos, mas também aos outros. Carregam fardos que não escolheram, acolhem feridas sem se endurecerem, não deixam de buscar o bem mesmo quando parece inútil. Não fazem barulho, não ocupam o centro das atenções, mas mantêm aberta a possibilidade de um mundo diferente."

Depor as armas que devastam o mundo

A Cruz de Cristo, que a celebração desta tarde nos convida a adorar, nos encoraja a "decidir, ao menos no fundo do coração, depor as armas que ainda temos nas mãos". Estas são armas de agressão cujo perigo podemos ser tentados a subestimar, especialmente quando comparadas ao potencial ofensivo mortal das armas "à disposição dos poderosos do mundo". "No entanto", disse o padre Pasolini, "elas também são instrumentos de morte, porque são suficientes para enfraquecer, ferir e esvaziar as nossas relações diárias de significado e amor".

Ao mundo que busca salvação da "violência do mal", da "injustiça que mata", das "divisões que humilham", Cristo na Cruz oferece uma solução inovadora, não baseada em "decisões políticas, econômicas ou militares". Imitando seu exemplo, "o mundo é continuamente salvo por aqueles dispostos a abraçar os cânticos do Servo do Senhor como um modo de vida", enfatizou o capuchinho.

Uma nova lógica de serviço aos outros

"Numa época como a nossa", concluiu o padre Pasolini, "tão dilacerada pelo ódio e pela violência, onde até o nome de Deus é invocado para justificar guerras e decisões de morte, nós, cristãos, somos chamados a aproximar-nos da Cruz do Senhor sem medo, aliás, 'com plena confiança', reconhecendo nela o trono sobre o qual se aprende a reinar, colocando a própria vida a serviço dos outros."

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Quinta-Feira Santa.Basílica de São João de Latrão, 2 de abril de 2026.Queridos irmãos e irmãs...
08/04/2026

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV - Quinta-Feira Santa.
Basílica de São João de Latrão, 2 de abril de 2026.

Queridos irmãos e irmãs,

A solene liturgia desta tarde introduz-nos no Santo Tríduo da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Atravessamos este limiar não como meros espectadores, nem por inércia, mas comprometidos de forma especial pelo próprio Jesus, como convidados para a Ceia em que o pão e o vinho se tornam para nós Sacramento de salvação. Participamos, assim, num banquete durante o qual Cristo, «que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo» (Jo 13, 1): o seu amor torna-se gesto e alimento para todos, revelando a justiça de Deus. No mundo, ali mesmo onde o mal impera, Jesus ama definitivamente, para sempre, com todo o seu ser.

Durante esta Última Ceia, Ele lava os pés aos seus apóstolos, dizendo: «Dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também» (Jo 13, 15). O gesto do Senhor é parte integrante da refeição para a qual nos convidou. É um exemplo do sacramento: ao mesmo tempo que confirma o seu sentido, confia-nos uma tarefa que queremos tomar como alimento para a nossa vida. Para descrever o evento em que esteve presente, o evangelista João escolhe a palavra grega upódeigma, que significa “aquilo que é mostrado mesmo diante dos olhos”. O que o Senhor nos faz ver, pegando na água, na bacia e na toalha, é muito mais do que um modelo moral. Com efeito, Ele transmite-nos a sua própria forma de vida: lavar os pés é um gesto que sintetiza a revelação de Deus, sinal exemplar do Verbo feito carne, a sua memória inconfundível. Ao assumir a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, derrubando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência.

Com a surpresa silenciosa dos seus discípulos, até mesmo o orgulho humano nos faz abrir os olhos para o que está a acontecer: tal como Pedro, que inicialmente resiste à iniciativa de Jesus, também nós devemos «aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza, […] porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão» (Homilia da Missa in coena Domini, 20 de março de 2008). Estas palavras do Papa Bento XVI admitem com lucidez que somos sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja prestativo como o dinheiro e o poder. Não compreendemos, porém, que Deus nos serve de verdade, sim, mas com o gesto gratuito e humilde de lavar os pés: eis a onipotência de Deus. Assim se cumpre a vontade de dedicar a vida a quem, sem este dom, não pode existir. Por causa do seu amor, o Senhor ajoelha-se para lavar o homem. E o dom divino transforma-nos.

Com o seu gesto, Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfémias que a mancharam, mas purifica também a nossa imagem do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Cristo dá-nos, pelo contrário, um exemplo de dedicação, serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios, e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira.

Ele é o critério autêntico, «o Senhor e o Mestre» (Jo 13, 13) que remove todas as máscaras do divino e do humano. O seu exemplo não é dado quando todos estão felizes e o amam, mas na noite em que foi traído, na escuridão da incompreensão e da violência, para que fique bem claro que o Senhor não nos ama porque somos bons e puros: Ele ama-nos e, por isso, nos perdoa e purifica. O Senhor não nos ama se nos deixarmos lavar pela sua misericórdia: Ele ama-nos e, por isso, nos lava, de modo que possamos corresponder ao seu amor.

Aprendamos de Jesus este serviço recíproco. Ele não nos pede, efetivamente, que lho retribuamos, mas que o partilhemos entre nós: «Deveis lavar os pés uns aos outros» (Jo 13, 14). O Papa Francisco comentava assim: isto «é um dever que me vem do coração: amo-o. Amo-o e amo fazê-lo porque o Senhor assim me ensinou» (Homilia da Missa in coena Domini, 28 de março de 2013). Não falava de um imperativo abstrato, de uma ordem formal e vazia, mas expressava o seu fervor obediente pela caridade de Cristo, fonte e exemplo da nossa caridade. O exemplo dado por Jesus não pode, pois, ser imitado por conveniência, de má vontade ou com hipocrisia, mas apenas por amor.

Portanto, deixar-nos servir pelo Senhor é condição para servir como Ele serviu. «Se Eu não te lavar», disse Jesus a Pedro, «nada terás a haver comigo» (Jo 13, 8): se não me acolheres como servo, não podes acreditar em mim e seguir-me como Senhor. Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma. N’Ele, Deus deu o exemplo não de como se domina, mas de como se liberta; de como se doa a vida e não de como se a destrói.

Face a uma humanidade de joelhos devido a muitos exemplos de brutalidade, ajoelhemo-nos também nós, como irmãos e irmãs dos oprimidos. É assim que queremos seguir o exemplo do Senhor, concretizando o que ouvimos no livro do Êxodo: «Aquele dia será para vós um memorial» (Ex 12, 14). Sim, toda a história bíblica converge para Jesus, o verdadeiro Cordeiro pascal. Graças a Ele, as figuras antigas encontram o seu pleno significado, pois o Cristo Salvador celebra a Páscoa da humanidade, abrindo para todos a passagem do pecado ao perdão, da morte à vida eterna: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim» (1 Cor 11, 24).

Ao renovarmos, precisamente nesta tarde, os gestos e as palavras do Senhor, fazemos memória da instituição da Eucaristia e da Sagrada Ordem. O vínculo intrínseco entre os dois Sacramentos representa a entrega perfeita de Jesus, Sumo Sacerdote e Eucaristia viva por toda a eternidade: no pão e no vinho consagrados está, realmente, o «Sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura» (Const. dogm. Sacrosanctum Concilium, 47). Nos bispos e nos presbíteros, constituídos «sacerdotes da Nova Aliança» segundo o mandamento do Senhor (Concílio de Trento, De Missae Sacrificio, 1), está o sinal da sua caridade para com todo o Povo de Deus, a quem nós, amados irmãos, somos chamados a servir com todo o nosso ser

A Quinta-feira Santa é, portanto, um dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade. Que a adoração eucarística desta noite, em todas as paróquias e comunidades, seja um momento para contemplar o gesto de Jesus, ajoelhando-nos como Ele fez e pedindo-Lhe a força para, com o mesmo amor, O imitarmos no serviço.

Domingo de Ramos - 29MAR26Neste Domingo de Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a ...
30/03/2026

Domingo de Ramos - 29MAR26

Neste Domingo de Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, o Papa Leão XIV fez um convite para seguir Cristo, “que se apresenta como Rei da paz”, luz do mundo e que permanece firme na mansidão, diante de uma violência que o rodeia, inclusive com o plano de uma condenação à morte.

Na homilia voltada para o mistério da Paixão, o Papa recordou “um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue».”

Convidados a olhar para Jesus, “que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade”, disse o Papa: mulheres e homens feridos, “sem esperança, doentes, sozinhos”. Mas, “sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra. Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!”.

Cf. Vatican News 29MAR26.

TRÍDIUO PASCAL EM AMORIM:

QUINTA-FEIRA SANTA - 02 DE ABRIL
21:30 - Missa Vespertina da Ceia do Senhor (Instituição da Eucaristia e Lava-pés Lava-pés).

SEXTA-FEIRA - 03 DE ABRIL
15:00 - Celebração da Paixão do Senhor.

SÁBADO - 04 DE ABRIL
21:30 - Vigília Pascal.

Endereço

Rua Padre Joaquim Figueiredo
Amorim
4495-159

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