16/12/2025
COMUNICADO
No encontro realizado no dia 15 de dezembro de 2025, no Estádio do Dragão, frente ao FC Porto , assistimos a um conjunto de acontecimentos absolutamente inaceitáveis, que confirmam aquilo que muitos adeptos já suspeitavam há muito, o futebol português deixou de ser um espaço de paixão, respeito e segurança para quem o segue de forma genuína.
Curiosamente, ou talvez não, tudo isto aconteceu num jogo marcado para uma segunda-feira às 20h45, num horário que demonstra, uma vez mais, o total desprezo por quem percorre centenas de quilómetros para apoiar a sua equipa. O resultado desportivo acabou por ser o menos relevante numa noite marcada pela incompetência, desorganização e abuso de autoridade.
Elementos do Grupo Magia Tricolor, assim como restantes adeptos do clube, entraram no recinto pela Porta 20, sem qualquer revista, sem qualquer acompanhamento e sem qualquer controlo, quer por parte dos Assistentes de Recinto Desportivo (ARD’s), quer da Polícia de Segurança Pública. A segurança, afinal, parece ser apenas uma preocupação quando convém.
Ao dirigirem-se ao setor indicado no bilhete (Setor 46), os adeptos depararam-se com um setor situado numa das centrais do estádio, praticamente lotado por adeptos da equipa da casa, cenário que, por si só, representa um risco evidente. Ainda assim, ninguém da organização pareceu achar isso relevante.
Perante a inexistência total de barreiras, indicações ou impedimentos por parte da segurança do recinto, os adeptos deslocaram-se para o Setor 50, que se encontrava completamente vazio. Foram colocados os panos habituais, nos mesmos moldes dos anos anteriores, e a equipa de Spotters esteve presente, sem apontar qualquer infração. Até aqui, tudo normal, ou pelo menos até alguém decidir criar um problema onde ele não existia.
Ainda durante a primeira parte, dois ARD’s surgiram para informar que os adeptos teriam de abandonar o Setor 50 (Setor Visitante) e regressar ao Setor 46, o setor cheio, misturado com adeptos da casa e sem condições mínimas de segurança. Uma decisão tão irresponsável quanto incompreensível.
Naturalmente, tal ordem foi contestada, pois colocava os adeptos numa situação de risco real, contrariando qualquer noção básica de segurança. O único “crime” cometido foi o de querer apoiar a equipa de forma organizada e pacífica.
Solicitámos a presença do OLA do Estrela da Amadora, que, apesar de estar devidamente credenciado pela Liga Portugal, foi sucessivamente dificultado na sua circulação dentro do estádio. Aparentemente, ser credenciado não significa ter acesso, depende de quem se é e de quem se representa.
Após a sua chegada, o OLA assumiu o diálogo com os ARD’s e permaneceu junto do grupo até ao intervalo. Tudo indicava que a situação seria resolvida de forma civilizada.
Erro nosso.
Tanto o OLA como o Diretor de Segurança do Estrela da Amadora tinham a indicação de que, ao intervalo, os adeptos seriam realocados para o Setor 46, evitando conflitos. Aceitámos essa decisão, apenas para garantir tranquilidade. Estava tudo preparado para uma transição ordeira, pacífica e cooperante.
No entanto, no momento dessa deslocação, as forças de segurança decidiram mudar o guião, fomos obrigados a ser identificados, com a absurda justificação de que iríamos ser expulsos do estádio, sem qualquer explicação plausível.
Foram identificadas 15 pessoas, incluindo uma criança de 15 anos. Tudo isto sem qualquer distúrbio, sem qualquer agressão, sem insultos, sem resistência. Pelo contrário, houve sempre cooperação total. Mas parece que, no futebol português atual, colaborar também é motivo de punição.
Não ultrapassámos qualquer obstáculo, não forçámos entradas, não infringimos regras, não utilizámos panos ilegais, todos cumpriam o regulamento. A única “infração” foi termos mudado de setor por falta de condições de segurança, algo que deveria ser valorizado, não castigado.
Ainda assim, fomos todos expulsos do Estádio do Dragão. E como se isso não bastasse, após uma deslocação de cerca de 350 km, fomos abandonados à porta do estádio, sem explicações, sem apoio e sem qualquer consideração. Um tratamento indigno, revoltante e absolutamente vergonhoso.
Este episódio deixa claro aquilo que já poucos duvidam, o futebol em Portugal está a afastar quem lhe dá vida. Os adeptos são vistos como um incómodo, um problema a eliminar, e não como parte essencial do espetáculo.
Se o futebol já foi do povo, hoje pertence apenas aos “promotores”, gestores de horários absurdos e decisores de gabinete, para quem a segurança, o respeito e a dignidade dos adeptos são detalhes irrelevantes.
Nós estivemos lá. Nós sabemos o que aconteceu.
E não aceitaremos que isto seja tratado como normal.
Associação Portuguesa de Defesa do Adepto - APDA
Magia Tricolor