14/06/2026
Há pessoas que são a própria presença de uma terra. O Antero era assim em Alvoco. Um homem de portas abertas, o centro onde as conversas ganhavam vida.
Construiu caminho em Mira com a sua Sílvia, mas a ligação às origens falou mais alto. Havia qualquer coisa em Alvoco que o chamava sempre de volta, e ele regressou para f**ar.
Lembramo-nos dele em todo o lado. Atrás do balcão d’A Sobreira, na mercearia ou com o brio generoso com que servia as mesas nos casamentos e batizados. Na Junta de Freguesia e nas coletividades locais, o Antero nunca foi figura decorativa. Estava lá por inteiro, com a convicção de quem trabalha para dar vida à sua aldeia.
Tinha o dom de transformar o comum em algo que f**a. F**a a brincadeira de chamar Miguel a toda a gente e aquela voz que dizia, com alegria sincera, que este vinho é uma delícia. Conversar com ele era sentirmo-nos acolhidos.
O Antero foi ter com a sua Sílvia, a companheira que partira antes dele. Há amores assim, que não precisam de estar para continuar a ser.
Ao César, ao João Paulo e ao Luís, f**a a honra de carregar os passos de um pai de quem toda a gente gostava.
O Alvôco a Recordar junta-se ao respeito e ao silêncio da aldeia. Há homens que não se apagam, porque escolheram deitar raízes profundas na nossa história.
Obrigado por tudo, Antero.