29/09/2026
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Que sábias as palavras do Senhor Eduardo Sá.
Agracia-nos sempre com a bondade da sua verdade e da nossa também.
Depois da revolta do corpo, na puberdade, a relação dos adolescentes com ele caminha no sentido de comporem uma imagem. Muito cultivada pelo grupo de iguais. Muito “orientada” pelas redes sociais.
A forma como se alimentam, varia entre a forma com que organizam um plano alimentar e ao modo como, às vezes, saltitam entre as dietas rígidas e a impulsividade. O modo como se alindam não passa sem cuidados com os bíceps, com os piercings e com a primeira tatuagem. E estende-se à maquilagem e às unhas trabalhadas até que se crie um estilo, de preferência, “urban chick”. A relação com o cabelo, varia com o rigor com que ele se alisa até ao modo como, nos rapazes, se cultivam as versões “degradé” ou “undercut” ou à forma meticulosa como se despenteiam. E os gadgets, claro, desde o modelo do telemóvel às marcas com que se vestem. Transversais a tudo isso estão as T-shirts ou os tops que, faça frio ou faça sol, fazem de cada adolescente um caso sério de “desamor à camisola”.
E se as redes sociais se transformaram no negativo do espelho mágico da madrasta da Branca de Neve, fazendo com que aos adolescentes falte sempre um bocadinho a ponto de se sentirem quase feios, entretanto, chegaram o botox e as pequenas cirurgias estéticas que se vão tornando frequentes entre eles. Enquanto parecem demasiados presos à imagem de si e pouco atentos ao que são por dentro.
E é aqui que me preocupam os pais. Os adolescentes não têm de ser, sobretudo, imagem e “estilo” ao mesmo tempo que parecem, “obrigatoriamente”, individualistas, egocêntricos e egoistas. Eles são tanto mais bonitos quanto melhores pessoas se tornam. Quando mais falam do que sentem sem Photoshop. Quando aprendem a lealdade, a generosidade e a bondade sem ponta de botox. E quando mais são educados para a sensibilidade e para a beleza interior. Sem que vão por aí, correm o risco de ficar presos a uma imagem, que estendem de fora para dentro, e que faz com que muitos adolescentes, mais tarde ou mais cedo, se sintam despersonalizados e sem saberem quem são. Tudo a favor com os cuidados com o corpo. Tudo a favor da descoberta dum “estilo”. Mas tudo a favor da beleza rara que têm em si da qual estão proibidos de fugir.