Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens - CIMH

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A CIMH é a organização específica da CGTP-IN para o combate às discriminações e a defesa da igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens, no trabalho e na vida.

📌 DESIGUALDADE SALARIALO Banco de Portugal confirma, num estudo hoje divulgado: a desigualdade salarial em Portugal dimi...
24/08/2026

📌 DESIGUALDADE SALARIAL

O Banco de Portugal confirma, num estudo hoje divulgado: a desigualdade salarial em Portugal diminuiu nos últimos 15 anos.
Mas há uma realidade que não podemos esconder atrás dos números: Portugal continua longe de garantir salários justos e iguais para todos — e, em particular, para as mulheres.

E a verdade é esta: a redução da desigualdade salarial tem sido fortemente influenciada pelo crescimento dos salários mais baixos, impulsionados pela valorização do salário mínimo nacional.

Em 2025, o salário mínimo já representava 91% do salário mediano.
Ao mesmo tempo, os salários mais baixos cresceram mais do que os salários mais elevados.

Mas isto também revela um problema: a aproximação dos salários não pode significar a generalização de salários baixos.

Para as mulheres trabalhadoras, a igualdade salarial continua a ser uma exigência concreta. As diferenças salariais persistem e resultam de desigualdades que atravessam o emprego, as profissões, as carreiras, a valorização do trabalho e a conciliação entre trabalho e vida familiar.

O próprio Banco de Portugal tem destacado a existência de diferenças significativas entre mulheres e homens no emprego e nos salários.

Não queremos um país em que todos ganhem pouco.

Queremos salários dignos, valorização profissional, igualdade salarial e remuneratória entre mulheres e homens, contratação colectiva forte e trabalho com direitos.

Porque combater a desigualdade salarial não é nivelar por baixo.

É garantir que quem trabalha pode viver com dignidade.

IGUALDADE SALARIAL É UM DIREITO.
NÃO É UMA PROMESSA. É UMA EXIGÊNCIA.

Somos CIMH. 👍
24/08/2026

Somos CIMH. 👍

📢 SEGURANÇA SOCIAL: um direito, não um negócioAs conclusões do Grupo de Trabalho escolhido pelo governo sobre a Seguranç...
24/08/2026

📢 SEGURANÇA SOCIAL: um direito, não um negócio

As conclusões do Grupo de Trabalho escolhido pelo governo sobre a Segurança Social confirmam uma opção que merece forte preocupação e oposição: em vez de reforçar o sistema público, universal e solidário, apontam para soluções que visam abrir caminho à capitalização individual e ao crescente peso dos fundos privados.

Como sublinha a CGTP-IN, não é aceitável apresentar a Segurança Social como um sistema insustentável quando existem resultados financeiros robustos e reservas significativas. O problema não está na existência do sistema público, mas nas opções políticas e económicas que desvalorizam o trabalho, mantêm salários baixos e precarizam as relações laborais.

Para as mulheres trabalhadoras, esta discussão é ainda mais decisiva.

Carreiras marcadas por salários mais baixos, precariedade, interrupções profissionais e responsabilidades familiares traduzem-se em menores contribuições e, consequentemente, em pensões mais baixas. Transferir o risco para contas individuais e para os mercados financeiros significa, na prática, aprofundar desigualdades que já existem.

A Segurança Social deve garantir direitos, solidariedade e protecção social, não transformar as pensões num produto financeiro.
Defender o sistema público é defender o direito de todas e todos a uma reforma digna — e combater as desigualdades que penalizam particularmente as mulheres trabalhadoras e os jovens.

A Segurança Social não pode ser entregue ao negócio.
É um direito de quem trabalha e de toda a sociedade.
É um património dos trabalhadores.

REJEITAMOS RETROCESSOS!

📢  PSU: menos protecção, mais desigualdade A Prestação Social Única (PSU) não é apenas uma mudança na forma de atribuir ...
24/08/2026

📢 PSU: menos protecção, mais desigualdade

A Prestação Social Única (PSU) não é apenas uma mudança na forma de atribuir apoios sociais.
É uma opção política do governo que pode significar menos direitos e menor protecção para quem mais precisa.

A integração do subsídio social de desemprego na PSU deixa trabalhadores desempregados mais desprotegidos, num momento em que encontrar um emprego digno e com direitos continua a ser difícil.
Visa pressionar os homens e as mulheres desempregadas a aceitarem um qualquer trabalho mal remunerado, numa perspectiva de desvalorização geral do valor do trabalho.

E para as mulheres, os riscos são maiores.

São as mulheres que estão mais expostas a salários baixos, precariedade, desemprego e interrupções das carreiras profissionais, muitas vezes associadas à maternidade e às responsabilidades familiares.
Quando a protecção social é reduzida ou condicionada, são também elas que mais suportam as consequências.

A resposta ao desemprego e à pobreza não pode ser transformar a necessidade em obrigação ou fragilizar direitos conquistados.

Quem perde o emprego precisa de protecção, não de punição.

Quem enfrenta a pobreza precisa de direitos, não de culpabilização.

A CIMH defende uma Segurança Social pública, universal e solidária, que proteja as pessoas em todas as fases da vida e contribua para uma sociedade com mais justiça e igualdade.

Mais direitos. Mais protecção. Mais igualdade.
NÃO ACEITAMOS RETROCESSOS. ✊

Somos mulheres. Somos homens. Somos a CIMH. 🌹
24/08/2026

Somos mulheres. Somos homens. Somos a CIMH. 🌹

Enquanto há quem possa desligar, descansar e aproveitar o Verão, há quem continue a enfrentar salários baixos, horários ...
23/08/2026

Enquanto há quem possa desligar, descansar e aproveitar o Verão, há quem continue a enfrentar salários baixos, horários desregulados, discriminação, sobrecarga de trabalho e desigualdade.
Porque os direitos das mulheres não entram em modo férias.

A igualdade constrói-se todos os dias — no trabalho, em casa e na sociedade.

Neste Verão, descansamos.
Mas não desligamos da luta pela igualdade. ✊🏽

Dedicado às conservadoras e aos saudosistas que por aí andam, com saudades do tempo da outra senhora. É lerem, porque pa...
15/08/2026

Dedicado às conservadoras e aos saudosistas que por aí andam, com saudades do tempo da outra senhora.
É lerem, porque parece que já se esqueceram como elas mordiam...
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TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS

"Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério. Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza.

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós.

Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.
A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano.

Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.
As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais.

Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho.
A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia.

As mães contavam os filhos vivos e os mortos era normal. Tive dez e morreram-me cinco.
A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica.

Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração. Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal.
Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título ‘Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos’.

A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional.
Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário.
Este sistema de escravatura implicava o apartheid.
Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória.

As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem.

A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas.

A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum.
De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia.

Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca.

A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente."

Clara Ferreira Alves
in "A Pluma Caprichosa", jornal Expresso.

Os direitos e as liberdades conquistadas são para garantir e defender. NÃO VOLTAREMOS PARA TRÁS!
15/08/2026

Os direitos e as liberdades conquistadas são para garantir e defender.
NÃO VOLTAREMOS PARA TRÁS!

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