25/10/2026
CONQUISTAR O FUTURO!
Há palavras que resistem ao tempo: Liberdade. Igualdade. Trabalho. Paz. Direitos.
Mas há uma palavra que temos de acrescentar: FUTURO.
Porque o futuro não está à nossa espera. Já chegou. E não pediu licença.
Está nos algoritmos que avaliam trabalhadores, na inteligência artificial, na vigilância digital, nos horários que roubam tempo à vida, na precariedade que adia sonhos e na habitação que engole salários.
Está também no preço da alimentação, da energia e dos combustíveis, na falta de respostas para cuidar, nas alterações climáticas e na guerra.
Há um futuro que se constrói com direitos e outro que se destrói com bombas.
Sem paz não há direitos nem igualdade. Sem paz não há liberdade.
QUEREMOS VIVER, NÃO APENAS SOBREVIVER.
Não basta ter trabalho. É preciso que o trabalho permita viver.
Os baixos salários, a precariedade, as discriminações e as responsabilidades de cuidado continuam a limitar a autonomia das mulheres.
Não aceitamos que trabalhar signifique fazer contas até ao fim do mês, que ter filhos se torne um privilégio ou que uma casa digna esteja fora do alcance de quem trabalha.
QUEREMOS TECNOLOGIA COM DIREITOS.
Não somos contra a tecnologia.
Somos contra a ideia de que tudo o que é tecnicamente possível é socialmente aceitável.
Quem decide? Quem controla? Quem beneficia?
Nenhum algoritmo pode valer mais do que os direitos de quem trabalha.
Exigimos transparência, protecção da privacidade, supervisão humana e negociação colectiva sobre as transformações tecnológicas.
Se a produtividade aumenta, queremos melhores salários, menos tempo de trabalho, mais saúde e mais tempo para viver.
A tecnologia pode mudar o trabalho.
Mas quem trabalha tem de poder decidir sobre essa mudança.
E as mulheres têm de ter voz e poder nessa transformação.
Porque tudo o que transforma o trabalho transforma a vida das trabalhadoras.
QUEREMOS O TEMPO.
Demasiadas vezes disseram às mulheres que tinham de conseguir tudo: trabalhar, cuidar dos filhos e dos pais, gerir a casa e ser profissionais exemplares.
Como se tivessem horas infinitas e a vida pudesse f**ar sempre para depois. Mas não pode.
Queremos as 35 horas semanais, horários que permitam viver e tempo para cuidar, participar e ter vida própria.
A maternidade não pode penalizar a carreira das mulheres. A paternidade não pode ser uma responsabilidade secundária.
Não queremos apenas igualdade no salário.
Queremos igualdade na vida.
QUEREMOS UM TRABALHO QUE NÃO ADOEÇA.
O corpo não é uma máquina. A gravidez não é uma doença. A menopausa não é uma fraqueza.
A idade não pode ser uma desvantagem.
A saúde mental não pode ser tratada como um problema individual.
Exigimos condições de trabalho dignas e protecção da saúde física e mental em todas as fases da vida.
Quando faltam creches públicas, respostas para os idosos e cuidados de saúde, são as famílias — sobretudo as mulheres — que suportam o peso dessas falhas.
Defender a saúde, a educação, a Segurança Social, a habitação e os serviços públicos é defender a igualdade e humanizar a sociedade.
O Governo tem o dever de os cumprir, não de os negar, enfraquecer ou desmantelar.
QUEREMOS DIREITOS IGUAIS PARA TODAS.
Muitas mulheres cruzaram fronteiras em busca de emprego e de uma vida melhor.
O seu trabalho é indispensável.
Os seus direitos não podem ser ignorados.
Não existem trabalhadoras de segunda ou terceira.
Existem trabalhadoras com direitos.
Quando uma mulher imigrante é explorada, toda a classe trabalhadora f**a mais vulnerável.
Porque dividir quem trabalha é fortalecer quem explora.
Os direitos não têm nacionalidade.
A dignidade também não.
É ESTE O FUTURO QUE QUEREMOS: TRABALHO, DIREITOS E UMA VIDA DIGNA.
Mas essa transformação exige participação e poder de decisão.
Queremos estar onde se decide: nos locais de trabalho, na contratação colectiva, nas escolhas tecnológicas e nas políticas públicas.
E queremos que as mulheres não sejam apenas ouvidas: queremos que participem nas decisões e tenham poder para as transformar.
Participar não é ser consultada depois de tudo estar decidido.
É ter voz e poder para mudar as decisões.
Pelo trabalho, pela saúde, pela habitação e pelos serviços públicos.
Pela liberdade sindical. Contra a violência, o assédio e a discriminação.
Por uma vida em que o salário chegue, o tempo exista e os direitos se cumpram.
Não queremos apenas abrir a porta. Queremos entrar e mudar as regras, as prioridades e a forma como se distribuem o tempo, o poder e as oportunidades.
QUEREMOS SER CONSTRUTORAS DO FUTURO.
E se nos disserem que é impossível, já sabemos como responder.
Disseram-nos que não era possível derrotar o pacote laboral. Foi derrotado pela luta.
Disseram-nos que certas desigualdades eram naturais. Aprendemos a dizer não.
Disseram-nos que as mulheres não tinham tempo para a luta social e sindical. Estamos aqui.
Os direitos nunca foram oferecidos.
Foram conquistados por quem recusou aceitar o inevitável, levantou a voz, organizou e transformou a luta em conquista colectiva.
Por isso, no dia 24 de Novembro, vamos estar na Assembleia da República!
Vamos rejeitar um Orçamento do Estado que perpetua a política de direita e afirmar, com a força de quem resiste e não desiste, que exigimos outro caminho: o dos direitos, da justiça social e de melhores condições de vida.
Não sabemos como será o trabalho daqui a dez ou vinte anos.
Mas sabemos o que queremos: um mundo de paz, em que a riqueza, a ciência e a tecnologia estejam ao serviço da vida e dos povos, não da exploração e da guerra.
TEMOS A FORÇA COLECTIVA PARA DECIDIR COMO QUEREMOS TRABALHAR E VIVER.
É por isso que aqui estamos: com quem não se resigna e acredita que é possível transformar o mundo.
NÃO VIEMOS ESPERAR PELO FUTURO.
VIEMOS CONQUISTÁ-LO!✊