10/08/2026
Produção de biogás em Abrigada nasce envolta em controvérsia.
A Gás da Terra, empresa promotora, apresentou o projeto à população e, esta compareceu para deixar bem claro que não deseja tais instalações à sua porta. Com grande elegância e cordialidade, os participantes mantiveram a nega do princípio ao fim. Acham o projeto interessante para o ambiente, mas, pedem que seja construído umas centenas de metros mais à frente, do outro lado do monte, escondido das vistas e com maior salvaguarda da emissão de maus cheiros.
A Gás da Terra pretende produzir biogás a partir de estrume e chorumes recolhidos em pecuárias da região, transportado em contentores hermeticamente fechados e em camiões cisterna até à unidade fabril, onde serão descarregados em pavilhões sob pressão negativa, para evitar a fuga de maus cheiros. Na Europa, instalações deste tipo são aos milhares; já surgiram há mais de 20 anos, e, sustentou a empresa, não libertam cheiros.
Mas, se assim é, então por que motivo mostram os residentes tanta desconfiança e não querem tais instalações perto de suas casas? A conclusão inevitável é que em Portugal vivemos uma grave crise de confiança nas instituições.
Portugal não é a França, a Alemanha ou na Dinamarca, onde existe uma cultura de cumprimento de regras e as instituições funcionam. Em Portugal, existem inúmeros exemplos de incumprimento por parte de empresas e de demissionismo do Estado na hora de as fazer cumprir.
Alguns exemplos próximos:
A Pecuária da Berbelita, de construção clandestina, esteve para fechar por ordem da Câmara, mas, quase dez anos depois da controvérsia levantada, continua a funcionar e a emitir maus cheiros que se estendem até Labrugeira.
Participantes na reunião invocaram os odores de pecuárias da região que, em condições de vento favorável, entram por Abrigada.
As pedreiras que se estendem de Alenquer até Atouguia, são feridas abertas na paisagem, de onde continuam a levantar-se nuvens de pó. E apesar dos Planos Ambientais de Recuperação Paisagística e dos Estudos de Impacte Ambiental, a realidade é o que se vê.
Quanto ao caso Passinha, os 25 camiões diários, segundo as alegações moradores, são já mais de 200 - a infernizar-lhes as vidas.
Conhecedoras destas e de outras situações como estas, os moradores na vizinhança, têm fortes motivos para pensar que, se o funcionamento da Gás da Terra não for exatamente como lhes é apresentado, ficam com um grave problema nas suas vidas que se poderá prolongar-se por tempo indeterminado. Na dúvida, dizem não.
Sugerimos aos responsáveis da empresa que sigam o exemplo da Iberdrola quando instalou um parque fotovoltaico na região. Inicialmente, o projeto esteve para ser localizado no Paul de Ota, em terrenos inundáveis classificados na RAN e, chegou mesmo a ser submetido a avaliação ambiental. Todavia, surgiram dificuldades e, perante os contratempos, a empresa reavaliou a localização e acabou por vir instalar as fotovoltaicas entre o Monte Redondo e o aterro da PRORESI, apesar do acréscimo de custos em mais alguns quilómetros de linhas elétricas.
Empreendimentos como os da Gás da Terra são importantes para resolver problemas ambientais, criar riqueza e gerar empregos; e tudo isso é demasiado importante para jazer atolado em controvérsias que apenas criam anticorpos. Não são mais umas centenas de metros de tubos do gás que inviabilizam um projeto de 20 milhões de Euros.