29/09/2026
MENSAGEM DO NÚCLEO DE PENICHE - LIGA DOS COMBATENTES
HÁ HOMENS QUE SÃO UMA REFERÊNCIA!
Há homens que passam pelas instituições. Há homens que ocupam cargos. E há homens que, pelo exemplo, pela dedicação e pela forma como vivem os valores em que acreditam, deixam uma marca que permanece muito para além do tempo em que exercem as suas funções.
JOAQUIM ROMÃO HENRIQUES é um desses homens.
É um combatente que admiramos, que nos motiva e que constitui, para muitos de nós, uma verdadeira referência de valores, de sentido de pertença e de serviço à Liga dos Combatentes.
Publico este texto porque conheço o trabalho, o carisma e a dedicação de Joaquim Romão Henriques à Liga dos Combatentes. E porque acredito que homens como ele devem ser conhecidos e reconhecidos, não apenas pelo que fizeram, mas também pelo exemplo que podem transmitir às novas gerações.
UM SOLDADO QUE NUNCA ESQUECEU OS SEUS CAMARADAS
A história de vida de Joaquim Romão Henriques começa na condição de soldado. O seu registo militar identif**a-o expressamente como “ex-soldado”, com o número 00017660, e regista a sua comissão na Guiné, entre maio de 1961 e e abril de 1963. Integrado na Companhia de Caçadores 90 do Batalhão de Caçadores 238, cumpriu cerca de 23 meses de comissão. Viveu momentos difíceis, assistiu ao agravamento da situação militar e guardou memórias que permaneceram consigo muito depois do regresso.
Quando chegou à Guiné, a companhia instalou-se em Bafatá, numa zona onde a presença militar ainda se encontrava numa fase inicial. Eram dos primeiros militares a ocupar aquele território e praticamente tudo estava por fazer. Não havia quartéis nem estruturas adequadas para os receber, e as condições de permanência eram extremamente rudimentares.
Foi necessário criar, progressivamente, as condições indispensáveis para viver e cumprir a missão, ao mesmo tempo que se procurava conhecer e compreender um território que lhes era praticamente desconhecido.
Foi uma experiência exigente, marcada por dificuldades, adaptação e entreajuda, mas também por aprendizagens que contribuíram, nas suas próprias palavras, para o seu crescimento enquanto ser humano.
A guerra passou. As memórias f**aram.
Ficaram os lugares, os acontecimentos, os companheiros e, sobretudo, as experiências partilhadas. Talvez seja precisamente nessa vivência que se encontre uma das chaves para compreender a dedicação que, décadas mais tarde, haveria de revelar àqueles que serviram e às suas famílias.
O soldado que viveu a guerra tornou-se o dirigente que passou muitos anos a cuidar dos que dela f**aram marcados.
MEMÓRIAS QUE PERMANECEM
As memórias da Guerra do Ultramar ocupam um lugar especial na vida de Joaquim Romão Henriques. Apesar das dificuldades e das circunstâncias próprias daquele período, recorda também uma experiência que marcou profundamente a sua formação pessoal.
Mais do que a dimensão estritamente militar, permanecem as relações humanas, as dificuldades enfrentadas em conjunto e os momentos vividos com aqueles que o acompanharam. São memórias de um período exigente, mas também de aprendizagem e de crescimento.
Uma experiência que não terminou com o regresso à metrópole e que, de alguma forma, continuou a influenciar a sua relação com os antigos companheiros de armas e, mais tarde, com a própria Liga dos Combatentes.
26 ANOS QUE NÃO CABEM NUM CARGO
No dia 16 de setembro de 2026, Joaquim Romão Henriques completou 26 anos à frente do Núcleo de Alcobaça da Liga dos Combatentes. A sua ligação à instituição começou pela “mão” do então Presidente da Liga dos Combatentes, General Altino Pinto de Magalhães, com quem mantinha uma relação de respeito e proximidade. Foi nesse contexto que iniciou um percurso que viria a prolongar-se por mais de duas décadas e meia, marcado pela dedicação, pelo sentido de responsabilidade e por uma ligação profunda à causa dos Combatentes.
Vinte e seis anos não são apenas uma sucessão de mandatos ou uma permanência num cargo. São milhares de horas de trabalho, preocupações, decisões, cerimónias, homenagens, contactos com combatentes e famílias, apoio social e dedicação a uma causa.
Esse percurso foi oficialmente reconhecido em 2021, pelo Ministro da Defesa Nacional ao concedeu-lhe a Medalha da Defesa Nacional, 4.ª Classe, acompanhada de um louvor proposto pelo Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, no qual é destacada a forma excecional como, há mais de duas décadas, desempenhava as funções de Presidente do Núcleo de Alcobaça.
O louvor realça o seu profundo conhecimento das aspirações dos combatentes, a atenção às suas preocupações humanas e necessidades sociais, o apoio aos mais carenciados, a participação em ações de apoio médico, psicológico e social e o trabalho desenvolvido na criação de memoriais e monumentos destinados a honrar os combatentes que tombaram ao serviço da Pátria.
É igualmente destacado o seu “elevadíssimo sentido do dever”, bem como a persistência e a determinação com que prosseguiu a sua missão, mesmo perante limitações de meios e as dificuldades encontradas ao longo do percurso.
Há, por isso, uma palavra que talvez melhor sintetize estes 26 anos: serviço.
Serviço aos combatentes, serviço à memória dos que partiram e serviço à causa que representa.
Porque existe uma diferença entre ocupar uma função e assumir verdadeiramente uma missão.
E Joaquim Romão Henriques fez dessa missão uma parte da sua vida.
HONRAR OS QUE PARTIRAM. CUIDAR DOS QUE FICARAM.
Ao longo destes anos, a sua ação não se limitou à representação institucional. Passou pela preservação da memória dos combatentes, pela valorização de monumentos e homenagens, pelo apoio aos mais necessitados e pela atenção permanente àqueles que continuam entre nós.
Essa é uma das dimensões essenciais da Liga dos Combatentes: não esquecer quem serviu, honrar quem morreu e apoiar quem continua a precisar de nós.
O louvor que lhe foi concedido pelo Ministro da Defesa Nacional reconhece precisamente essa dimensão humana e social da sua ação, salientando o empenho em conhecer e procurar responder às preocupações e necessidades dos associados e o contributo prestado à missão e ao prestígio da Liga dos Combatentes.
UMA VIDA DE SERVIÇO PARA ALÉM DA CARREIRA MILITAR
Há ainda uma dimensão particularmente relevante no percurso de Joaquim Romão Henriques: a forma como encara o serviço para além da própria carreira militar.
Numa entrevista concedida, há alguns anos, ao jornal Cister, defendia que os militares, mesmo depois de passarem à reserva ou à reforma, continuam a possuir experiência, conhecimentos e competências que podem ser colocados ao serviço das instituições e, em particular, da Liga dos Combatentes.
Esta perspetiva resulta também da sua própria experiência. Ao longo de décadas de ligação à Liga, compreendeu que os militares na reserva ou na reforma podem constituir uma importante mais-valia para os Núcleos. Conhecem a realidade militar, compreendem os valores que moldaram gerações de militares e possuem uma experiência de vida que pode continuar a ser útil à instituição e aos seus associados.
UM EXEMPLO PARA AS NOVAS GERAÇÕES
Aos 87 anos, Joaquim Romão Henriques continua e vai continuar ligado à Liga dos Combatentes e àqueles que nela encontra uma causa comum. Mudaram os tempos, mudaram as circunstâncias, mas permaneceu o essencial: o sentido de dever, a dedicação e a vontade de continuar a servir.
É também por isso que considero importante falar de homens como Joaquim Romão Henriques, que, para mim, são uma verdadeira referência, uma fonte de inspiração e um exemplo de dedicação e de serviço. Homens que nos motivam pelo exemplo e que, pela forma como viveram e continuam a viver os valores em que acreditam, assumem, para mim, uma dimensão verdadeiramente heroica.
Numa época em que muitos militares passam à reserva ou à reforma, é importante recordar que a experiência acumulada ao longo de uma carreira não perde o seu valor. Pode continuar a ser colocada ao serviço dos outros, das instituições e da comunidade.
A Liga dos Combatentes precisa dessa experiência, dessa memória e dessa disponibilidade.
Joaquim Romão Henriques mostra-nos que servir não termina necessariamente quando termina a vida militar.
Pode simplesmente mudar a forma de servir.
26 ANOS DE UMA VIDA AO SERVIÇO DOS COMBATENTES
São homens como Joaquim Romão Henriques que nos recordam que uma instituição não se constrói apenas através de cargos ou de estruturas. Constrói-se através das pessoas que, ao longo dos anos, lhe dedicam tempo, conhecimento e uma parte signif**ativa da sua própria vida.
Por isso, os 26 anos à frente do Núcleo de Alcobaça merecem mais do que uma simples referência a uma data. Merecem reconhecimento.
26 anos de serviço.
26 anos de dedicação.
26 anos de memória.
26 anos de entrega.
26 anos de pertença a uma causa — a causa dos Combatentes.
A guerra pode ter terminado há muitas décadas. Mas as memórias permanecem. Permanecem as pessoas, os lugares e os valores construídos ao longo de uma vida.
E enquanto houver homens como o Combatente Joaquim Romão Henriques, permanecerá também a vontade de servir e de manter viva a memória daqueles que fizeram parte dessa história.
Ao Combatente Joaquim Romão Henriques, o nosso reconhecimento, o nosso respeito e a nossa amizade.