05/08/2026
Ontem, no Senado, o cacique Roberto, do povo Anacé da região de Caucaia (CE), explicou o Brasil melhor que qualquer consultoria.
A Comissão de Ciência e Tecnologia realizou audiência pública sobre o PL 3.018/2024, que cria regras para data centers de IA. A sessão foi pedida justamente para trazer à mesa consumidores, ambientalistas e comunidades indígenas.
Roberto Anacé lembrou que existem mais leis para derrubar uma carnaubeira e construir uma oca do que para erguer um data center. E que ninguém contabilizou quantas carnaubeiras caíram, quantos pássaros, quantas vidas.
Ele contou também que a empresa só sentou para ouvir depois que os protestos pararam a obra duas vezes.
Guarda esse dado: o Brasil já tem cerca de 200 data centers em operação. Um único data center de IA consome cinco vezes a potência somada de todos eles. (LAPIN - Laboratório de Políticas Públicas e Internet )
Agora o contraste.
Em julho, a Coding Rights acompanhou a missão do Conselho Nacional dos Direitos Humanos em Caucaia — cinco dias, de 6 a 10 de julho, apurando impactos econômicos, socioambientais e territoriais desses megaempreendimentos. Nos dias da missão, Joana Varon, nossa diretora executiva, pôde contribuir com as queixas locais trazendo uma fala sobre as resistências no norte global contra a instalação desregulamentada desses empreendimentos. joana e ChicoRasta 🪶 colheram depoimentos para o mini doc que estamos produzindo.
No dia 10, o CNDH e o conselho estadual recomendaram suspender a tramitação do PL do governo do Ceará e tirar o regime de urgência. Em 14 de julho, com pouco debate, a Alece aprovou: 22 votos a 6.
Enquanto Brasília começa a escutar, o Ceará já votou. E a obra segue a todo v***r.
Só na ZPE do Pecém estão previstos mais cinco data centers de hiperescala. Três já com pré-contrato assinado.
Caucaia não é caso isolado — nem no Brasil, nem na América Latina. É o ensaio para virarmos quintal de data centers para Big Techs estrangeiras.
Minidoc em produção. 🎬