02/10/2025
Lá vai indo o Natalino…
Natalino José, jovem de 23 anos da comunidade de Magige, distrito de Gurué, província da Zambézia, é hoje um exemplo vivo de como a agroecologia pode transformar vidas. Casado e pai de um filho, sobrevive da agricultura familiar — mas já não é apenas um agricultor comum: é um verdadeiro agente de mudança.
Tudo começou com uma lembrança marcante: “Em 2012, o meu pai levou-me para ajudar na colheita… vi o dinheiro entrando nos bolsos dele e disse a mim mesmo: um dia serei eu a ganhar assim!” -disse.
Com o apoio do pai, começou a sua jornada agrícola, mas o salto veio quando se tornou Promotor de Extensão Rural com o apoio da União Provincial de Camponeses da Zambézia (UPC-Z), através do projeto Resiliência Crescente.
Através deste projeto, Natalino recebeu duas formações em agroecologia, que mudaram a forma como vê e pratica agricultura. Hoje, aplica e difunde a metodologia Camponês-a-Camponês (MaCaC), acompanhando cerca de 60 famílias da sua comunidade. Possui 4 hectares de terra (3 para cereais e 1 para hortícolas) onde produz, entre outros, couve, repolho, tomate, beterraba, cebola, feijão bóer e manteiga, milho e mapira, alimentos saudáveis e cultivados com técnicas que protegem o solo e reduzem custos.
Com os rendimentos das vendas no mercado local e na cidade, Natalino já comprou chapas de zinco e está a construir a sua própria casa. O sonho agora é mobiliar a casa e comprar um meio de transporte.
Reconhece, com orgulho, o papel da UPC-Z e do projeto Resiliência Crescente: "Agradeço do fundo do coração a União de camponeses, desde o nível distrital até ao nacional, pelo apoio, pelas formações e por nos colocar como protagonistas. Hoje, produzo com mais consciência, mais respeito pela natureza e com mais esperança no futuro." —Natalino
Natalino não é apenas agricultor. É um líder, um formador e um exemplo de que a agroecologia não é só uma prática é uma solução real para transformar vidas.