01/12/2025
“PAY FOR PLAY” E A ILUSÃO DO “HIV NEGATIVO”: A NOVA CARTOGRAFIA DOS RISCOS SE***IS NA ERA DOS LIKES.
A geografia contemporânea do risco sexual deslocou-se dos espaços físicos para os ecossistemas digitais, onde plataformas como Instagram, TikTok, Telegram e OnlyFans se tornaram arenas de exposição corporal e de negociação implícita de s**o.
Nesses ambientes, filtros, “likes” e mensagens privadas produzem uma cartografia invisível de práticas mercantilizadas, frequentemente marcadas por relações assimétricas de poder envolvendo mulheres e homens mais velhos, casados e com maior capacidade económica.
O fenómeno intensifica-se quando mulheres já inseridas nesse circuito passam a recrutar jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo a promessa de um estilo de vida glamoroso e ocultando os riscos reais: elevada exposição a infecções sexualmente transmissíveis, traumas, violência, dependências financeira e emocional, risco acrescido de HIV e, sobretudo, a perda progressiva da capacidade de dizer não.
Em paralelo, emerge entre muitos jovens um “fetiche preventivo”, a crença de que métodos biomédicos e contraceptivos substituem o pr********vo, alimentando uma ilusão de segurança que redefine a cartografia dos riscos se***is.
A análise completa encontra-se disponível em:
cerdmoz.org/pay-for-play-e-a-ilusao-do-hiv-negativo-a-nova-cartografia-dos-riscos-se***is-na-era-dos-likes/
Autor: Miguel Osorio, Pesquisador Associado, CERD.
“não é namoro… é uma forma de encobrir a prostituição, você compra e vende s**o” (Gunnarsson & Strid, 2021). Enquanto políticas globais se articulam para erradicar o HIV até 2030, uma epidemia silenciosa avança entre juventudes urbanas em contextos de baixa e média renda: a glamoriza...