03/03/2026
AMPCM Defende Transformação Estrutural da Agricultura para Consolidação do Agronegócio em Moçambique
No dia 02 de Março de 2026, na cidade de Maputo, durante o lançamento da Iniciativa AgriConnect Moçambique, a Associação Moçambicana para Promoção do Cooperativismo Moderno (AMPCM) apresentou a sua posição institucional sobre as reformas e investimentos necessários para transformar a agricultura num agronegócio competitivo, inclusivo e sustentável. A intervenção destacou que a agricultura continua a empregar cerca de 70 a 80% da população activa do país, sendo predominantemente praticada por pequenos produtores familiares com baixos níveis de produtividade.
Apesar deste cenário, Moçambique possui elevado potencial em cadeias de valor estratégicas como caju, amendoim, gergelim, soja, milho, arroz, feijões, horticultura e fruteiras, podendo desempenhar um papel decisivo na segurança alimentar, geração de emprego e industrialização rural.
A AMPCM sublinhou que o principal desafio nacional consiste na transição da agricultura de subsistência para um modelo de agronegócio orientado para o mercado, baseado em produtividade, qualidade, agregação de valor e integração nas cadeias formais de comercialização.
Entre os principais constrangimentos identificados destacam-se o acesso limitado ao financiamento agrícola adequado, a fraca organização produtiva, insuficiências em infraestruturas rurais como irrigação, armazenamento e estradas, elevadas perdas pós-colheita, problemas de qualidade incluindo contaminação por aflatoxinas, bem como um ambiente político, legal e fiscal ainda pouco adaptado às especificidades das cooperativas. Acresce ainda a crescente vulnerabilidade do sector às mudanças climáticas.
Neste contexto, a AMPCM reafirmou que as cooperativas agrícolas constituem um instrumento estruturante para a modernização do sector. Ao organizarem produtores familiares, as cooperativas promovem economias de escala, facilitam o acesso colectivo a insumos e tecnologias, agregam produção para atender mercados formais, fortalecem o poder de negociação, ampliam o acesso ao financiamento e promovem a inclusão económica de mulheres e jovens.
Para além disso, desempenham um papel relevante na certificação de produtos, cumprimento de normas de qualidade e implementação de sistemas de rastreabilidade, factores essenciais para competir em mercados nacionais e internacionais.
A associação apresentou igualmente a sua experiência prática no apoio à organização e capacitação de cooperativas agrícolas, com destaque para iniciativas como a produção de amendoim livre de aflatoxinas através do Aflasafe, o desenvolvimento de sistemas agroflorestais, viveiros de caju e fruteiras, a promoção da digitalização agrícola e a formação em gestão empresarial, governação cooperativa e empreendedorismo rural. Estes programas têm contribuído para o aumento da produtividade, melhoria do rendimento dos produtores e criação de emprego nas zonas rurais.
No plano das reformas, a AMPCM defende a implementação de medidas estruturadas em três eixos fundamentais: reformas institucionais que assegurem a regulamentação efectiva da Lei das Cooperativas e a simplificação do licenciamento agrícola; reformas financeiras que promovam linhas de crédito adaptadas à realidade rural, fundos de garantia e incentivos fiscais ao investimento no agronegócio cooperativo; e reformas de mercado que estimulem contratos estruturados entre produtores e agro-indústrias, bem como sistemas robustos de certificação e controlo de qualidade.
Paralelamente, recomenda-se investimento prioritário em irrigação e resiliência climática, infraestruturas de armazenamento e processamento, centros cooperativos de serviços agrícolas, produção de sementes melhoradas e digitalização do sector.
A mensagem institucional foi clara:
Moçambique dispõe de políticas adequadas, mas é necessário acelerar a sua implementação, remover bloqueios legais e assegurar financiamento apropriado ao produtor rural. A agricultura familiar organizada em cooperativas modernas, bem reguladas e tecnicamente capacitadas representa um pilar decisivo para a geração de emprego, fortalecimento da segurança alimentar, dinamização do comércio interno e consolidação de um agronegócio competitivo, sustentável e inclusivo.
A AMPCM reafirma, assim, o seu compromisso contínuo com a promoção do cooperativismo moderno como instrumento estratégico do desenvolvimento económico nacional.