O CCM nasceu numa altura muito difícil porque acabava de terminar a segunda Guerra Mundial. O medo, a insegurança e as crises eram notórios em todo o mundo e, para se fazer face aos desafios existentes, outros organismos internacionais foram criados, como por exemplo, o Conselho Mundial das Igrejas (Agosto de 1948) e a organização das Nações Unidas. O estabelecimento de serviços sociais alternativ
os aos do sistema colonial, a produção da literatura em línguas locais através do jornal “Mahlahle” ou “Nyeleti ya Mixo” (Estrela da Manha) e outras publicações que as igrejas faziam, contribuíram para o reforço e consolidação do espirito nacionalista. O ensino bíblico baseado no livro de Êxodo e dos evangelhos de amor, paz e Reconciliação, estimularam sentimentos de liberdade. Nos finais da década sessenta, o CCM criou o grupo de Estudantes Evangélicos, que além de evangelização através da música, recebia também educação Patriótica. O Grupo desintegrou-se com o regresso a Suíça do seu fundador, o Professor André Daniel Clerc. A actividade de bolsas de estudo foi primeiramente apoiado pelo Dr. Eduardo Mondlane depois da sua visita a Moçambique nos princípios da década sessenta, tendo enviado bolsa para estudantes secundários. As mesmas beneficiaram jovens, independentemente da sua religião. Outras missões juntaram-se a iniciativa, oque fez com que muitos moçambicanos se beneficiassem de bolsas de Estudo. A disponibilização de bolsa de estudo fez com que as igrejas que ainda estavam reticentes, se juntassem ao projecto do CCM. A independência Nacional foi muito festejada pelo CCM porque via nela a materialização de um dos seus objectivos contidos no Evangelho de Lucas 4. Infelizmente, forçados pelos ventos do momento, muitos missionários regressaram às suas terras de origem, deixando as igrejas que fundaram e o CCM sem comandantes. O CCM criou o lugar do Secretario Geral que até então não existia, elegeu entre os seus membros os primeiros comandantes nativos, que forma:
Presidente: Revmo. Bispo Dom Dinis Segulane da Igreja Anglicana e para o lugar de Secretario Geral, o Revmo. Bispo David Mahlalele da Igreja Metodista Wesleyana. Nota espetacular foi a eleição do Bispo Dinis Sengulene, numa altura em que a Diocese Anglicana dos Libombos acabava de se filiar como membro do CCM, isto em 1974. Isso foi possível porque as igrejas estavam unidas e, para aqueles cargos, disponibilizaram os seus melhores filhos. Os novos timoneiros do CCM de Moçambique independente iniciaram as suas funções em Novembro de 1975. Em pouco tempo foi abalado pelas nacionalizações de igrejas, escolas, hospitais seguidas pela desestabilização do país. O CCM ficou abalado, mas não destruído. A Evangelização foi intensificada através da distribuição de estudos bíblicos preparados pelo Senado que foram direcionados para jovens e mulheres, tendo como tema principal, a paz. A insegurança, a seca e os conflitos evidenciaram-se pela deslocação constante das populações, para dentro e para fora do país. O CCM criou um programa de emergência para socorrer e apoiar essas populações, nesta vertente de ajuda aos necessitados sem distinção, o CCM contou com apoio de igrejas membros, e de antigas Missões como o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e da Conferencia de Igrejas (CITA). Esse apoio foi canalisado para os deslocados internos do programa de emergência. Nos meados da década de 80, o CCM criou, com apoio dos Conselhos Cristãos dos países vizinhos, Serviços de Emergência conhecido por Office for Emergency and Realief in Southern Africa (ECOERSA), para apoio material e moral dos refugiados moçambicanos no Malawi, Zimbabwe, Africa do Sul e Swazilândia. Respondendo aos gritos dos crentes, os Pastores Lazaro Timbana e Eugénio Chivite que foram enviados para Malawi a fim de providenciarem os cuidados necessários às ovelhas tinham procurado abrigo naquele país. O CCM também foi capaz de prestar assistência aos refugiados de outros países que buscavam exilio no nosso país através do Departamento dos Refugiados e Serviços Sociais. O projecto da Paz e Reconciliação Nacional começou no ano de 1982, quando a igreja Presbiteriana comunicou ao CCM que, na sua Reunião magna, o “Npfunano”, tinha tomado a decisão devia-se ir falar com o Governo para que os moçambicanos conversem. A ideia foi apoiada pelas igrejas. O contacto com o governo só aconteceu no ano de 1884. Entretanto, a Igreja ia sendo preparada para a paz. Finalmente, em 1987 o governo validou a necessidade de se fazer algo para se chegar a paz. Daí em diante, muitas conversações foram feitas dentro e fora do país, e culminaram com a Assinatura dos Acordos de Paz em Roma, no ano de 1992. Quando a paz chegou, o CCM ganhou credibilidade como agente pacificador. Findo o processo de desestabilização levado a cabo com a ajuda da ONUMOZ, o CCM criou o conceito e o Projecto de Transformação de Armas em Enxadas (TAE), como contributo para enraizar a reconciliação e a paz através do desarmamento das mãos e das mentes. Essa acção de um desarmamento voluntario e moral constitui até hoje uma experiencia única no mundo. Nessa acção, houve maior confiança por parte do governo e compromisso inequívoco por parte do CCM e da Sociedade. Nessa operação, o CCM recolheu de mãos alheias mais de um milhão de artefactos perigosos de guerra que em troca foram oferecidos instrumentos produtivos. Os artefactos recolhidos eram destruídos sob o olhar daqueles que os entregavam em todo o território nacional. Os destroços foram transformados em esculturas e obras de arte por alguns artistas nacionais. Dentre essas obras, destacam-se a árvore da vida que se encontra no museu de Londres. O Programa TAE continua através do Empoderamento do Moçambicanos em Moamba, Província de Maputo. Participação do CCM no processo de Democratização do País
1. O CCM e parceiros trabalhavam para a abertura e promoção das igrejas no modelo de governação democrática;
2. Tiveram uma participação directa na organização e condução de processos de eleições tomando como exemplo o facto de, em quatro mandatos, dois dos Presidentes da Comissão Nacional de Eleições, terem sido filhos e pastores pertencentes às Igrejas membros do CCM. Desafios Actuais do CCM
O CCM tem muitos desafios que podem ser resumidos da seguinte maneira:
1. Continuar com a firmeza a obra da Evangelização visando a promoção moral, ética, santidade da vida e da dignidade humana;
2. Continuar com Educação Teológica, Económica e Pastórica;
3. Privilegiar a agricultura resiliente para se acabar sem a pobreza;
4. Quebrar ciclos de violência a todos os níveis e prevenir conflitos;
5. Retornar com firmeza o seu trabalho de reconciliação entre os Moçambicanos rumo à paz completa e,
6. CCM manter a sua voz profética perante as mudanças socioeconómicas e políticas.
7. Criar Politicas institucionais relativas ao trabalho das emergencias.