28/02/2026
Concluído plantio do mangal em Boane
Foi formalmente concluída, na quinta-feira, a campanha de repovoamento e protecção do mangal em algumas comunidades do município da Matola-Rio e distrito de Boane, província de Maputo.
A iniciativa, implementada pela organização não-governamental Kulima, tornou-se fonte de sustento para várias famílias.
O reflorestamento do mangal é uma aposta estratégica para a protecção costeira contra ciclones e a recuperação de habitats marinhos, destaque para caranguejo e camarão, que estão a desaparecer em alguns pontos devido à destruição daquela planta.
O projecto iniciou naquelas comunidades em 2022, com objectivo de reocupar as áreas devastadas pela população para a produção de combustível lenhoso e estacas para edificação de habitações, deixando várias áreas vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, sobretudo a erosão de solos.
Segundo dados do governo local e da Kulima, ao longo deste período foram reocupados 253 hectares, além de se proteger 56 hectares nas comunidades de Campoane, Matola-Rio e Saldanha. Para permitir a manutenção da planta, foram também montados três viveiros de mudas que poderão ser geridos pelos comités locais e que servirão para reocupar outras áreas ainda degradadas.
A experiência do plantio deixou boas aspirações e foi replicada em alguns estabelecimentos de ensino, como é o caso da Escola Secundária Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi, onde a planta é usada para embelezar o recinto.
O técnico de campo da Kulima, Camilo Sitoe, que falava durante o encerramento do programa, disse que foram capacitados mais de 100 activistas, além de terem sido criados comités de gestão nas comunidades onde os projectos estavam a ser executados.
Sobre a importância do mangal, referiu que é uma das plantas mais eficientes do mundo na captura de dióxido de carbono e as suas raízes emaranhadas estabilizam as linhas costeiras e reduzem a erosão, fornecendo também abrigo para peixes e outras criaturas.
“As comunidades já adquiriram conhecimentos sobre a época de recolha de sementes, como plantar, entre várias técnicas de manutenção da planta. A restauração da floresta de mangal na Matola-Rio e Campoane foi fundamental para o regresso da fauna, entre outros benefícios marinhos”, apontou.
Com isso, Camilo Sitoe reforçou a necessidade de colaboração entre o Governo e comunidades, pois trará benefícios duradouros para os ecossistemas, biodiversidade e natureza nos próximos tempos.
“A restauração, quando realizada com foco na sustentabilidade e colaboração com as comunidades locais, é uma solução poderosa para a adaptação às mudanças climáticas”.
Além da província de Maputo, a Kulima está a desenvolver o projecto de reflorestamento de mangal na zona costeira de Inhambane, onde se pretende garantir a protecção contra erosão, melhoria das condições para a pesca e reforço da resiliência climática.
Referir que ainda no âmbito da campanha de preservação do ambiente, a organização intensificou a produção de fogões ecológicos com chaminés, uma tecnologia social que utiliza barro, tijolos e areia, focada na sustentabilidade ambiental e saúde familiar. Esses fogões reduzem o consumo de lenha, diminuem o desmatamento e eliminam a fumaça interna através da chaminé, prevenindo doenças respiratórias.
Os governos do distrito de Boane e da vila do município da Matola-Rio comprometem-se em continuar com o programa.
As autoridades reconhecem as vantagens do projecto para as comunidades, pois, além do reflorestamento, registou-se o reinício da reprodução do camarão e caranguejo nos povoados abrangidos pela campanha.
Tarcísio André, do serviço distrital de Planeamento e Infra-estruturas de Boane, disse que o Executivo vai continuar a abraçar esta iniciativa.
"Tendo em conta que as comunidades já têm capacidades e consciência da preservação daquelas zonas do mangal, a nossa gestão será coordenada com elas. Antes dessa actividade, as comunidades não tinham condições para adquirir o combustível, principalmente o lenhoso, e recorriam ao mangal", comentou.
Segundo o nosso entrevistado, para evitar a destruição da floresta, as comunidades foram instruídas a criar um pacote de crédito rotativo, que permite que tenham uma adaptação racional. Em vez de fazer o abate, já passam a adquirir o carvão e lenha, o que vai permitir que o mangal seja restaurado.
"Os benefícios são enormes, tanto para as comunidades das áreas abrangidas, assim como circunvizinhas. Por exemplo, naquelas áreas onde está a decorrer o reflorestamento tinha desaparecido o camarão e o caranguejo, mas essas espécies estão a voltar. O que significa que o espaço já é atractivo para essas espécies marinhas".
Uma das medidas que será implantada para evitar a destruição do mangal é a implementação da educação ambiental, que permitirá aos grupos formados em comités de gestão trabalhar a nível de base, bem como as pessoas que vão fiscalizar o processo.
Estas actividades contam com o apoio do governo da Noruega.